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Actualizado às 11:14 PM, Nov 22, 2017

MICAR – Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista

«Balada de um Batráquio» «Balada de um Batráquio»

A MICAR – Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista chega à sua 3.ª edição, procurando no Cinema uma forma de estimular a reflexão e o debate, com o propósito de combater a indiferença. «A Balada de Um Batráquio» e «O medo come a alma» são dois dos filmes que serão exibidos de 14 a 16 de outubro, no Teatro Municipal do Porto – Rivoli, com entrada gratuita. A METROPOLIS entrevistou Nuno André Silva, Membro da Direção do SOS Racismo e da Equipa da MICAR, sobre os destaques desta edição.

O que levou à criação da Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista?
O SOS Racismo recorreu sempre a várias formas de comunicação e a espaços distintos, para estimular o debate e reflexão sobre os temas a que se dedica – ou seja, a discriminação, o racismo e a xenofobia. E o cinema foi também um desses instrumentos: já desde há vários anos a esta parte que a associação vinha organizando pequenas sessões ou ciclos de cinema pelo país, tendo inclusivamente produzido um documentário em 2010 sobre o seu trabalho e sobre o enquadramento do racismo em Portugal.
A MICAR era um projeto que tínhamos idealizado já há algum tempo, mas que só se tornou possível concretizar a partir de 2014, quando as condições de financiamento e de apoio logístico assim o permitiram. Para esse efeito, reconhecemos que foi decisivo o apoio da Câmara Municipal do Porto, que nos cedeu gratuitamente o Teatro Municipal do Porto – Rivoli para o efeito.

a piramide

«A Pirâmide Humana»

Considera que o cinema poderá ser uma boa ferramenta para dissipar alguns preconceitos e combater a discriminação?
Diria que o cinema é uma forma de comunicação completa e que, de facto, nos permite abordar todas temáticas que referi, de uma forma eficiente e eficaz. Assim, a par das conferências, das tertúlias, dos debates, do teatro, da fotografia ou da música, o cinema passou a ser também um veículo para o SOS Racismo assumir o seu objeto de intervenção social, de combate ao racismo e de promoção da inclusão, da igualdade e do reconhecimento da dignidade de todos e de todas. Não será uma ferramenta que, por si só, resolve todos os problemas a este nível, mas é, também, uma expressão democrática, de formação cívica e de promoção de valores.

Quais são os destaques desta edição?
É sempre difícil destacar este ou aquele filme, porque todos eles foram criteriosamente analisados e são todos – pelo menos, do nosso ponto de vista – excelentes filmes. Mas não podendo abarcar todos neste pequeno espaço, e correndo o risco de poder estar a ser injusto, diria que os filmes da Leonor Teles («Balada de um Batráquio» e «Rhoma Acans»), o premiado «Lampedusa in Winter», de Jakob Brossmann, os clássicos «O medo come a alma» de Rainer Werner Fassbinder, e «A Pirâmide Humana», de Jean Rouch, e os sublimes «Judgment in Hungary», de Eszter Hajdú, e «We Come as Friends», de Hubert Sauper, devem ser especialmente destacados.

judgement in hungary 1

«Judgment in Hungary»

Pondera-se levar a Mostra para a capital e outras cidades?
A MICAR tem a sua base no Porto, por razões logísticas e de organização do trabalho, mas também porque o Porto, apesar de ser uma cidade de cinema e com grande tradição nesta arte, não tem – ou pelo menos, não tinha em 2014 – muitos festivais ou mostras de cinema, apesar de haver público interessado. Faz assim todo o sentido que a MICAR permaneça no Porto, foi aqui que a proposta foi acolhida e onde conseguimos reunir os apoios suficientes para que a mesma pudesse acontecer.
Mas é nossa intenção que, durante o resto do ano, a MICAR vá passando por vários locais do país, em sessões específicas e temáticas, sobretudo em escolas, universidades, em parcerias com autarquias ou outras associações – ou seja, envolvendo sempre mais pessoas. Esse é um dos nossos objetivos e só não temos feito estas sessões com a regularidade que gostaríamos, porque, infelizmente, não temos capacidade financeira para o efeito.

É a 3.ª edição da Mostra. Como tem sido a receção do público até agora?
As duas primeiras edições foram uma surpresa para nós. Tivemos várias sessões esgotadas, a participação nos debates a propósito dos filmes foi sempre intensa e de grande qualidade, e conseguimos aproximar o projeto a muitas outras entidades, associações, escolas e universidades. Diria que a MICAR, embora organizada pelo SOS Racismo, é já um processo que envolve muitas mais entidades, sem as quais não teria, por certo, o sucesso que teve até agora. E o interesse e paixão que o público tem demonstrado pela Mostra é significativo, o que nos deixa satisfeitos, motivados e com a certeza que estamos num bom caminho e a prestar um serviço público e de qualidade.

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Modificado emterça, 11 outubro 2016 19:39

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