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Actualizado às 1:09 AM, Dec 12, 2018

Jerry O´Connell - «Carter»

Destaque Jerry O´Connell - «Carter»

Disse “Conta Comigo” em 1986 e nunca mais largou a representação. Evoluiu e conquistou o seu espaço na TV com «Sliders - Heróis por Acaso» e «A Patologista», e regressou em força este ano com o papel principal de «Carter», que estreou em setembro no AXN, e uma passagem por «A Teoria do Big Bang». Em conversa exclusiva com a METROPOLIS, falou da série canadiana, da sua carreira... e até de uma ex-namorada portuguesa! 

O que o atrai nas comédias, e especialmente em «Carter»?
Bem, eu fiz uma série policial durante seis anos, «A Patologista», e quando li o argumento de «Carter»... A série brinca com todos os policiais, mesmo sendo uma série do mesmo género. Então, eu interpreto um tipo que é um ator numa série policial e, tendo que conta isso, ele acha que pode resolver crimes reais, e isso faz-me rir bastante. É como se tivéssemos pegado na fórmula de «Castle», na fórmula de «Psych - Agentes Especiais», na fórmula d’«O Mentalista» e a tornássemos ainda mais ‘louca’. Porque é um detetive da televisão, pelo que se aproxima de todas as séries que costumamos ver – e há ali uma fórmula, ele usa essa fórmula para o ajudar a resolver crimes, é hilariante! Se fores fã de mistério, é uma série muito divertida.

A tua personagem assenta, por assim dizer, num estereótipo. Onde foste buscar inspiração para interpretar o Carter?
Para dizer a verdade, não tive de fazer qualquer pesquisa, sabes, porque estamos a falar de um homem que é um ator numa série policial da TV... Só tive de olhar para o espelho. É muito divertido também porque o Carter é bem mais vaidoso do que eu, preocupa-se muito com o seu cabelo, com o seu aspecto, como está fisicamente, e é engraçado. Na vida real não sou assim tão vaidoso, mas percebo-o. Às vezes olho para fotografias minhas e pareço super velho, e gostaria que alguém tivesse usado um ‘filtro’ naquela foto. Então, percebo a sua vaidade e torna-se muito divertido interpretá-lo.

Trabalhar em «Carter» é tão divertido quanto parece?
Sim, passamos realmente um bom bocado, é muito divertido. Acho que essa é a chave para um bom programa de TV, acredito que temos de nos divertir uns com os outros e que as pessoas conseguem ver isso. Sou um grande fã de «Seinfeld» e apercebes-te de que o Jerry Seinfeld está quase a partir-se a rir em todas as cenas. E penso que era por isso que as pessoas estavam sempre em êxtase no seu lugar a assistir. Temos um pouco a mesma ‘vibe’ na nossa série.

Quais são as tuas expetativas relativamente a uma segunda temporada?
Acho que vai acontecer, acredito nisso e espero que se confirme.

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Qual acreditas que vai ser o rumo da série, em termos de história?
Não sei. Acredito que vai haver mais temas relacionados com o facto de ser um ator, acho que temos realmente de envolver-nos nisso. Dos zunzuns que tenho ouvido de uma eventual segunda temporada, vai ter mais a ver comigo a interpretar outras personagens e a tentar usar o meu talento para a representação para resolver crimes. Acho que vamos seguir por aí. Tivemos uma storyline maior para abordar, o facto de que a minha mãe desapareceu quando éramos crianças... Agora que tirámos o drama do caminho, é tempo de nos divertirmos um pouco.

«Carter» não é simplesmente uma comédia. Trata-se de um programa inteligente e híbrido, com personagens muito complexas. Concordas?
Sim... Não será tão louco como «A Guerra dos Tronos», não vamos ter um “Red Wedding” [episódio emblemático da série, com várias fatalidades]. Mas os nossos argumentistas são muito criativos, porque somos uma série policial, uma série de mistério: há um homicídio, vemos um corpo, conhecemos os suspeitos e descobrimos quem foi o responsável. É essa a nossa fórmula, mas durante todo o episódio estamos a ‘gozar’ com todas as séries policiais que já vimos. É realmente divertido para nós.

Alguma vez sentiste a necessidade, assim como o «Carter», de regressares às tuas origens? Começaste a tua carreira muito cedo...
Sim, de certa forma. Em todo o caso, estive no «Conta Comigo» (1986) quando era um miúdo, mas a minha principal experiência é em séries televisivas de uma hora por episódio. Fiz «Sliders - Heróis por Acaso» durante muitos anos, fiz «A Patologista» durante vários anos, e sinto-me mais confortável assim. É a minha zona de conforto, sem dúvida.

«Sliders - Heróis por Acaso», aproveitando o facto de teres mencionado a série, era sobre universos paralelos. Seguindo esta ideia, que escolha profissional fizeste e que foi tão importante que mudou a tua carreira para sempre?
Bem, acho que entrar naquele filme «Conta Comigo» (1986), quando era muito novo, foi algo muito importante. Ninguém estava à espera disso. Devo confessar-te que o meu pai me disse, quando fiz o filme, que nunca ia ser lançado. Então ainda estou bastante chocado por ter entrado no filme. Ontem estava a trabalhar em algo e o realizador só queria falar do «Conta Comigo» (1986), é maravilhoso quando fazes parte de um clássico, ainda não consigo acreditar nisso, não consigo acreditar que as pessoas ainda falam do filme hoje. Então diria que foi realmente o «Conta Comigo» (1986) que mudou tudo definitivamente.

Tinhas 12 anos nessa altura. Como é que te conseguiste manter tão ativo como ator durante tantos anos?
Não sei, não sei realmente. Fui para a universidade, frequentei a Universidade de Nova Iorque, frequentei o secundário depois do «Conta Comigo» (1986)... Acho que a educação, especialmente para os meus pais, foi sempre o principal objetivo e depois a representação surgia em segundo. É importante ter um bom suporte à nossa volta.

Falemos de «A Teoria do Big Bang», onde interpretaste o irmão do Sheldon (Jim Parsons). És o primeiro ator a interpretar uma personagem só depois de ela aparecer em «Young Sheldon». O trabalho do Montana Jordan influenciou-te de alguma maneira?
Sim, claro que sim. Eu copiei-o, assisti a todos os episódios de «Young Sheldon». Sabes, o que é engraçado é que as minhas filhas não conhecem «A Teoria do Big Bang», apenas o «Young Sheldon», pelo que eu estava a acompanhar o trabalho do Montana e ele é espectacular, todo o elenco da série é muito bom. Estava familiarizado com o trabalho dele e copiei os seus maneirismos e tudo. Era esse o meu trabalho, estava lá para fazer a rendição de um Montana Jordan mais velho, nem sequer um Georgie, aquela personagem em específico mais velha, e diverti-me muito a fazer isso. Ele é um miúdo espectacular, a família dele também, é um ator brilhante.

Muitas séries canceladas estão a regressar, como «Will & Grace» e «Murphy Brown». Trabalhaste em muitas séries ao longo dos anos: qual gostavas de ver recuperada para uma nova temporada?
Acho que «Sliders - Heróis por Acaso».

Porquê?
Não sei, diverti-me mesmo muito a fazê-la. E se estão a fazer um remake do «Alf», certamente podem fazer um remake de «Sliders - Heróis por Acaso».

Trabalhaste com o teu irmão Charlie nessa série...
Sim, sim!

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Gostavas de voltar a trabalhar com ele no futuro?
Sim, claro! Sabes, ele meio que se reformou da representação, é um pescador e trabalha em Long Island, pelo que está bastante ocupado. Talvez ele pendure os ganchos de pesca e venha representar comigo (risos)!

Também tens feito muita coisa como apresentador, como é o caso de «Play by Play». Sentes-te mais confortável nesse papel ou a interpretar outras personagens?
Hum... A apresentação foi algo em que envolvi aqui nos Estados Unidos no último par de anos. Apresentei um programa da manhã, que é muito popular aqui... Não sei, e é de loucos porque eu não sou nada uma ‘morning person’, mas estive a trabalhar da parte da manhã, foi muito divertido e fui competente. A verdade é que acho que, atualmente, gosto mais de representar. Quero mesmo muito voltar a filmar «Carter» e garantir que todos em Portugal podem assistir, e em todo o mundo, é essa a minha verdadeira paixão.

Vi que voltaste a fazer produção. É algo que gostasses de fazer mais?
O que acontece é que vais fincando mais velha, como eu, e eles dão-te mais responsabilidade. Fico tão chocado quanto tu quando vejo que sou produtor ou algo assim. Ainda me sinto como uma criança ali, mas acho que quando ficas velho e todos são mais novos do que tu, eles fazem de ti chefe, simplesmente acontece.

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Voltando a «Carter». Imaginas-te a realizar ou escrever um episódio da série?
Sabes, aquilo que é divertido é que nos lembramos de cenários em que poderíamos acabar envolvidos. A questão aqui é que estou em praticamente todas as cenas, pelo que é difícil fazer algo mais. Fico cansado, sou um pouco preguiçoso, e acabo de rastos ao fim do dia, não quero andar a realizar e ter de me engendrar o que vamos filmar no dia a seguir, então não quero realizar nada (risos). É simplesmente mais divertido ser ator. Sou demasiado preguiçoso para realizar, dá muito trabalho. Prefiro representar: tenho de parecer bonito, aparecer, é mais divertido, a única coisa que tenho de fazer é ir de vez em quando ao ginásio. É praticamente isso para um ator, quando és realizador não tens de ir (risos).

Quais foram os principais desafios na primeira temporada?
Não houve desafios complicados, foi mesmo super divertido, passámos um bom bocado. Não tenho razões de queixa, muito sinceramente, gostei mesmo. O maior desafio, com toda a sinceridade, é não rir nalgumas cenas. Tivemos uma cena em que estávamos a interrogar uma rapariga e ela está a usar aquela linguagem de adolescente, e eu estou a tentar traduzir e decifrar o que ela diz e não consigo. Fez-me rir muito. Acho que isso aconteceu sobretudo porque tenho duas filhas que usam ‘emojis’ a toda a hora e eu não faço ideia do que significam (risos).

As produções canadianas estão a tornar-se cada vez mais importantes. Isso também influenciou a tua decisão de participar em «Carter»?
Sim, e o Canadá é lindo. É maravilhoso filmar no Canadá, as pessoas são lindas, os cenários magníficos, tem uma espécie de look country e independentemente de onde estamos há sempre uma data de árvores à volta. Sou de Nova Iorque, nunca vi tanto verde, nunca. É um pano de fundo lindo, quase como outra personagem da nossa série.

É tudo, obrigada...
(Energicamente) Espera, ouve, tenho de deixar um ‘shout out’ à minha ex-namorada que vive em Lisboa, Ana Cristina Campos Seara de Oliveira [diz calmamente em português], ela é uma atriz em altas em Portugal. Diz-lhe que eu digo olá e parabéns pela carreira dela. Está numa data de programas portugueses, estou muito orgulhoso!

[Entrevista publicada na Revista Metropolis nº 63 - Outubro 2018]

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