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Actualizado às 12:37 PM, Feb 14, 2020

Unbelievable

A história de Marie (Kaitlyn Dever, «Last Man Standing») é um desconforto constante em 60 minutos de piloto. Toni Collette e Merritt Wever podem ser as estrelas da companhia, mas o primeiro episódio é totalmente dedicado à vítima, real, que lança o mote de «Unbelievable». Na tradução, "inacreditável", numa alusão à desconfiança instalada perante a queixa de Marie.

Tudo começa com a denúncia de uma violação, mas as dúvidas amontoam-se de seguida, e o espectador é colocado ao lado de Marie. Sofre com ela em casa, nas salas de interrogatório, na desconfiança dos que a rodeiam.
Marie tem de contar o que lhe aconteceu a um polícia, depois a um detetive, no hospital, e finalmente por escrito. No espaço de poucas horas, sem descanso. Numa pressão desmesurada e maior do que qualquer pessoa conseguiria suportar, muito menos alguém fragilizado, Marie vai somando inconsistências. O núcleo que a devia suportar coloca-a em causa, a polícia alinha no discurso e, subitamente, a vítima fica num estado de tamanha tensão que a audiência sofre com ela.

Susannah Grant, Michael Chabon e Ayelet Waldman, os criadores, não se preocupam com o argumento ou com as fórmulas-cliché das séries do género. Eles vão demorar tanto tempo quanto precisarem, com a atenção que Marie merece. A série vem depois. E, quando finalmente chega, arrebata-nos.

Só um formato como a Netflix, com a temporada (de oito episódios) lançada de uma só vez, permite tamanha ousadia sem cansar o espectador, é certo. Ao primeiro episódio mais parado soma-se o segundo, onde Merritt Wever brilha como detetive e expõe, ainda que inadvertidamente (mas com toda a intenção do argumento), as falhas atrozes dos detetives que entrevistaram Marie.
Há novo caso de violação, os pormenores soam semelhantes e, no final do episódio, já Toni Collette é chamada à conversação. Pensar que estamos perante um caso real é gritante, assim como o foi «When They See Us».

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Sex Education Temporada 2

Um dos sucessos da Netflix em 2019 está de volta a 17 de janeiro para uma segunda temporada. «Sex Education», que tem Asa Butterfield e Gillian Anderson nos principais papéis, retrata a história de uma psicoterapeuta sexual e do seu filho, que encontra a popularidade ao ajudar os colegas com os seus dilemas sexuais. A série promete trazer temas mais polémicos do que nunca, com Otis (Butterfield) a descobrir também mais sobre a sua própria sexualidade, ao mesmo tempo que novas personagens e problemas “abanam” a narrativa.

Messiah

Ainda no rescaldo da polémica em torno da Porta dos Fundos, a Netflix lança uma série que segue a história de um possível novo Messias. Será ele o salvador ou um impostor? A personagem de Mehdi Dehbi, conhecido de «Tyrant», move-se entre zonas de conflito e consegue convencer multidões das suas intenções, defendendo que apenas transmite a mensagem de Deus. Mas Eva Geller (Michelle Monaghan) não parece totalmente convencida da autenticidade destes acontecimentos e investiga o jovem misterioso.

«Simplesmente Aterrador» - crítica

«Simplesmente Aterrador» («Creeped Out», no original) é uma espécie de “A Quinta Dimensão” com rodinhas de apoio. É uma antologia de contos de terror, fantasia e ficção-científica direccionada a um target infanto-juvenil. E dentro da oferta disponível, seja em que género for, para uma faixa etária que está a dar os primeiros passos na ficção televisiva, é um produto digno de referência e de louvor. Apesar de tudo nos dias de hoje, o cinema tem sido mais enriquecedor na aquisição de conhecimento e de espírito crítico entre as camadas mais jovens. É de certa forma paradoxal, considerando que para o público adulto, a produção televisiva tem-se mostrado tão ou mais relevante do que o cinema.

Os episódios de «Simplesmente Aterrador», que já tem duas temporadas disponíveis, variam entre o simples cautionary tale (a fábula que traz uma lição de vida) até ao puro terror, passando pelo perturbador, mas em doses inoculantes. Ou seja, são a vacina que os mais jovens precisam para, no futuro, e seguindo uma ordem lógica, entrarem no universo dos “Contos Assombrosos”, de Steven Spielberg, ou de “A Quinta Dimensão”, de Rod Serling, sem grandes riscos de morrer de medo ou ganharem traumas para a viada.

Não que «Simplesmente Aterrador» não tenha um ou outro episódio que instigue pesadelos, mas os (pequenos) sacrifícios de hoje serão as (grandes) vitórias de amanhã. Numa época em que a qualidade da oferta infanto-juvenil se rendeu ao desinteressante, desmiolado, desesperante, e outras coisas começadas por “des”, «Simplesmente Aterrador» é uma réstia de esperança para qualquer progenitor (regra geral do género masculino) que deseje ver o seu filho ou filha a ver algo muito — mas mesmo muito! — melhor e mais educativo do que o “Acampamento Kikiwaka”.

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«The Witcher» - trailer

Baseado na série best-seller de fantasia, The Witcher é um épico conto sobre destino e família. A história dos destinos cruzados de três indivíduos no vasto mundo d'O Continente, onde humanos, elfos, witchers, gnomos e monstros batalham para sobreviver e prosperar, onde o bem e o mal não são fáceis de identificar.

«What/If»: error, argumento not found (review)

Há um momento no piloto que resume, em poucos segundos, aquilo que é «What/If». A certa altura, no primeiro episódio, a personagem de Renée Zellweger encara uma ampla janela, com a trovoada lá fora a construir o cenário ideal de uma vilã da Disney... Mas de um filme de animação série B – tal a qualidade artificial dos efeitos. Também é assim a série: no meio do aparato da história que quer criar, os efeitos artificiais destroem os aspetos positivos da trama que marca o regresso de Mike Kelley, o criador de «Revenge», terminada em 2015.

Se há série que nem precisava de marketing era esta. Após uma pausa na carreira entre 2010 e 2016, e filmes pouco mediáticos desde então – à exceção do regresso de Bridget Jones –, Renée Zellweger estreia-se em 2019 numa série de TV, pela mão da Netflix. Desde que o serviço de streaming anunciou a participação da atriz norte-americana em «What/If», cuja sinopse demorou a ser revelada, que a curiosidade em torno da série era muita. Chegada a hora da verdade, é caso para dizer que a montanha pariu um rato.

what if 3

Lisa (Jane Levy) e Sean Donovan (Black Jenner) são um jovem casal aparentemente normal... e os protagonistas desta história. Embora o foco esteja naturalmente em Renée, o valor acrescentado da nova série de Kelley, o duo de promissores atores assume a condução da narrativa, pelo que grande parte do piloto lhes é dedicado. Lisa tem uma start-up, que fundou com a ajuda dos pais adoptivos, mas não consegue vender o seu projeto a ‘tubarões’ do mundo dos negócios; já Sean é um ex-jogador dos Giants, que caiu em desgraça e agora trabalha como paramédico e no bar de um hotel. A eles junta-se um grupo de amigos estereotipado: os namorados de sempre e a traição que ameaça dividi-los – com um hospital pelo meio a lembrar «Anatomia de Grey» –, e o casal gay que quer experimentar coisas novas (a storyline lembra uma das secundárias de «Looking»).

No meio dos clichés, surge finalmente Anne Montgomery (Renée) para nos salvar do tédio. Mas a premissa que traz é, tal como a série assume num diálogo entre personagens, um rip off de um filme dos anos 90. Se conhecerem pelo menos a sinopse do filme «Proposta Indecente» (1993), protagonizado por Robert Redford, Demi Moore e Woody Harrelson, é impossível desligar a sensação de déjà vu. No filme, um bilionário oferece um milhão de doláres a um casal por uma noite com a mulher, enquanto na série é Anne que se oferece para financiar o projeto de Lisa... em troca de uma noite com Sean. O que é acontece nesse período é um mistério e será o mote para toda a temporada, uma vez que há uma cláusula que impede Sean de falar sobre isso.

Apesar de os diálogos serem genericamente ‘bonzinhos’, o que estraga tudo é o argumento. Ou melhor, a falta dele. Mike Kelley teve as ideias, organizou os diferentes grupos da história e atribuiu-lhes um conflito, só que não se preocupou com o fio condutor. Tudo é uma miscelânea de falsos twists que vão acontecendo, onde cada personagem se julga à frente do jogo em que está envolvida. Como pano de fundo, a terrível Anne, que parece estar sempre um passo adiantada em relação a Lisa, uma cientista frágil que quer provar à magnata que é mais forte do que ela pensa. Qualquer semelhança de Anne com Victoria Grayson (Madeleine Stowe), de «Revenge», não será certamente uma coincidência.

Como já perceberam, provavelmente, a esta altura, «What/If» tem todos os ingredientes para se tornar o ‘guilty pleasure’ dos seriólicos, apesar de todos os seus defeitos. É verdade que a série está mal construída e que o argumento é uma falácia, mas a curiosidade para saber o que move Anne e o que aconteceu naquela noite agarra a audiência episódio após episódio. Além disso, ter Renée como vilã é um acontecimento raro que é maravilhoso de assistir.

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«After Life» com Ricky Gervais

«After Life» é um one-man show. Ricky Gervais não se limita a escrever, realizar e protagonizar. A sua nova série é um manifesto pessoal, uma espécie de versão ficcionada da sua conta de Twitter (ou Instagram, ou qualquer outra rede social). Ou seja, até os menos atentos facilmente reconhecerão o quão transversais são as ideias, as convicções e as piadas entre Ricky, o autor, e Tony, o personagem. O ateísmo, o amor pelos animais (em oposição ao desprezo pelas pessoas), a ironia e o sarcasmo, enfim, o Ricky Gervais que conhecemos.

[artigo originalmente publicado na Metropolis nº 67]

AFTER LIFE EP06

A premissa do homem que perde a sua mulher, vítima de cancro, e embarca numa jornada depressiva serve o seu propósito abrindo caminho para Tony dizer e fazer tudo o que lhe vem à cabeça. Afinal de contas, se alguma dia achar que foi longe demais, pode sempre pôr fim à vida. O suicídio é o seu super-poder. E por isso, em seis episódios, Tony não se coíbe de ir atropelando tudo e todos de forma mais ou menos chocante. E hilariante. Pelo menos até este começar a recuperar uma certa consciência e tolerância para com o mundo.

«After Life» fica muito aquém da genialidade de «Extras» e de «The Office», mas ainda assim é uma boa série. Tem cabeça, alma e coração. O problema é deixar-se levar demasiado pelo coração quando chega a hora de completar o arco narrativo da sua história. À medida que os episódios passam e o desfecho se aproxima a comédia amarga vai sendo progressivamente substituída pelo drama adocicado. Mais do que seria desejável. Um equilíbrio mais agridoce teria feito de «After Life» uma grande série. Ainda assim, é uma série a não perder.marco oliveira

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«Fórmula 1: A Emoção de um Grande Prémio» - série Netflix

Fórmula 1: A Emoção de um Grande Prémio é uma emocionante série de 10 episódios e é a primeira a oferecer acesso exclusivo e intimista à maior competição de corridas do mundo.

Dos criadores de Senna & Amy, esta série irá revelar a verdadeira história do desporto - não só na luta para ser o primeiro, mas também na luta pelo coração, alma e direção deste negócio multimilionário.

A Fórmula 1 está a passar por uma enorme revolução desde a sua aquisição, em janeiro de 2017, pela Liberty Media. Todos os olhos estão postos neste desporto, ou não estivesse ele a passar por uma reinvenção para construir o automobilismo com sustentabilidade e colocar paixão no seu coração. Esta série tem um acesso sem precedentes aos principais pilotos, diretores e proprietários, dando-lhe uma visão mais profunda sobre as suas vidas pessoais, sacrifícios e mudanças daqueles que se dedicaram todo o seu amor ao desporto mais rápido do mundo.

Enquanto uma nova geração de pilotos sai da sombra dos seus rivais mais experientes e das lendas da pista, o cenário está pronto para uma nova onda de competições emocionantes e desafios na pista.

Começa em Melbourne, onde o mundo dos altos riscos, adrenalina e paixão inerentes à Fórmula 1 é lançado. É a partir daí que a série de move com as suas equipas após cada corrida; do Bahrain para o Canadá, Áustria, Singapura, de Austin para o Brasil, antes de culminar na luta final da época em Abu Dhabi, onde as pontuações irão ser acertadas.

Paul Martin de Box to Box Films: “A Netflix é a plataforma perfeita para contar a história por dentro deste desporto incrível. F1 já não é um mundo de personagens coloridas e com grandes egos, emoções e drama, vitória e tragédia mas, até agora, este mundo tem sido em grande parte escondido dos fãs. Fórmula 1: A Emoção de um Grande Prémio leva os espetadores diretamente para o coração deste universo e mostra como é viver, trabalhar e competir no desporto mais rápido do mundo”.

Esta série tem como produtores executivos James Gay Rees (Senna), vencedor de um Óscar e Paul Martin da produtora Box to Box Films. Sophie Todd é a showrunner.

Fonte: Netflix

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