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Actualizado às 12:33 AM, Nov 18, 2019

Star Wars - Episódio VIII - Início da rodagem

Benicio Del Toro, Laura Dern e a estreante Kelly Marie Tran («XOXO» da Netflix) juntaram-se ao elenco de «Star Wars: Episódio VIII» que iniciou esta segunda-feira a rodagem em Londres. O filme foi escrito e será realizado por Rian Johnson («Looper» e «Brick»)

Também foram confirmados os regressos de Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Lupita Nyong’o, Domhnall Gleeson, Anthony Daniels, Gwendoline Christie e Andy Serkis para a sequela de “O Despertar da Força”.

O filme será produzido por Kathleen Kennedy e Ram Bergman e conta com a produção executiva de J.J. Abrams, Jason McGatlin e Tom Karnowski.

«Star Wars - Episódio VIII» tem a data de lançamento para 15 de Dezembro de 2017. 

 

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George Lucas - perfil

Loucos foram os anos 1970, época do nascimento de Star Wars como franquia e da consolidação do prestígio de George Lucas como artesão da imagem. Mas a loucura daquela década reverberou não só no Espaço, onde vive Darth Vader, mas também no Tempo. É comum entre os cineastas americanos que estabeleceram reputação autoral entre 1967 e 1980 – os anos do cinemanovismo nos EUA – haver uma rejeição ao conteúdo jornalístico do livro “Easy Riders & Raging Bulls – How the sex, drugs and rock & roll generation changed Hollywood”, de Peter Biskind, considerado uma espécie de Bíblia daquele período. O repúdio se deve ao fato de Biskind ter retratado os cineastas que fizeram a renovação narrativa da produção cinematográfica dos Estados Unidos como adictos de cocaína e narcóticos afins, cuja relação com as drogas escancarava as portas para a percepção de um reformismo político e comportamental urgente para aquela nação. Scorsese, Coppola, Paul Schrader, Jack Nicholson – todos estes eram vorazes adeptos do LSD e passatempos químicos afins. Com alguns ele pegou leve, tipo Hal Ashby, realizador do seminal «Ensina-me a viver» (1971), pois este, mais velho que seus contemporâneos, era mais chegado num fuminho (maconha) do que em cafungar o pó importando das papoulas asiáticas. Já com George Walton Lucas Jr. o tratamento dado por Biskind foi ainda mais doce: dele só se destacava em alto relevo seu comportamento obsessivo na busca por uma nova representação do conceito de heroísmo e na cruzada por novas formas de expressão tecnológica. Talvez por isso, em seu jeito resmungão, de poucas palavras fora as necessárias a entrevistas indispensáveis, Lucas nunca tenha destilado fel contra uma literatura de algibeira.

Em seus 50 anos de cinema, Lucas dirigiu apenas 18 títulos, a partir de «Look at Life» (1965), dos quais 11 são curtas. Sua contribuição (aparente) é mais a de um homem de negócios, criador de um parque de diversões de infinitas possibilidades dramatúrgicas chamado Star Wars e a de um desenvolvedor de um parque geek de parafernálias a serviço da geração de efeitos visuais. Até vender o passe de Luke Skywalker e toda a família Jedi à Disney, ele era um artista gestor, responsável pela administração de um império tão grande quanto aquele do qual Lorde Vader era um burgo-mestre. Mas há mais dos que um engravatado por trás do nerd de óculos que, há quase 40 anos, fez da independência uma flâmula ao fazer, nos seus próprios moldes, uma trilogia em ode a cânones do sci-fi dos seriados cinematográficos da década de 1930 («Flash Gordon») e das HQs («Buck Rogers»). Há dentro dele um devir poético que ardeu em fervura máxima na hora de unir a Philip Kaufman na confecção do argumento de «Os Salteadores da Arca Perdida» (1981) concebendo um herói de parâmetro inimitável: Indiana Jones.

O argumentista audaz que ele um dia foi se reflete também em «Caravana da Coragem» (1984) e «Willow – Na Terra da Magia» (1988). Foram filmes de peso à sua época, com peso na renovação da fantasia como gênero. O mesmo se deve a seu trabalho como produtor consultor na adaptação das HQs da Marvel de «Howard, The Duck», com o super-herói ovíparo ás do Quack-Fu.

Devoto à máquina empresarial de derivados em forma de brinquedos, BDs, roupas e quinquilharias afins de seus Cavaleiros da Força, Lucas deixou sua porção cineasta se perder em soluções óbvias de fabulação com moral, como se viu na trilogia I, II e III de sua «Guerra nas Estrelas», lançada de 1999 a 2005. Porém, quem olha em retrospecto e vê «THX 1138» (1971), enxerga ali uma estética em completa afinação com o projeto cinemanovista made in USA, usando a ficção científica como metáfora para pensar a solidão existencial de um povo. Ali foi sua apoteose como cineasta, estendida a mais um delicioso trabalho de direção: «American Graffiti» (1973), no qual ele fez rir ao fazer uma crônica dos hormônios à flor da pele de adolescentes que sentiram o que ele sentiu quando mais novo. A Força soterrou aquele grande diretor que Lucas um dia foi, mas suas contribuições industriais são tantas que é impossível ele se render ao Lado Negro da mediocridade.

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Kathleen Kennedy - perfil

Lembra-se de sucessos como «Regresso ao Futuro» (1985), «Império do Sol» (1987), «Parque Jurássico» (1993), «A Lista de Schindler» (1993) e «A.I. Inteligência Artificial» (2001)? Pois bem, todos eles têm um nome em comum: a produtora Kathleen Kennedy, braço direito de Steven Spielberg durante muitos anos. Aliás, em 1981, os dois fundaram a Amblin Entertainment, juntamente com Frank Marshall. Mas não é só. Do seu longo currículo, fazem ainda parte 8 nomeações para os Óscares na categoria de Melhor Filme, graças a obras como «E.T. - O Extra-Terrestre» (1982), «Nascido Para Ganhar» (2003), «O Estranho Caso de Benjamin Button» (2005) e «Lincoln» (2012).

Desde outubro de 2012, Kennedy assumiu outro cargo, que alavancou a sua importância na indústria cinematográfica, passando a ser a líder da Lucasfilm, após a empresa ser adquirida pela Walt Disney Company por 4 mil milhões de dólares. E, agora, o desafio é gigantesco. Falamos, claro, de «Star Wars: O Despertar da Força», o filme que reaviva uma das sagas cinematográficas mais bem-sucedidas de sempre, além de ser o primeiro que não conta com a colaboração de George Lucas.

Uma das preocupações inerentes desta nova fase Star Wars é garantir a coerência e ligação entre os diferentes filmes, para que todas as histórias estejam interligadas. Kathleen Kennedy, J.J. Abrams e Kasdan são alguns dos elementos fundamentais da equipa responsável por esta empreitada. Além disso, «Star Wars: O Despertar da
Força» necessitava representar algo indispensável: precisava ser um filme Star Wars e estar em consonância com a história da saga até aqui. “Quer fosse um adereço, uma parte do cenário, uma escolha de cor... havia conversas constantes – não, não, não, aquilo não parece Star Wars. Penso que era algo que instintivamente guiava o George [Lucas]. Poderia dizer, em tom de brincadeira, que foi a Força”, diz Kennedy. Tanto Abrams como Gareth Edwards, o realizador de «Rogue One: A Star Wars Story», já confessaram que se sentiram algo intimidados com os primeiros dias nos cenários de Star Wars. Para tal, muito contribuiu ver vários Stormtroopers ou Harrison Ford com as roupas de Han Solo. Kennedy voltou a abordar a importância da autenticidade e da relação entre autor e obra, referindo-se a Lucas e Steven Spielberg: “Cada frame surge de algo que é genuinamente importante para eles. A autenticidade de cada um está sempre no ecrã. E quer funcione ou não, não é nisso que eles estão a pensar. Eles são verdadeiros artistas na procura de uma forma de comunicar o que eles sentem sobre as coisas”.

Para fazer um novo filme Star Wars sem George Lucas seria essencial “torná-lo pessoal”, considera Kennedy. “Penso que os grandes filmes de sempre não teriam sido feitos a não ser que houvesse algum aspecto a acontecer entre o criador e a história a ser contada. Apenas se pode tornar emocional para o público se houver algum tipo de paixão pessoal”. Por isso, é este o conselho que Kennedy dá aos novos realizadores dos filmes da saga: “Não te preocupes demasiado, és um fã obstinado, respeitas o George Lucas e tudo o que ele criou nos filmes Star Wars”. “Muitas pessoas que chegam a esta saga sabem 10 vezes mais sobre ela do que eu e isso é fantástico, porque há um fascínio para com aquilo que o George criou a partir de um ponto de vista mitológico. Não se trata apenas de uma saga de sucesso – significa algo para as pessoas a um nível muito profundo”, considera Kennedy. A produtora exalta a ligação de Lucas com a saga, referindo a primeiríssima toma da saga, «Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança» (1977): “O filme custou 8 milhões de dólares. Certamente, ele não estava a pensar num blockbuster. Era profundamente pessoal para ele. Ele estava à procura de significado”.

No verão de 2012, Kennedy reuniu-se com Lucas para tentar apreender da forma mais fidedigna a magia da primeira trilogia. Sobre a primeira conversa, Kennedy conta que “a primeira pergunta que fiz ao George não tinha algo que ver com negócios. A primeira ou primeiras questões foram muito mais pessoais. Nunca tinha perguntado ao George de onde é que tudo isto veio e estava a tentar perceber onde é que ele estava na vida quando lhe surgiu esta ideia”. “Tive muitas conversas interessantes com o George mais relativas sobre como isto evoluiu para ele. A certa altura, disse ‘Bem, algo disto está escrito? Posso encontrá-lo?’ e ele respondeu ‘Não, está tudo na minha cabeça’”. “Falo com o George constantemente. O George tem passado pelo seu próprio processo pessoal de tentar encontrar a sua forma de deixar ir algo que teve muito que ver com toda a sua vida adulta. É realmente impossível para ele estar apenas envolvido um bocadinho. Ele sente que ou está envolvido a 100% e controla tudo ou então é melhor não participar de todo. Ele teve de tomar a decisão por ele próprio de se afastar”. De qualquer forma, Kennedy conta que foi Lucas quem inicialmente abordou Harrison Ford, Mark Hamill e Carrie Fisher para este novo filme. “Tem sido difícil ver isto a continuar sem o seu envolvimento directo, mas, ao mesmo tempo, penso que ele queria mesmo afastar-se sabendo que isto estava em boas mãos. Foi assim que ele sempre quis vender [a empresa] para a Disney. Não houve discussão sobre isso”, assinala.
Como George Lucas estava fora do pário para realizar a nova obra, um dos grandes desafios de Kennedy foi encontrar o seu substituto. Alguns realizadores recusaram a tarefa sobretudo devido ao grande risco envolvido ao realizar um filme Star Wars, um verdadeiro fenómeno com milhões de fãs em todo o mundo, e também porque alguns cineastas receavam perder a sua liberdade criativa. O escolhido viria a ser J.J. Abrams, que Kennedy já conhece há quase 30 anos, como a própria conta: “Estava a trabalhar com o Steven e recebi uma chamada no telemóvel. Era um homem que vivia numa casa em Lookout Mountain [Arizona, EUA]. Ele tinha estado na cave e encontrou uma caixa coberta de pó. Ele disse-me ‘São filmes caseiros e penso que pertencem ao Steven Spielberg’. Infelizmente, o meu primeiro pensamento cínico foi que seria simplesmente alguém a tentar arranjar dinheiro. Por isso, não iria parecer demasiado entusiasmada com aquilo. Simplesmente disse ‘Bem, fantástico. Estamos na Universal. Se não importa, pode talvez passar por cá e deixar a caixa e depois nós vamos ver se pertencem, de facto, ao Steven’. Desliguei o telefone e a primeira coisa que digo ao Steven é ‘Alguma vez viveste em Lookout Mountain?’ e ele respondeu que sim. Fiquei a pensar ‘Ok, este homem não está a inventar’. Depois disse ao Steven ‘Bem, alguém acha que encontrou os teus filmes caseiros’ e ele ‘Oh, meu Deus, estás a brincar!’. Ele julgava que todos os filmes Super 8 que tinha feito quando tinha 15, 16 anos estariam perdidos”. No mesmo dia em que o tal homem entregou a caixa, Kennedy recebeu uma chamada do L.A. Times sobre dois jovens que tinham vencido um prémio cinematográfico. Foi nessa altura que Kennedy sugeriu a Spielberg que os contratassem para limpar os filmes e transferi-los para cassete, de forma a que os filmes nunca mais desaparecessem. Esses dois jovens eram nada mais, nada menos do que J.J. Abrams e Matt Reves (realizador de «Planeta dos Macacos: A Revolta»). “Eles tinham 15, 16 anos e fizeram exatamente aquilo, limparam os filmes Super 8 e ficámos grandes amigos desde essa altura. Os nossos filhos foram para a mesma escola primária. Seguimos a carreira do J.J., por isso, quando ele se comprometeu com Star Wars, foi uma coincidência fantástica do destino”. Ainda como curiosidade, parece que aquela tarefa inspirou J.J. Abrams, que viria a escrever e realizar «Super 8» (2011), no qual Steven Spielberg foi, justamente, um dos produtores.

Além de Abrams, foi composta uma equipa de elite, composta por Michael Arndt (argumentista de «Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos»), Simon Kinberg (produtor dos filmes X-Men), o oscarizado Rick Carter (responsável pelo design da produção de «Avatar» e «Lincoln») e ainda o argumentista Lawrence Kasdan, que co-escreveu «O Império Contra-Ataca» (1980) e «O Regresso de Jedi» (1983). Kasdan recusou a proposta de Lucas para trabalhar na trilogia de prequelas mas acabaria por ser convencido para «Star Wars: O Despertar da Força» por causa de um novo projeto: escrever um filme em que o protagonista será um jovem Han Solo e que deverá ser lançado em 2018. Este é apenas um dos vários filmes planeados nesta nova fase da saga.

Logo após Kennedy ter assumido a liderança da Lucasfilm, John Knoll passou a também fazer parte da equipa. Knoll é um dos criadores do Photoshop e assume o cargo de Diretor do Departamento Criativo da Lucasfilm, tendo no currículo a colaboração nos efeitos visuais de filmes como «Star Trek: Gerações» (1994), «Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith» (2005), «Avatar» (2009) e «Tomorrowland – Terra do Amanhã» (2015). Em 2012, Knoll e Kennedy teriam uma conversa que levaria à produção de um novo filme Star Wars, como conta Knoll: “Simplesmente tive esta simples ideia sobre as forças rebeldes, referidas na abertura de «Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança» (1977), que roubam os planos para a Estrela da Morte”. E assim nasceu a história do argumento de «Rogue One: A Star Wars Story», um spin-off de Star Wars, que será lançado a dezembro de 2016 e que terá realização de Gareth Edwards.

Sendo uma das executivas mais importantes da indústria cinematográfica mundial das últimas décadas, Kennedy não deixa de salientar a importância do sexo feminino: “Ter um equilíbrio entre homens e mulheres na sala muda a história”. Tal reflecte-se na escolha da equipa para os novos filmes, composta por um vasto leque de mulheres. Além disso, «Star Wars: O Despertar da Força» apresenta uma protagonista feminina, Rey (Daisy Ridley), e Captain Phasma (Gwendoline Christie), a primeira grande vilã feminina da saga. Kennedy revelou ainda que gostaria que fosse uma mulher a assumir a realização de um dos próximos filmes Star Wars. Recentemente, até já surgiu um nome possível: Ava DuVernay, realizadora de «Selma: A Marcha da Liberdade» (2014). São muitos os novos projetos de Kennedy e, tendo em conta toda a sua carreira, é caso para dizer: a Força está mais forte do que nunca.

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Star Wars - A Música

A música que John Williams criou para «A Guerra das Estrelas» em 1977 ajudou a definir novos paradigmas na história da música para cinema. 38 anos depois ele está de novo a bordo desta aventura, assinando a sua sétima banda sonora para este mesmo universo. Pelo seu legado há versões e variações, entre elas aquelas que nos lembram que descobrimos Luke Skywalker no mesmo ano da «Febre de Sábado à Noite».

Ao lermos a frase “a long time ago in a galaxy far far away...” sabemos que, mal termine o silêncio, entra em cena uma fanfarra orquestral que se transformou numa das peças mais reconhecíveis da história da música criada para o cinema. Esta era, em 1977, uma entre as várias composições que o já experiente John Williams criava para dar corpo a uma visão de space opera na qual o classicismo da música sublinhava o tom igualmente carregado de heranças narrativas antigas (celebrando mais uma forma de retratar a eterna luta entre o bem e o mal), num evidente contraste com o carácter hi tech não apenas dos cenários mas igualmente de todo um labor que então inventava soluções na linha da frente da criação de efeitos ao serviço do cinema. De resto a música de John Williams foi talvez a mais clássica das expressões artísticas reconhecidas entre os seus Óscares que «A Guerra das Estrelas» arrebatou em 1977, distinção que representou a terceira estatueta dourada que o compositor conquistava, dois anos depois de Tubarão e seis após «Um Violino no Telhado».

John Williams foi até hoje um dos poucos a contribuir artisticamente para todos os filmes da saga Star Wars, e em O Despertar da Força assina precisamente a sua sétima banda sonora ao serviço deste universo criado por George Lucas em 1977. Sabe-se já que o próximo filme, «Rogue One», que corresponde ao primeiro da série “anthology” que correrá em paralelo à sequência central, contará com música de Alexandre Desplat. Em 2008 o filme de animação menor «Star Wars: Clone Wars» teve já banda sonora assinada por Kevin Kiner.

A partitura orquestral que John Williams criou para «A Guerra das Estrelas» em 1977 colhia por um lado heranças do sinfonismo dos grandes compositores românticos e recorria ainda à exploração do leitmotif, solução muito usada por Wagner nas suas óperas e que, aqui, permitia, pela música, sublinhar a presença e até mesmo a caracterização de personagens. Basta lembrar o tema romântico associado à Princesa Leia ou a Marcha Imperial – o tema de Darth Vader, que surge em «O Império Contra-Ataca» e que depois se afirma como uma das mais célebres composições de toda a saga – para reconhecermos a própria importância narrativa que a música adquire. Além destas referências colhidas sobretudo na música do final do século XIX, a música que John Williams apresenta em «A Guerra das Estrelas» recuperava também um fulgor orquestral que Hollywood conhecera nos dias de Korngold, Steiner e outros grandes compositores do seu tempo. O impacte tremendo da música, quer no filme quer nas vendas da banda sonora então editada num duplo LP ajudou a definir o regresso ao cinema de uma nova era sinfónica, com repercussões evidentes ainda hoje na música criada para o grande ecrã.

Se bem que nas bandas sonoras Star Wars mais tardias veríamos John Williams a afastar-se um pouco mais dos motivos de herança romântica da música dos primeiros filmes, entre 1977 e 1983 há logo no argumento desafios maiores colocados ao compositor, quer na cena mítica do bar em Mos Eilsey onde vemos uma atuação da (hoje mítica) Cantina Band quer, em «O Regresso de Jedi», no qual temos não só um número musical no palácio de Jabba The Hutt (na versão original ouvia-se a pop angulosa da canção Lapti Nek, tema que seria preterido na versão “retocada”) como uma canção de celebração entre os ewoks no final do filme (também trocada mais tarde).

É curioso acompanhar em paralelo o percurso de John Williams em Star Wars e nos demais trabalhos que foi assinando na mesma época de cada filme da saga. Em 1977, o ano de «A Guerra das Estrelas», apresenta também música para um outro filme de ficção científica. Trata-se de «Encontros Imediatos de Terceiro Grau», de Steven Spielberg, para cuja banda sonora opta por soluções mais próximas de heranças de escolas do século XX, sem esquecer o determinante conjunto de notas que assegura a comunicação primordial com os alienígenas que nos visitam. Em 1978, em «O Super Homem» e em 1981 em «Os Salteadores da Arca Perdida» (que cria com «O Império Contra Ataca», de 1980, pelo meio) vemo-lo a assinar outras duas fanfarras claramente marcadas pela mesma visão que o levara à que identifica o universo Star Wars. Em 1983 «O Regresso de Jedi» encerra a trilogia original, um ano depois de John Williams arrebatar o seu quarto Oscar pela partitura de «E.T. O Extra-Terrestre».

O reencontro com o universo Star Wars acontece em 1999 com «Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma», filme no qual John Williams retoma uma série de linhas já exploradas na trilogia original, acrescentando de verdadeiramente significativo a peça coral Duel of The Fates. Este regresso acontece pouco depois de nova parceria com Spielberg, desta vez em «O Resgate do Soldado Ryan». O segundo título da segunda trilogia, «Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones», surge no mesmo ano do «Relatório Minoritário» e da sua segunda colaboração no universo de Harry Potter em «Harry Potter e a Câmara dos Segredos». «Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith», que fechava esta segunda trilogia, chega no mesmo ano (2005) de duas colaborações com Spielberg em «A Guerra dos Mundos» e «Munique» e ainda num trabalho com Rob Marshall em «Memórias de uma Gueixa».


Em 2015 este filme de J.J. Abrams representa a sua única experiência a chegar às salas de cinema, estreando o Episódio VII de Star Wars a poucas semanas de «A Ponte de Espiões», de Spielberg, filme para o qual, por motivos de saúde entretanto resolvidos, John Williams cedeu o lugar a Thomas Newmann.

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J.J. Abrams - perfil

Produtor, argumentista, realizador... e até ator. O perfil profissional de J. J. Abrams é muito diverso e surpreendente para quem tende a olhá-lo como o realizador de uma série de filmes populares. Não é assim, convém clarificar. Abrams tem 8 créditos como ator, é autor de 22 argumentos, assumiu a realização de 12 filmes e séries televisivas e desempenhou tarefas de produtor em 44 projetos. Este rico percurso foi influenciado pelos seus pais...

Abrams cresceu na indústria do entretenimento do sul da Califórnia, o pai foi um produtor associado a uma centena de séries televisivas e a mãe também optou pela produção depois de ter trabalhado no ramo imobiliário e ter cursado direito. Em criança Abrams recebeu uma câmara Super 8, uma prenda preciosa do avô, e rodou os seus próprios filmes. Foi de tal forma dedicado que levou os filmes realizados a meias com Matt Reeves, um amigo desde a infância e colaborador de longa data, a um festival de jovens talentos. O seu trabalho foi destacado num jornal e o artigo captou a atenção de Steven Spielberg que na altura procurava alguém para editar os filmes que tinha rodado em Super 8 quando era criança. Spielberg escolheu-os e esse momento marcou o início de uma relação que dura até hoje.

Abrams cedo desenvolveu as suas qualidades de argumentista e produtor executivo, atraindo talentos de Hollywood para os seus primeiros projetos: «O Regresso de Henry» (1991), com Harrison Ford, «Eternamente Jovem» (1992), um filme veículo para Mel Gibson, e «A Grande Pescaria» (1997) com Joe Pesci, Danny Glover e Rosanna Arquette. A década de 90 terminou com o seu primeiro mega sucesso, ao escrever o argumento de «Armageddon» (1998), o que lhe deu o estatuto para criar variadas séries televisivas e experimentar géneros diferentes durante um período de 12 anos, entre 1998 e 2010: «Felicity», «Alias, A Vingadora», «Perdidos» e «Fringe». O sucesso da série “Perdidos” coincidiu com a produção de «Nome de Código: Cloverfield» (2008), filme de ficção científica rodado num estilo pessoal e muito realista e que será desenvolvido numa sequela. Progressivamente Abrams direcionou o seu talento para o cinema, e o primeiro filme que dirigiu, «Missão Impossível 3» (2006), confirmou que ele tem o toque de Midas... ou que toca nos projetos certos!

O passo seguinte foi um desafio tremendo, o de relançar uma série de ficção científica moribunda e desgastada. Missão alcançada com «Star Trek» (2009) e «Além da Escuridão: Star Trek» (2013). O realizador passou para os bastidores e assumiu tarefas de produtor nos episódios seguintes destas duas séries. Entretanto, citou o seu passado, realizando o filme mais pessoal, «Super 8» (2011), onde conta história de um grupo de crianças que testemunha e documenta em vídeo um fenómeno estranho. Spielberg acompanhou-o como produtor mas foi sobretudo um cúmplice cinéfilo dessa aventura. Nos poucos filmes que realizou, nos muitos filmes e séries que escreveu e produziu, Abrams demonstrou ter múltiplas competências, um gosto pela narrativa visual das histórias, uma imaginação estimulante, noções clássicas e contemporâneas do entretenimento. É um perfil que o habilita a relançar a série “Star Wars”, assumindo a produção, realização e escrita de argumento de «O Despertar da Força» (2015), o 7º episódio de uma saga mítica. Se correr bem, Abrams chega ao infinito e mais além da indústria do cinema. 

Andy Serkis - Star Wars: O Despertar da Força

Como é que se envolveu no projeto?
É uma história interessante na verdade. Soube que o filme estava a ser realizado e fiquei entusiasmado com a ideia. Na altura, estava a trabalhar em «Planeta dos Macacos: A Revolta» com Matt Reeves, que conhece J.J. Abrams e foi visitado por ele durante a realização do filme. Isso aconteceu antes de ser posto qualquer efeito especial. Basicamente J.J. viu a cena apenas com os atores e isso agarrou-o. Decidiu que tínhamos que nos conhecer e então reunimo-nos num hotel. Foi fantástico, como se estivéssemos a brincar um com o outro. Demo-nos mesmo bem. Ficou claro que devíamos trabalhar juntos. Não sabia bem em quê, mas perguntou-me se queria fazer parte do projeto. Respondi que adorava fazer parte de “Star Wars.”

Pode explicar-nos o que é a captura de movimentos?
A captura de movimento é a arte e o ofício de um ator, a encarnar um papel que será exposto na tela como uma personagem em computação gráfica. Mas a autoria do papel, toda a atuação, acontece com outros atores. Em vez de vestir um fato e colocar previamente uma maquilhagem, interpreta-se o papel sem a ajuda desses fatores e sem obstáculos. Todas as expressões faciais, decisões e formas de agir na criação do papel acontecem em conjunto com os outros atores. Depois, uma equipa de animadores e artistas de computação gráfica têm o trabalho de transposição do desempenho num avatar digital, sem que perca a nuance, a subtileza e desempenho que o ator deu previamente. É exatamente igual. É assim que funciona a captura de movimento. O que é surpreendente é que permite a qualquer um interpretar qualquer coisa. Filosoficamente, é a melhor ferramenta de representação do século XXI. Não interessa qual é a nossa altura. Estereótipos ou características em específico já não são necessários. Não importa qual é a cor da pele, o tamanho ou de que sexo se é. É uma ferramenta brilhantemente libertadora que os atores estão a aceitar finalmente e quanto mais usada, mais se torna essencial na indústria, estando a proliferar-se.

Sente a pressão de um filme como este?
Vim de uma grande tour de apresentação do «Planeta dos Macacos: A Revolta», onde todas as questões eram sobre “Star Wars.” As pessoas são fascinadas com “Star Wars.” É incrivelmente potente, um universo poderoso. Há muita vontade de conhecer as histórias. É uma grande narrativa arquetípica; uma grande narrativa mitológica. J.J. conseguiu recuperar a essência sobre o que é a história, a verdadeira humanidade da história. As pessoas estão tão ansiosas para ver o filme. Sabem o que fez antes, que tem um coração incrível, que é compreensível e com um lado emocional verdadeiro em todos os filmes que fez. É o guia e o realizador perfeito. O seu desejo é filmar em película, com lentes anamórficas, utilizar métodos da velha guarda e usar fantoches para trazer a história de volta à percepção pública. Fez um trabalho incrível, está com um aspeto maravilhoso. Sente-se de uma forma adequada, real, tangível e física. Acho que os fãs vão adorar.

Carrie Fischer - Star Wars: O Despertar da Força

O George Lucas disse-lhe que estava a pensar fazer outro filme?
Estávamos na “Star Wars Celebration”. Fomos levados para uma sala onde estávamos sentados numa longa mesa como se fossemos ter uma reunião com acionistas. Mas não era nada disso.

Quando se reuniu com J. J. Abrams para falar sobre a sua visão, em que resultou essa reunião?
O que senti com J.J. Abrams é que adorava estes filmes. Não é parte da sua história; é parte da sua infância. As crianças pequenas cresceram a vê-los e J. J. é uma delas. E há uma enorme responsabilidade no que tinha guardado. Estava a levar tudo muito a sério. Estava muito animado. Há uma enorme responsabilidade associada e ele parecia completamente ciente disso.

Deu alguma contribuição para Leia?Como o cabelo?
Queira usar o penteado icónico que tinha inicialmente. Queria esse penteado de novo. Era o que mais queria da antiga Leia. Mostrar apenas uma vez. Mas não. Penso que acharam que poderia ser muito distrativo.

Qual é a sua opinião sobre J.J. Abrams?
J.J. é alguém que já provou ser capaz de fazer estes filmes épicos de outro mundo e também filmes mais comuns. É um escritor e um realizador que adora filmes. É isso que se destaca.

George Lucas foi pioneiro na criação de Leia?
Completamente. E as pessoas continuam a dizer-me que foi. Tenho pessoas que vêm ter comigo a dizer que a minha personagem as inspirou a viver de determinada forma.Existe um lado lúdico que as pessoas conseguiram retirar e um outro lado onde se pensa em si mesmo como alguém capaz.

Há algo neste filme que vai atrair as mulheres. Concorda?
Acho que as mulheres sempre sentiram isso. Uma princesa é alguém que ganha responsabilidade pelas suas vidas, faz escolhas e tem a sua própria vida. Não se enquadra. Nada mudou, exceto o cabelo.

Como foi conhecer o novo elenco?
Estava nervosa e entusiasmada. Passamos bons momentos juntos. Estávamos todos nervosos demaneiras diferentes. Ao ver a Daisy Ridley no decorrer das filmagens, percebo que cresceu imenso. É muito confiante, está muito à vontade. Sem dúvida que é um mundo para ela.

John Boyega parece confortável no seu papel?
John sempre pareceu confortável.Ele entrou muito confiante, pronto para enfrentar tudo.

Como é Adam Driver a interpretar um vilão?
A interpretar um vilão, mas que não se sabe que é um vilão. Esta é a sua causa e é isso que o Adam está a fazer. É apaixonado, mas também solitário.

É divertido ver algumas das criaturas originais?
É bom tê-las de volta. É como uma reunião da escola. É a reunião da escola secundária“Star Wars”.

E como foi ter de volta Anthony Daniels como C-3PO?
Foi fantástico e está exatamente igual.

Parece um mundo que já todos conheciam, mas mudado?
Mas nós mudamos também. Logo há mais experiência para trazer para o que procuramos e para contribuir mais em cada situação. Éramos inocentes, cresce-se mais rápido quando se é uma criança e se está a fazer estes filmes. Agora, olhamos para este filme com mais experiência.

Acha que há uma parte da Leia em si?
Eu sou a Princesa Leia. A Princessa Leia é o que sou. É como uma fita de Mobius. A minha vida tem-lhe informado quem ela é e ela informou-me quem é que sou e quem tinha de ser com base nas experiências que já passei e pela coragem necessária para passar por isso. Então, muito do seu comportamento, da sua paixão e da sua vontade de continuar, encontrei em mim.

Fale-nos dos fãs.
Para os fãs, este é o seu conto de fadas. Foi com isso que cresceram, de onde vieram as suas fantasias. É o seu outro mundo. Pertencem a esse outro mundo e fazem parte dele. Sentem como se nos conhecessem, como se fossemos uma extensão do que são. Para mim, o mais divertido e o mais querido, é quando trazem perto de mim uma criança com três anos de idade vestida com o fato da Princesa Leia. É ver essas crianças tão pequenas a saberem quem sou. É o aspeto mais estranho, mais querido e o mais fascinante. Estas pessoas ainda eram novas quando eu já não o era necessariamente. E isto coloca-nos num pedestal onde não sabíamos bem que estávamos.

O que é que os fãs vão poder retirar deste novo filme?
Acho que vão ficar felizes por estarem nas suas casas novamente, mas longe de casa.

Star Wars: O Despertar da Força ultrapassa Avatar nos EUA

«Star Wars: O Despertar da Força» ultrapassou em apenas 20 dias o recorde de «Avatar» ($*758,2 milhões) nos Estados Unidos ao facturar $760.5 milhões, apenas estes dois filmes ultrapassaram a marca dos setecentos milhões de dólares nos Estados Unidos.
Fora da América do Norte o filme tem um acumulado de $799,1 milhões de receitas, só estreia a 9 de Janeiro na China (o maior mercado mundial) mas está ainda distante do recorde global de «Avatar» de $2.78 mil milhões neste momento Star Wars está com $1.56 mil milhões.

Os analistas afirmam que Star Wars deva terminar a sua carreira comercial nos $2.2 a $2.4 mil milhões ultrapassando Titanic ($2.19 mil milhões), neste momento o filme de J.J. Abrams já ocupa a quarta posição na lista dos filmes que mais facturaram na história do cinema.

Alguns recordes de «Star Wars: O Despertar da Força»

- Maior abertura de sempre nos Estados Unidos: $248 milhões (bate «Mundo Jurrásico» com $208.8)
- Maior abertura de sempre a nível global: $529 milhões (bate «Mundo Jurrásico» com $524.9)
- Filme que chegou mais rapidamente aos $700 milhões nos EUA: 16 dias (bate «Avatar», demorou 72 dias)

* valores em dólares

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