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Actualizado às 11:21 PM, Dec 4, 2019

Pink — traumas em Technicolor

Beautiful Trauma, tema-título do sétimo álbum de Pink, é uma canção genuinamente pop, combinando a celebração da felicidade conjugal com alusões ao consumo de substâncias não muito recomendáveis: um cocktail de utopia e sarcasmo servido por um teledisco, realizado por Nick Florez e RJ Durell, que funciona como uma perversa celebração dos melodramas musicais dos anos 50 e, muito em particular, do seu exuberante Technicolor — no papel do marido, Channing Tatum relembra-nos os seus dotes de dançarino.

King Krule: punk + hip hop + jazz

Archy Marshall, 24 anos, nascido em Londres — nome artístico: King Krule. Foi uma das grandes revelações de 2013 (portanto, aos 19 anos) e continua a convocar-nos para paisagens musicais de estranha e envolvente pluralidade: as suas raízes punk derivam constantemente para um austero hip hop, não poucas vezes à beira de uma secura típica de um tempo de spoken word, enfim, integrando ziguezagues, improvisados ou não, de genuína sensibilidade jazzística.

O novo álbum de King Krule, terceiro da sua conta pessoal — depois de 6 Feet Beneath the Moon (2013) e A New Place 2 Drown (2015), este assinado como Archy Marshall — chama-se The Ooz e já tinha sido apresentado através do tema Czech One. Vale a pena ler a entrevista dada à NPR, evocando algumas influências juvenis, de Nirvana a Jimi Hendrix, passando por Marvin Gaye (decididamente, o rapaz cuida da sua saúde musical) e também explicando a origem do título The Ooz. Entretanto, aqui fica o registo de mais duas canções: Dum Surfer e Half Man Half Shark.

Torres, opus 3

Vem de Nashville e foi uma das revelações de 2013, contava 22 anos: Torres, nome artístico de Mackenzie Scott, pratica um rock primitivo e poético, abstracto e eléctrico. Depois de quase dois anos de silêncio, este Verão deu a conhecer uma nova canção: Skim. Era o primeiro sinal do terceiro álbum, entretanto já lançado: chama-se Three Futures e é uma bela colecção de aventuras de estranha sensualidade — eis o teledisco do tema-título, assinado, tal como o anterior, por Ashley Connor.

I got hard in your car
In the parking lot of the Masonic lodge
We lined the Hudson with our tangents
You trusted me to love your parents

Sunk into my tunnel vision
Sunk into my tunnel vision

I hope that’s what you’ll remember
Not how i left but how i entered
Who didn’t know i saw three futures
One alone and one with you
And one with the love i knew i’d choose

You got me loaded on bergamot perfume
Downstairs in the TV room
You laid the plans and i was quiet

My eyes are trinity divided
My eyes are trinity divided

I hope what you will remember
Is not how i left but how i entered
And not the hope that i’d ?beast?
If we may bring some thing we do

You didn’t know i saw three futures
You didn’t know i saw three futures

One alone and one with you
And one with the love i knew i’d choose

Mick Jagger, o Maldisposto

Mick Jagger anda maldisposto... Ainda bem. Longe de qualquer satisfaction, num misto de desencanto e revolta, decidiu presentear-nos com duas novas canções, dois amargos hinos rock sobre o estado das coisas. Gotta Get a Grip fala de "um mundo de pernas para o ar / dirigido por lunáticos e palhaços" — a cada um a liberdade de aplicar a metáfora na paisagem que achar mais adequada... Por sua vez, England Lost faz o retrato de um país à deriva nas convulsões do Brexit, uma Inglaterra que o cantor tenta encontrar, "mas não estava lá".

Dois telediscos desenham o mapa desta gélida confissão política: Gotta Get a Grip numa agreste deambulação noturna protagonizada por Jemima Kirke, da série Girls; England Lost encenando, a preto e branco, as atribulações de um homem perseguido, interpretado pelo actor Luke Evans (Gaston, no recente «A Bela e o Monstro») — pelo meio, fica também o "lyric video" de England Lost.

O apocalipse segundo Moby

Moby tem estado a oferecer o download do seu 14º álbum de estúdio, More Fast Songs about the Apocalypse, co-assinado com o colectivo The Void Pacific Choir. Agora, veio explicitar a temática — apocalíptica, bem entendido — das suas nove canções. Aí está o teledisco de In This Cold Place, realizado por Steve Cutts, representando um mundo em que personagens de desenhos animados e super-heróis vivem as agruras de um tempo dominado pelo poder do dinheiro. Uma crónica realista? Não exactamente... mas o certo é que Donald Trump é uma das personagens!

Yoko Ono, co-autora de "Imagine"

A história das canções é também... a história da identificação dos seus autores. Quarenta e seis anos depois da edição de Imagine (1971), o segundo álbum a solo de John Lennon, a autoria da canção-título vai ser atribuída também a Yoko Ono.

O anúncio de tal reconhecimento [Variety] foi feito na reunião anual da National Music Publishers Association [NMPA], em Nova Iorque, quando Yoko e o filho Sean Ono Lennon receberam o prémio 'Centennial Song' atribuído, precisamente, ao tema Imagine. Segundo David Israelite, presidente da NMPA, tal decisão fundamenta-se em declarações do próprio John Lennon, registadas pela BBC em 1980 [NPR].
Ao que parece, tal alteração dos créditos de Imagine poderá implicar um longo e complexo processo legal de acerto dos respectivos direitos autorais. Uma coisa é certa: a canção persiste como um dos mais universais hinos pacifistas gerados pela pop, transcendendo épocas e modas — eis Yoko e John no registo original, um teledisco antes de haver... telediscos.

 

Lamb nos Coliseus do Porto e Lisboa

LAMB, o duo composto por Andy Barlow e Lou Rhodes, comemora 21 anos de carreira e termina em Portugal a nova digressão europeia com dois concertos em nome próprio - dia 13 de novembro no Coliseu do Porto e dia 14 no Coliseu de Lisboa. A banda traz a terras lusas seis bem-sucedidos álbuns de estúdio, sendo que é a primeira vez que apresenta temas do último disco de originais, “Backspace Unwind”, editado no final de 2014.

A banda de Manchester que conquistou o mundo em 1996 com o lançamento do LP de estreia homónimo que veio mostrar que o drum’n’bass poderia fazer muito mais do que apenas pôr os pés a moverem mais rápido, mas que poderia também fazer os corações baterem mais rápido. Foi esta relação de amor que fez com que a dupla seja hoje uma das maiores referências mundiais do seu género musical.

Lou Rhodes e Andy Barlow conseguiram criar um projeto único graças às diferenças estéticas que desde sempre os separaram. A cantora e compositora Lou Rhodes com a sua devoção às canções e Andy com a obsessão pelas batidas, sem qualquer interesse nos vocais. Esta foi a chave do sucesso e a garantia de que o respeito mútuo os levaria muito longe. E levou...21 anos depois os LAMB contam com seis discos de estúdio, um álbum e um DVD ao vivo e vários singles de sucesso.

Fonte: EVERYTHING IS NEW

Natalie Portman + James Blake

O terceiro álbum de estúdio de James Blake, The Colour in Anything, tem um novo teledisco, protagonizado por Natalie Portman. Poucos dias antes do nascimento do seu segundo filho, Portman foi filmada por Anna Rose Holmer, numa encenação do tema My Willing Heart — ou como a mais genuína intimidade envolve uma delicada arte do corpo e do espírito, nada tendo a ver com o horror quotidiano da reality TV.

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