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Actualizado às 12:33 AM, Nov 18, 2019

Ricardo Darín

Encarado como uma espécie de Marcello Mastroianni da América Latina, capaz de aliar prestígio popular, reconhecimento da crítica e a fama de símbolo sexual como nenhum outro ator de seu continente, o argentino Ricardo Darín completará 60 anos em janeiro com um título de peso, em seu já premiado currículo. A fim de ganhar de vez as telas da Europa e consolidar em definitivo seu namoro com as plateias sul-americanas, ele protagoniza «Cordilheira», de Santiago Mitre. O diretor de «Paulina» colocou a Semana da Crítica do Festival de Cannes no bolso, em 2015 e, agora, conta com o carisma do astro de «O Segredo de Seus Olhos» (Oscar de filme estrangeiro em 2010) para conseguir um lugar cativo no panteão dos diretores autorais da atualidade. E essa parceria, antes testada em filmes escritos por Mitre e dirigidos por Pablo Trapero, como «Elefante Branco» (2012) e «Abutres» (2010), chega num momento de máxima projeção global para Darín.

No fim de julho, no Uruguai, ele foi coroado com o troféu Platino, láurea simbólica da potência estética do cinema ibérico e latino-americano, sem divisas. “Por volta de 1993, eu participei numa longa-metragem do diretor Alberto Lecchi, chamada «Perdido por Perdido», que serviu como uma escola de cinema para mim, pelo que vi em seus bastidores”, conta Darín, que incendiou a bilheteria espanhola em 2015 à frente de «Truman», de Cesc Gay. “Eu comecei no cinema aos 10 anos, sem ter a menor noção do que estava fazendo. E nem sei dizer se adquiri alguma noção, mas dei sorte de ter encontrado, ao longo do caminho, pessoas que foram compartilhando comigo lições técnicas. Lecchi foi uma delas. Ele me levou para trás das câmaras e me fez ver como os demais atores se comportavam antes de entrarem em cena, lidando com a fadiga de um dia pesado de gravações. Ele me fez ver que reparar no que está ao nosso redor em um set, ficando sempre atento e disposto, é um jeito de afiar a atuação e o olhar”.

Há um filme inédito de Darín para desbravar territórios latinos: o thriller «Koblic», no qual ele encara o papel de um piloto de avião que se opõe à ditadura de seu país nos anos 1970. Sucesso em seu país, o filme ajudou a sedimentar sua reputação de ator blockbuster, sobretudo junto a faixas mais maduras do público. Foi esse público que votou nele na disputa pelo prêmio de melhor pelo júri popular dos Platino, uma espécie de Oscar das Américas, da Espanha e também de Portugal. Ele foi eleito melhor ator por «Truman». Mas sua passagem pelo Centro de Convenções de Punta Del Este tinha como alvo central um troféu especial em tributo à sua trajetória de êxitos, entre os quais se destaca «Relatos Selvagens», indicado à Palma de Ouro em 2014. “Eu venho aprendendo a cada novo trabalho que o cinema nos ajuda a viver melhor e que não se deve interferir na opinião do público sobre um filme, pois o espectador deve entrar livre de qualquer influência na sala, impulsionado por sua curiosidade e por seu desejo”, diz Darín, elogiando o valor simbólico dos Platino. “Prémios como este celebram a união entre os países como sendo um gesto multinacional de afeto e de confraternização. Somos todos companheiros de caminho”. Estrela de campeões de venda de ingressos, como «Um Conto Chinês» (2011), Darín vai entrevista Ricardo Darín relatos selvagens viver um presidente na trama de «Cordilheira», numa trama sobre um conclave entre líderes políticos numa cúpula armada nos Andes. “Tenho feito filmes que alternam humor e dor, ressaltando a condição humana, entre fraquezas e potências”, diz o ator. “Quando avaliamos a competição de espaço em circuito com Hollywood, seria estratégico perguntarmos o que conta mais para os nossos olhos: superproduções cheias de efeitos especiais ou histórias de carne e osso?”.

RODRIGO FONSECA - CRÍTICO DE CINEMA E ROTEIRISTA DA TV GLOBO

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