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Actualizado às 5:02 PM, Aug 25, 2019

FESTIVAL OLHARES DO MEDITERRÂNEO – Entrevista Sara David Lopes (directora)

O Festival Olhares do Mediterrâneo regressa ao cinema São Jorge no final do mês do Setembro com o objetivo claro: divulgar o cinema feminino do mediterrâneo. Por isso, foram selecionados dezenas de filmes dentro desse critério de escolha para um concurso variado e estimulante e imaginou-se uma nova secção temática-Travessias- relativa à questão dos refugiados e das migrações. Nas secções paralelas, o destaque vai para a programação gratuita para o 1ªciclo e para o Secundário, para além das oficinas temáticas e muito mais. Conversámos com Sara David lopes, diretora e programadora principal do evento que deixa o convite aos nossos leitores para conhecerem o Olhares do Mediterrâneo.

A edição deste ano apresenta algumas novidades, incluindo o alargamento do critério da escolha dos filmes e a data de realização. Fale-nos um pouco sobre isso?
Desde a concepção do festival mantemos uma reflexão contínua sobre o que fazer em cada edição e, este ano, pareceu-nos importante alargar a visibilidade deste cinema de mulheres à equipa criativa. Isso levou a que, em 2016, aceitássemos filmes feitos por homens, desde que tivessem sido produzidos por mulheres. Em edições futuras, ponderamos alargar este critério a toda a equipa criativa do filme. Um filme não é só feito pelo seu realizador e julgamos importante dar também visibilidade a outras áreas da sua produção genérica.

Quais os principais objetivos do Olhares do Mediterrâneo?
Como o próprio nome do festival indicia, pretende-se promover o cinema feminino do Mediterrâneo, o qual ainda assume uma percentagem muito pequena tanto na indústria cinematográfica como no cinema independente. Pensamos que é importante divulgar mais o cinema feito por mulheres, uma vez que o olhar que as suas obras mostram sobre o mundo é frequentemente distinto do olhar que nos traz o cinema feito por homens. É importante perceber essas diferenças, pois assim poderemos conhecer melhor a multiplicidade de olhares e de realidades vividas que estes filmes nos trazem.

Para além de divulgar o cinema feito por mulheres, pretendemos também promover o conhecimento sobre a diversidade de formas de viver que encontramos nas margens do Mediterrâneo e sobre os encontros e desencontros que se promovem neste espaço geográfico. Pensamos que podemos ter um papel na desconstrução de estereótipos e na reflexão sobre aquilo que nos distancia e aproxima enquanto mediterrânicos.

Foi isso que nos levou, este ano, a criar uma secção temática, Travessias. Dando continuidade a um interesse que está patente desde a primeira edição do festival - e que é um tema recorrente nos filmes que temos recebido - decidimos dar uma atenção especial à questão dos refugiados e das migrações forçadas, criando um espaço de reflexão transversal a todo o festival com actividades complementares ao cinema. Pretendemos com isto estimular o público a interrogar-se e a avaliar de uma forma mais informada esta questão que afecta de forma brutal o quotidiano das pessoas e dos países do Mediterrâneo.

Quais as principais dificuldades sentidas na elaboração da programação do festival?
A principal dificuldade é financeira, mas temos conseguido contorná-la com criatividade e parcerias.
É óbvio que o constrangimento financeiro gera um desafio à programação, nomeadamente na escolha de cerca de 30 filmes que se enquadrem nos nossos dois eixos de orientação: mulheres e Mediterrâneo. É preciso garantir que os filmes que conseguimos trazer ao festival têm qualidade e que na programação final existe um equilíbrio entre os diferentes países e as temáticas abordadas.

OLHARES Les Messagers1

Para além das competições de longas e curtas-metragens, realizam-se eventos paralelos como as oficinas e a programação para as escolas. Qual a importância destes eventos e quais os destaques deste ano?
Apesar de, desde a primeira edição, ser um festival de cinema, defendemos que é importante mostrar também outros aspectos da criatividade “mediterrânica”. Desde o início, quisemos trazer um “colorido sensorial” que impregnasse o todo do festival e que preenchesse os momentos entre sessões. Quisemos com isto criar um ambiente genérico de festa, por contraste com a mera ida a um festival de cinema. Como tem funcionado muito bem, temos apostado numa diversidade de actividades. Este ano, para além dos momentos musicais e de alguns workshops, nomeadamente de culinária e cinema, temos uma exposição de fotografia que resulta do desafio que fizemos a 5 mulheres refugiadas, que vivem em Lisboa, para fotografar o seu quotidiano. Teremos assim um olhar fotográfico que se junta ao olhar cinematográfico.

Para além disso, teremos sessões gratuitas para escolas - 1º ciclo e secundário - integradas no Plano Nacional de Cinema. Estas sessões permitem, simultaneamente, captar os jovens para o prazer de ver diferentes formas de fazer cinema e chamar a sua atenção para questões sociais importantes do mundo em que vivemos.

Quais os principais pontos de interesse no Olhares do Mediterrâneo deste ano? Convide os leitores da Revista Metropolis a conhecer o festival ...Não podendo destacar nenhum filme em particular, uma vez que todos os filmes concorrem para prémios atribuídos pelo Júri e Público, não queremos deixar de chamar a atenção para a secção temática, as Travessias. Alguns filmes serão seguidos de debates com convidados e algumas realizadoras e/ou elementos da equipa criativa, sendo que estes serão certamente momentos de grande interesse.

Convidamos, ainda, o público a participar nas actividades paralelas, algumas das quais destinadas a famílias, e a conhecer as muitas realizadoras presentes, algo que acreditamos ser uma mais-valia extraordinária para os filmes e para o público em geral.

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