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Actualizado às 11:43 AM, Jul 21, 2019

Star Wars - A Música

George Lucas e John Williams George Lucas e John Williams

A música que John Williams criou para «A Guerra das Estrelas» em 1977 ajudou a definir novos paradigmas na história da música para cinema. 38 anos depois ele está de novo a bordo desta aventura, assinando a sua sétima banda sonora para este mesmo universo. Pelo seu legado há versões e variações, entre elas aquelas que nos lembram que descobrimos Luke Skywalker no mesmo ano da «Febre de Sábado à Noite».

Ao lermos a frase “a long time ago in a galaxy far far away...” sabemos que, mal termine o silêncio, entra em cena uma fanfarra orquestral que se transformou numa das peças mais reconhecíveis da história da música criada para o cinema. Esta era, em 1977, uma entre as várias composições que o já experiente John Williams criava para dar corpo a uma visão de space opera na qual o classicismo da música sublinhava o tom igualmente carregado de heranças narrativas antigas (celebrando mais uma forma de retratar a eterna luta entre o bem e o mal), num evidente contraste com o carácter hi tech não apenas dos cenários mas igualmente de todo um labor que então inventava soluções na linha da frente da criação de efeitos ao serviço do cinema. De resto a música de John Williams foi talvez a mais clássica das expressões artísticas reconhecidas entre os seus Óscares que «A Guerra das Estrelas» arrebatou em 1977, distinção que representou a terceira estatueta dourada que o compositor conquistava, dois anos depois de Tubarão e seis após «Um Violino no Telhado».

John Williams foi até hoje um dos poucos a contribuir artisticamente para todos os filmes da saga Star Wars, e em O Despertar da Força assina precisamente a sua sétima banda sonora ao serviço deste universo criado por George Lucas em 1977. Sabe-se já que o próximo filme, «Rogue One», que corresponde ao primeiro da série “anthology” que correrá em paralelo à sequência central, contará com música de Alexandre Desplat. Em 2008 o filme de animação menor «Star Wars: Clone Wars» teve já banda sonora assinada por Kevin Kiner.

A partitura orquestral que John Williams criou para «A Guerra das Estrelas» em 1977 colhia por um lado heranças do sinfonismo dos grandes compositores românticos e recorria ainda à exploração do leitmotif, solução muito usada por Wagner nas suas óperas e que, aqui, permitia, pela música, sublinhar a presença e até mesmo a caracterização de personagens. Basta lembrar o tema romântico associado à Princesa Leia ou a Marcha Imperial – o tema de Darth Vader, que surge em «O Império Contra-Ataca» e que depois se afirma como uma das mais célebres composições de toda a saga – para reconhecermos a própria importância narrativa que a música adquire. Além destas referências colhidas sobretudo na música do final do século XIX, a música que John Williams apresenta em «A Guerra das Estrelas» recuperava também um fulgor orquestral que Hollywood conhecera nos dias de Korngold, Steiner e outros grandes compositores do seu tempo. O impacte tremendo da música, quer no filme quer nas vendas da banda sonora então editada num duplo LP ajudou a definir o regresso ao cinema de uma nova era sinfónica, com repercussões evidentes ainda hoje na música criada para o grande ecrã.

Se bem que nas bandas sonoras Star Wars mais tardias veríamos John Williams a afastar-se um pouco mais dos motivos de herança romântica da música dos primeiros filmes, entre 1977 e 1983 há logo no argumento desafios maiores colocados ao compositor, quer na cena mítica do bar em Mos Eilsey onde vemos uma atuação da (hoje mítica) Cantina Band quer, em «O Regresso de Jedi», no qual temos não só um número musical no palácio de Jabba The Hutt (na versão original ouvia-se a pop angulosa da canção Lapti Nek, tema que seria preterido na versão “retocada”) como uma canção de celebração entre os ewoks no final do filme (também trocada mais tarde).

É curioso acompanhar em paralelo o percurso de John Williams em Star Wars e nos demais trabalhos que foi assinando na mesma época de cada filme da saga. Em 1977, o ano de «A Guerra das Estrelas», apresenta também música para um outro filme de ficção científica. Trata-se de «Encontros Imediatos de Terceiro Grau», de Steven Spielberg, para cuja banda sonora opta por soluções mais próximas de heranças de escolas do século XX, sem esquecer o determinante conjunto de notas que assegura a comunicação primordial com os alienígenas que nos visitam. Em 1978, em «O Super Homem» e em 1981 em «Os Salteadores da Arca Perdida» (que cria com «O Império Contra Ataca», de 1980, pelo meio) vemo-lo a assinar outras duas fanfarras claramente marcadas pela mesma visão que o levara à que identifica o universo Star Wars. Em 1983 «O Regresso de Jedi» encerra a trilogia original, um ano depois de John Williams arrebatar o seu quarto Oscar pela partitura de «E.T. O Extra-Terrestre».

O reencontro com o universo Star Wars acontece em 1999 com «Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma», filme no qual John Williams retoma uma série de linhas já exploradas na trilogia original, acrescentando de verdadeiramente significativo a peça coral Duel of The Fates. Este regresso acontece pouco depois de nova parceria com Spielberg, desta vez em «O Resgate do Soldado Ryan». O segundo título da segunda trilogia, «Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones», surge no mesmo ano do «Relatório Minoritário» e da sua segunda colaboração no universo de Harry Potter em «Harry Potter e a Câmara dos Segredos». «Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith», que fechava esta segunda trilogia, chega no mesmo ano (2005) de duas colaborações com Spielberg em «A Guerra dos Mundos» e «Munique» e ainda num trabalho com Rob Marshall em «Memórias de uma Gueixa».


Em 2015 este filme de J.J. Abrams representa a sua única experiência a chegar às salas de cinema, estreando o Episódio VII de Star Wars a poucas semanas de «A Ponte de Espiões», de Spielberg, filme para o qual, por motivos de saúde entretanto resolvidos, John Williams cedeu o lugar a Thomas Newmann.

Modificado emquarta, 03 fevereiro 2016 23:17
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