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Actualizado às 2:55 PM, Oct 22, 2019

The Evil Within

Em «The Evil Within», a atmosfera é imersiva e sufocante: os interiores estão a meia-luz, sente-se a humidade e a sujidade, e passados alguns momentos temos medo da nossa própria sombra. Bem-vindos ao reino de terror em estado puro: o mestre japonês Shinji Mikami, o criador da série Resident Evil, lança o pânico nas almas mais incautas com um compêndio de medo e sobrevivência em condições de horror visual e psicológico. O seu estúdio, a Tango Games, partilha os créditos de um diabólico exercício de entretenimento ao longo de 15 capítulos infernais.


Encarnarmos um detective, Sebastian Castellanos (voz de Anson Mount), chamado a um hospital psiquiátrico devido a um misterioso ataque e somos auxiliados por Juli Kidman (Jennifer Carpenter de «Dexter»). Ao chegarmos ao local o massacre é evidente e o detective é emboscado quando está a visionar uma gravação de segurança onde surge uma estranha entidade (Jackie Earle Haley) e quando acorda está de pernas para o ar num matadouro nas catacumbas do hospital onde um psicopata do tamanho de um armário a la «Massacre no Texas» esquarteja os corpos e nos persegue com uma moto-serra quando tentamos escapar do cenário macabro.

Esta é a porta de entrada para um jogo que é impróprio para cardíacos. O design e a inspiração têm claras influências dos clássicos do género: dos cenários às criaturas grotescas, todo o objecto é uma declaração de amor ao universo de terror ficcional, especialmente o horror japonês.

A narrativa é complexa e envolve o controlo de mentes e espaços que rodeiam os nossos personagens. Não vale a pena perder tempo em pormenores dramáticos, para não dizer incipientes, pois o melhor mesmo é abraçar a experiência. Nos ambientes confinados do jogo a melhor acção é fugir e esconder uma vez que a sobrevivência está acima de tudo. Quando temos a última bala no cano e os recursos bélicos são limitados, ser furtivo é a única salvação. É claro que encontramos revólveres, caçadeiras, facas, granadas e até uma besta com poderes especiais, mas as munições não abundam e rapidamente percebemos que a inteligência e a paciência são a melhor arma. A A.I. dos nossos adversários é bastante respeitável num jogo onde tudo é imprevisível e o conjunto faz de «The Evil Within» um tratado do género «survival horror».

Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº 26

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