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Actualizado às 11:18 PM, Aug 21, 2019

Metal Gear Solid V: The Panthom Pain

O visionário e actual criador de Metal Gear Solid (MGS), Hideo Kojima, volta a fazer história nos videojogos. Metal Gear Solid V: The Panthom Pain (MGS V) é o último tomo da saga MGS, e chega com algum atraso às consolas mas vale cada segundo de gameplay. Quando foi lançada, a Sony Playstation 4 MGS V era considerada um dos grandes trunfos da nova geração de consolas e após jogarmos apenas alguns minutos ficamos com a certeza que esta obra é um título incontornável. Como o subtítulo indica, este é um jogo de tácticas de espionagem de guerra desenrolado em tempo real onde os ciclos entre o dia e a noite e as próprias condições atmosféricas influem a nossa linha de acção.

A série foi lançada no longínquo ano de 1988, foi evoluindo tecnologicamente mas a premissa base da saga foi-se mantendo, seguindo dois personagens chave: Punished “Venon” Snake e Solid Snake, respectivamente. Um pai e o filho em duas diferentes eras. MGS V é um thriller de acção absolutamente operático, onde as cut scenes [os interlúdios] tem gráficos muito próximos da acção real e onde a narrativa vai evoluindo através destas imagens mas também de gravações áudio que nos relatam todos os pormenores da história. É neste aspecto que MGS V se distingue de outros jogos, existe um cuidado no esplendor gráfico como também um investimento na história, um elemento envolvente que recruta o jogador para este vertiginoso mundo de fantasia.

A acção desenrola-se em 1984, o jogador interpreta o mercenário Punished “Venom” Snake, também apelidado de Big Boss (voz de Kiefer Sutherland), considerado o maior guerreiro do século XX. Após o prólogo Metal Gear Solid V: Ground Zeroes (MGS V - GZ), encontramos Big Boss ferido, acordamos de um coma prolongado de nove anos numa enfermaria de um hospital em Malta. Falta-lhe um braço e está desfigurado com um pedaço de metal a sair da testa que lhe confere um ar demoníaco. O despertar é violento e assinalado por um ataque ao hospital que visa eliminá-lo. Após algumas peripécias, que envolvem dois seres sobrenaturais e uma unidade de assassinos de elite, Big Boss é resgatado por “Revolver” Ocelot (Robin Atkin Downes), um antigo companheiro de armas. Somos encaminhados para o Afeganistão (país em guerra entre os soviéticos e os mujahideen) para salvar o terceiro elemento da nossa antiga unidade de mercenários (destroçada e desmobilizada) que está cativo dos soviéticos. Mais tarde, o palco de guerra muda-se para a guerra civil angolana na fronteira entre Angola e o antigo Zaire.

A primeira missão no Afeganistão serve para desenferrujar. Todo o jogo se desenrola em mapa aberto [open world], os criadores afirmam que o universo de MGS V é 200 vezes maior do que a prequela MGS V - GZ. Após o resgate de Kazuhira Miller (voz de Troy Baker), descobrimos a nova base de operações, uma plataforma marítima nas Seicheles, o desejo de vingança sobre o nome de Diamond Dogs leva Big Boss a ir para o terreno. No Afeganistão, o jogador completa missões arrecadando dinheiro ao completar os objectivos principais e paralelos como também rapina materiais preciosos, diamantes, plantas que são transformadas em tranquilizantes e até resgata animais protegidos para ONG´s. O “recrutamento” de elementos para o seu exército de mercenários – que é como quem diz colocar os inimigos a dormir e enviá-los de volta para a Base Mãe –, é efectuada num “Fulton surface-to-air recovery system” [balão de resgate]. O mesmo sistema é aplicado a contentores de armamento e recursos naturais, armas e veículos. A partir do terreno podemos construir a base de operações e gerir os recrutas alocando-os às diversas áreas de intervenção como, por exemplo, a pesquisa, apoio médico e auxílio no terreno. A evolução da base vai criar armas mais letais e gadgets mais furtivos e mesmo veículos mecânicos para substituir o nosso meio de transporte.

O Big Boss tem a escolha de ter fiéis companheiros no solo, inicialmente o D-Horse, um cavalo que serve de precioso transporte, mais tarde, podemos ter o D-Dog (óptimo na deteção de guardas) e Quiet, uma misteriosa sniper. O jogador é sempre transportado da Base Mãe para o terreno de guerra de helicóptero, que pode ser apetrechado ao longo do jogo (o mesmo se passa com o nosso cavalo). No decurso das missões podemos, através do sistema i-droid, pesquisar mapas e objectivos, pedir informações via rádio e requerer armas e gadgets à Base Mãe.

Os gadgets são enviados de paraquedas para um local a designar no terreno e podemos fazer aterrar as encomendas em cima de guardas (!). No meio de tanta acção e tensão, o humor de Hideo Kojima e companhia é bem-vindo e vai do bizarro até ao útil – como a opção de colocar o cavalo a defecar na estrada o que provoca o despiste dos veículos. Nos gadgets podemos encontrar algumas peças curiosas: um e-cigarro, que faz passar o tempo (dá jeito quando é demasiado perigoso efectuar uma missão à luz do dia e desejamos que seja noite cerrada); os balões de resgate Fulton; os binóculos que permitem bater o terreno e identificar adversários e pontos de entrada nas bases; e as caixas de cartão que permitem que andemos camuflados pelo terreno.

A forma como abordamos a acção fica ao critério de cada jogador, da sua moralidade e capacidade de execução, mas o sistema faz-nos pagar bem caro quando decidimos ser uma variação do Rambo, quanto mais furtivos, maior será a capacidade de sucesso, o objectivo é a total discrição. Sempre que surpreendemos um inimigo o jogo entra em modo super slow motion o que permite que o jogador adopte a melhor abordagem, seja disparar, fugir ou neutralizar. O ciclo diurno e nocturno influencia na quantidade de guardas que estão de serviço e inúmeros caminhos alternativos podem mostrar diferentes abordagens para atingir os nossos objectivos. Ao repetirmos as missões, os guardas também mudam de configuração no modo como estão posicionados no terreno.

O jogo atribui pontos/dinheiro se não formos detectados ou se interrogarmos os inimigos. O sistema é bastante evoluído e adapta-se à forma de jogo de cada jogador. Por exemplo, se dispararmos muitas balas tranquilizantes à cabeça dos inimigos eles passam a usar um capacete (!). Os níveis podem ser jogados incontáveis vezes pois o sistema vai mudando sempre de configuração trazendo um novo quebra-cabeças ao jogador.

MGS V é um vício que tal como os e-cigarros fazem desaparecer o tempo à nossa volta quando nos perdermos nas missões e sub-missões do jogo, a par de The Last of Us, Gran Theft Auto V, Metal Gear Solid V: The Phantom Pain é um jogo essencial da curta história da Sony Playstation 4.

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