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Actualizado às 11:14 PM, Nov 22, 2017

Fear the Walking Dead - entrevista Daniel Sharman

Destaque Fear the Walking Dead - entrevista Daniel Sharman

Daniel Sharman despontou em séries populares junto de adolescentes e jovens adultos como «The Originals» e «Teen Wolf» mas demonstra em «Fear the Walking Dead» que tem uma longa e promissora carreira à sua frente. O actor interpreta o polarizante Troy Otto, responsável pelo valente abalo na terceira temporada de FTWD. O actor britânico estava pronto para mais uma segunda-feira exigente após uma longa viagem de San Diego para Madrid, tinha estado no sábado à noite na Comic Com San Diego para promover a série e aterrou na capital espanhola na noite de domingo após uma viagem de 12 horas. A nossa conversa decorreu no raiar da manhã madrilena, Daniel Sharman estava totalmente desperto e preparado para um dia fortíssimo em Madrid entre as entrevistas no hotel The Westin Palace e um evento com os fãs ao final da tarde. A Daniel “mania” tinha aterrado em Madrid, passadas longas horas da nossa entrevista, estavam perto de uma centena de jovens espanholas acampadas à frente do hotel com os termómetros a ultrapassarem os 40 graus, temperatura que nos remete para as filmagens de FTWD no México... 

Com duas presenças em séries muito populares junto do público mais jovem graduou-se em grande estilo em FTWD. É sem dúvida a adição mais interessante e enigmática da terceira temporada. Como é que chegou ao papel de Troy Otto?
Obrigado! Consegui o papel de uma forma bastante normal, fiz a audição e nem sabia muito do papel que iria desempenhar, foi na audição que conheci o Dave [Erickson] e fizemos umas falas, nem sequer sabia o nome do personagem até um dia antes de começar a filmar. O ambiente em torno da rodagem é muito secreto, do argumento aos personagens, depois começamos a receber algumas migalhas de informação e então agarrámo-nos a esses dados e começámos a desbravar o personagem. E à medida que ia sabendo mais informações sobre o Troy ia aumentando a vontade de conhecer esta figura e o desejo de explorar todos os detalhes.

É um grande desafio interpretar um personagem pivot nesta série com inúmeras ligações afectivas a Madison [Kim Dickens], Nick [Frank Dillane] e a Jake [Sam Underwood].
O que é fantástico nele é que se torna um peso para tantos personagens na série, muitas das histórias são determinadas pelas suas emoções e acções. Estamos a lidar com alguém que vai aprendendo as coisas à medida que os factos vão ocorrendo. Há pessoas novas neste ambiente com quem ele tem de lidar subitamente, é como observar alguém que está a atravessar a sua adolescência, ele está a atravessar uma grande mudança. É influente e determina grande parte da história devido à natureza do poder que existe no seu rancho. É sempre fabuloso poder interpretar algo assim. Os argumentistas fizeram um grande trabalho ao escreverem sobre alguém que está a atravessar tanta coisa ao mesmo tempo, é bom poder partilhar essa experiência com o público que consegue ter uma janela para a sua mente e as suas acções. Podemos ficar horrorizados pelos seus actos ou tentar compreender as suas motivações. O meu trabalho como actor é sempre tentar que o público possa entender o personagem. À medida que a série avança vamos começando a percebê-lo melhor e o que acontece devido a isso.

Como explica a sua química com a Kim Dickens?
A Kim é um ser humano maravilhoso e uma actriz fabulosa, eu adoro-a. O que é bom na nossa relação na série é que desfrutamos interpretar os nossos personagens neste jogo do gato e do rato em que os nossos personagens se encontram. E nada é a preto e branco, embora possa parecer do exterior -que a sua personagem tem a vantagem sobre o Troy, que ela possa estar a manipulá-lo. Penso que isso não é inteiramente verdade, ele permite que isso aconteça, o Troy está consciente das motivações da Madison e o inverso também acontece. Todas as camadas destes personagens se espelham no ecrã; é como magia que acontece em cena: podemos observar as motivações, a sua inteligência e a perceção de cada um deles e quando temos isso perante nós é uma bênção termos alguém como a Kim ao nosso lado com a habilidade de representar essas nuances.

A propósito do debate sobre as mulheres que representarem heroínas, o que pensa de ter uma protagonista kick-ass na figura de Kim Dickens?
Penso que a noção de que as mulheres não podem liderar séries ou filmes é uma ideia antiquada, o que esta série consegue patentear de forma tão bela é que as mulheres conseguem ser perfeitamente cabeças de cartaz, tal como os homens. E as histórias que podemos contar possuem um maior número de tonalidades quando saímos do estereótipo masculino do protagonista principal. E quando temos uma equipa de argumentistas pronta a utilizar todos os recursos que têm ao seu dispor, o resultado são grandes histórias. É claro que as mulheres podem interpretar o papel de protagonistas e as pessoas vão querer ver e estarão envolvidas na história. Acho que essas barreiras estão a cair lentamente mas o sucesso desta série e até mesmo os filmes estão a provar que essa discriminação é absurda. Uma boa história é o aspecto mais valioso para o sucesso de qualquer produção.

FTWD Alicia

Como é a relação com o processo criativo da série, recebem muito input dramático da parte dos realizadores ou argumentistas durante a rodagem?
Nutri e aprofundei uma relação com todos os argumentistas. A sala de argumentistas para esta temporada está recheada de talento e pessoas cheias de vida que estão motivadas para a escrita de personagens. Penso que é um elemento admirável e chave para o sucesso da terceira temporada. E o segredo para este sucesso reside em que a maioria dos argumentistas são encenadores e vivem obcecados pelo perfil dos personagens. Na TV, quando os personagens são interessantes tudo o resto cai no seu lugar, desde que possamos escrever personagens genuínos em circunstâncias em que possamos identificar a série acaba por ganhar asas. O que é fantástico neste processo criativo não são tanto as circunstâncias extenuantes, como o apocalipse; nesta temporada apesar desse ser o pano de fundo não é esse o elemento que se apresenta como a força motriz mas antes aquilo que os seres humanos fazem perante essa situação. Os argumentistas têm sido maravilhosos a explorar essa natureza humana em todos os seus detalhes.

Os personagens vivem sobre um legado maldito um pouco como a realidade norte-americana de uma terra polarizada. Sente que FTWD é muito mais do que uma série de terror dramático?
O que é interessente nisto é que não é necessariamente uma investigação política mas está mais relacionada com a natureza humana. Esta série livra-se dos pilares básicos de uma sociedade e de tudo aquilo sobre o que assenta uma civilização, colocando a questão do que aconteceria então aos seres humanos, aonde é que se encaixaria a raça ou a religião? E o que vemos é primeiro um elemento básico de sobrevivência e depois o que é relevante, o que ainda interessa? Separar as pessoas pela cor da pele torna-se algo fácil porque é aquilo que os homens fazem ou a separação faz-se em termos ideológicos. O que é fascinante é essa investigação no colocar em cima da mesa os princípios que realmente interessam no mundo desta série depois de retiramos todos os elementos que formam uma sociedade moderna.

Todas as temporadas desta série se alicerçam sobre grandes temas, nesta época o tema chave é a coexistência, o que será um enorme desafio para o seu personagem.
Coexistência, como diz, é um tema bastante interessante, o mundo onde vivíamos antes é radicalmente diferente do mundo onde vivemos num ambiente pós-apocalíptico e os compromissos que possam ser feitos são também muito diferentes. Para o Troy os compromissos não são uma coisa fácil, é algo que não encaixa com o seu fervor ideológico, perceber que fazer compromissos é uma coisa que faz parte da vida é algo novo para ele. Na última metade dos episódios desta temporada exploramos o que acontece quando ele é puxado ao limiar da existência, o quanto podes empurrar um personagem, o quanto podes aprender o que vais errar – e vão ver que ele vai errar bastante – e no fim até consegue acertar algumas coisas. Isso é fantástico, especialmente o que acontece no final. Os primeiros oito episódios desta temporada forçaram-no a esta coabitação e ao compromisso e a segunda metade é sobre como estes alicerces conseguem subsistir.

EM EXIBIÇÃO NO CANAL AMC

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