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Actualizado às 11:14 PM, Nov 22, 2017

Serra Pelada - entrevista a HEITOR DHALIA

Mitificada no imaginário brasileiro como um Eldorado lotado de minérios preciosos em seu solo, Serra Pelada é uma região no sudeste do estado do Pará, na Região Norte do Brasil, vizinho ao Amazonas, conhecida na década de 1980 como o maior garimpo a céu aberto do mundo. Muito sangue foi derramado na corrida do ouro que se armou ali. Litros e litros de sangue. E parte desta história de brutalidades virou ficção sob a lente de Heitor Dhalia, realizador prestigiado em festivais como Sundance e Cannes por filmes como «O Cheiro do Ralo» (2006) e «À Deriva» (2009). Com base numa pesquisa histórica minuciosa e no desejo de realizar um “faroeste moderno”, com especiarias à la irmãos Coen, ele narrou a saga de dois amigos de infância que tentam juntos a sorte nas minas paraenses, tendo dois dos melhores atores brasileiros da atualidade – Julio Andrade e Juliano Cazarré – como protagonistas.

Com uma febril fotografia de Lito Mendes da Rocha, «Serra Pelada» acompanha os percalços de Juliano (Cazarré) e Joaquim (Andrade) na luta por fazer fortuna num garimpo dominado por um chefão, Coronel Carvalho (Matheus Nachtergaele), e acossado por um assassino, Lindo Rico (Wagner Moura). Isso tudo ao som de muito carimbó (a música do Pará) e muito barulho de tiro. Na entrevista a seguir, Dhalia faz uma análise do longa e comenta seus próximos projetos.

Qual é o maior desafio de se fazer um western no Brasil profundo que a Serra Pelada é? Que universo você encontrou ao desbravar aquele mundo de bang-bang?
O grande desafio foi reconstruir a maior corrida do ouro da Era Moderna. Tudo naquele projeto era gigante diante do escopo do teria que ser refeito. E, mais do que isso, havia uma questão: como obter a energia de um lugar que tinha mais de 100 mil homens trabalhando? Foi um trabalho incansável de pesquisa que nos fez trazer de volta à vida o garimpo de Serra Pelada. Ao mergulhar na pesquisas, nós encontramos um mundo de memórias e de ressentimentos. Serra Pelada é uma página impressionante da nossa história, mas deixou feridas tanto nas pessoas quanto no lugar.

Que heróis são possíveis num mundo que produz gente como Lindo Rico, o assassino frio vivido por Wagner Moura?
O herói ali é o homem comum, o cara que tem o sonho de ficar rico e deixa tudo para ir atrás disso. É ora um herói ingénuo e ora um herói ambicioso, desmedido. Foram muitos brasileiros que sonharam e acreditaram num Brasil grande.

Que filmes influenciaram você na construção dos planos?
Pensei muito no «Sangue Negro», pela génese de um personagem corrompido pela ambição, e também nos filmes de gangster do Scorsese. Mas a maior influência mesmo foi a história real. Havia centenas de relatos do que foi o surrealismo de Serra Pelada.

Que projetos você desenvolve este ano? Havia a promessa de você filmar a novela gráfica Tungstênio, de Marcelo Quintanilha, premiada na Europa. Este filme sai?
Eu rodo Tungstênio, rodo em outubro e novembro na Bahia. E acabei de rodar um documentário internacional, em língua inglesa: «On Yoga: The Architecture of Peace». Trata-se de um mergulho metafísico e visual no universo da Yoga, que foi rodada na Índia e em Nova York.

 

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Modificado emsegunda, 03 outubro 2016 20:07

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