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Actualizado às 10:16 PM, Apr 26, 2018

Corpo e Alma - entrevista c/ Ildikó Enyedi

Destaque Corpo e Alma - entrevista c/ Ildikó Enyedi

Em tempos de empoderamento das mulheres, o feminino foi a palavra de ordem do cinema em 2017, com um reposicionamento das realizadoras na hierarquia audiovisual, seja de baixo orçamento, seja de padrão mais industrial. A Berlinale sacou isso rápido e contemplou uma realizadora com quase três décadas de experiência, mas com uma notoriedade ainda aquém de seu talento: Ildikó Enyedi.

Contrariando apostas no cinema político e previsões acerca da vitória de realizadores já consagrados, o júri do 67º Festival de Berlim, na cerimónia de encerramento, optou por jogar os seus holofotes sob uma diretora da Hungria, com 62 anos de idade e 36 de carreira, que nunca teve a visibilidade merecida. Ildikó Enyedi ganhou o Urso de Ouro por «On Body And Soul», uma história de amor entre raspas, restos e rios de sangue de bois que são abatidos diariamente no matadouro onde seus personagens – ela, uma taciturna e suicida fiscal de qualidade; ele, um administrador com um braço paralisado – desenvolvem algo próximo de um romance. A justificação da escolha do presidente do corpo de jurados, o cineasta Paul Verhoeven («Elle»), referia-se à potência visual com que a cineasta radiografa aquele mundo de silêncios.

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“Existe uma riqueza sentimental enorme em pessoas que são fechadas em si. Foi isso o que eu tentei explorar, interessada na delicadeza”, disse Ildikó à Metrópolis.
O seu filme foi o mais premiado da Berlinale: além do Urso de Ouro, «On Body and Soul» conquistou a láurea do Júri Ecumênico, a do júri dos leitores do jornal alemão Berliner Morgenpost e a do júri de críticos da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (a Fipresci). “Eu venho de um país que pode ser assustador, muitas vezes, mas que desenvolveu um cinema muito potente num intervalo de tempo que, não necessariamente é o da minha geração. Nos últimos 30 anos, em meio aos problemas que eu e meus contemporâneos encaramos, cresceu uma nova turma, com um cinema inovador”, diz a cineasta, que rodou curtas, documentários e a versão húngara da série «Em Terapia». “É um orgulho ver que grandes autores cinematográficos estão surgindo da minha nação”.

Em 1989, Ildikó foi premiada no Festival de Cannes com o troféu Câmara de Ouro, dado a estreantes, por «My 20th Century», filme que lhe deu algum prestígio à época. Mas ela não chegou a ser um nome de destaque no cenário internacional do cinema de autor – até agora. “Eu fiquei muito tempo fora do jogo, sem acreditar que havia lugar para mim, até o meu produtor me convencer a contar a história de «On Body and Soul»”, contou Ildikó à Berlinale. “Eu sou uma cineasta que não gosta de impor um estilo visual às tramas ou aos atores. Sou da filosofia da simplicidade”.

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