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Actualizado às 10:09 PM, May 20, 2019

Bond 25 - início da produção

Os produtores de James Bond, Michael G. Wilson e Barbara Broccoli confirmaram que o início da produção do 25º filme oficial de James Bond está agendado para 28 de abril de 2019. Uma produção da Eon Productions, de Albert R. Broccoli, e da Metro Goldwyn Mayer Studios, o filme é realizado por Cary Joji Fukunaga e protagonizado por Daniel Craig, que regressa para o seu quinto filme como James Bond 007.

O filme será distribuído pela Metro Goldwyn Mayer, através da label da United Artists Releasing, com estreia agendada para abril de 2020. Em Portugal o filme é distribuído pela NOS Audiovisuais.

O realizador Cary Joji Fukunaga confirmou que vários os atores regressam no novo filme - Ralph Fiennes, Naomie Harris, Rory Kinnear, Léa Seydoux, Ben Whishaw, Jeffrey Wright - e apresentou as mais recentes aquisições do elenco: Ana de Armas, Dali Benssalá, David Dencik, Lashana Lynch, Billy Magnussen e Rami Malek.

No novo filme, Bond deixou o serviço ativo e está a desfrutar de uma vida tranquila na Jamaica. Mas a sua paz termina rapidamente, quando o seu velho amigo Felix Leiter, da CIA, aparece com um pedido de ajuda. A missão de resgatar um cientista raptado acaba por ser muito mais traiçoeira do que o esperado, levando Bond a perseguir um misterioso vilão, armado com uma nova tecnologia perigosa.

B25 elenco

A produção de 007 terá lugar nos Pinewood Studios, no Reino Unido, e em diversos locais do mundo como Londres, Itália, Jamaica e Noruega.

Wilson e Broccoli comentaram: "Estamos muito felizes por regressar à Jamaica com Bond 25, o quinto filme de Daniel Craig na série 007, no exacto local onde Ian Fleming criou o icónico personagem de James Bond e onde os filmes “Dr No” e “Live And Let Die” foram filmados".

Escrito por Neal Purvis e Robert Wade, Scott Z. Burns e em colaboração com Cary Joji Fukunaga e Phoebe Waller-Bridge, o filme conta com uma equipa criativa composta por: Linus Sandgren (Diretor de Fotografia); Tom Cross e Elliot Graham (Montadores); Mark Tildesley (Production Designer); Suttirat Larlarb (Guarda-Roupa); Olivier Schneider e Lee Morrison (Coordenadores de Duplos) e Charlie Noble (Supervisor de Efeitos Visuais).

Spectre, o 24º filme de James Bond, foi um sucesso global nas bilheteiras, estreando em primeiro lugar em 81 territórios, incluindo o Reino Unido, os EUA e Portugal, e arrecadando $880 milhões de dólares de receita em todo o mundo. Em Portugal foi visto por mais de 480 mil espectadores. Skyfall, o 23º filme da série, registou $1,1 mil milhões de dólares em todo o mundo.

O arranque da produção do Bond 25 foi transmitido ao vivo nos canais oficiais de James Bond: 007.com, Twitter, YouTube e Facebook, e o vídeo está agora disponível nestas plataformas.

© NOS Lusomundo Audiovisuais

Spectre

Spectre», um dos filmes mais aguardados do ano, chega a todo gás aos ecrãs nacionais numa alucinante e musculada aventura que coloca o agente menos secreto do universo em rota de colisão com os fantasmas do seu passado.
O consolado de Daniel Craig, iniciado em «007: Casino Royale» (2006), marcará para sempre uma saga com mais de cinquenta anos de história. Craig criou em três filmes o melhor 007 de sempre, e neste «Spectre» confirma o seu brilhante trabalho. É a interpretação que, em termos humanos, mais se aproxima da visão original do seu criador, o autor Ian Fleming. Ao actor foi-lhe permitido desenvolver um personagem que não faz reset a cada filme, o que lhe permite explorar e aprofundar o martírio de uma alma comprometida com as suas obrigações.

A necessidade de não perder os fiéis espectadores da série, juntamente com a fidelização de novos públicos, habituados a outro tipo de blockbusters (mesmo recordando que a saga Bond, desde os seus primórdios, é a mais original dos blockbusters) levou a um processo de revitalização. O mesmo incutiu um lado cerebral e adulto às aventuras de 007 criando-se uma dinâmica distinta que não abandona o espectáculo mas consolida e ramifica os efeitos da narrativa, humanizando heróis e vilões numa abordagem que culmina majestosamente em «Spectre». Ainda que os produtores de Bond não gostem de falar de sequelas, os quatro últimos filmes de 007 formam um arco de história. Antes tínhamos aventuras soltas, onde, invariavelmente, James Bond tentava impedir uma terrível conspiração que ameaçava o mundo. Actualmente, a saga ganhou contornos mais intimistas, o amor, o desgosto, a vingança, a vida e a morte são aspectos importantes no desenho psicológico de um espião que vive numa zona cinzenta.

Ao revermos «007: Casino Royale», «007: Quantum of Solace» (2008) e «007: Skyfall» (2012), conclui-se rapidamente que os eventos destes filmes não só estão encadeados como a abordagem é definitivamente mais adulta e distinta. As personagens femininas não são ocas, os principais antagonistas entram para a galeria de vilões memoráveis (Mads Mikkelsen, Mathieu Amalric e Javier Bardem) não só pela escrita dos seus papéis como pela qualidade e desempenho dos actores e dos acontecimentos que deixam sempre o espectador com um nó na garganta ao invés de lhe oferecerem um tranquilizador happy ending.

Nos três últimos capítulos, o agente 007 tem-se visto a braços com um mau karma... o que é um eufemismo quando se está a falar de Spectre, a organização mais famosa da mitologia 007 e que se apresenta agora ao mundo em pleno século XXI. Os responsáveis pelo financiamento do terror global (Le Chiffre, de «Casino Royale»), a manipulação de Estados soberanos (Dominic Greene, de «Quantum of Solace») e o cyber terrorismo (Silva, de «Skyfall») apontam todos para a mesma ideia: num reino de terror e manipulação, a informação é realmente poder. Esta premissa, aliada às contas por ajustar por Vesper (a única mulher que Bond realmente amou em «Casino Royale») e M (a sua chefe que, de certo modo, ocupava o lugar da mãe) está no seio da narrativa uma história pessoal que liga James Bond ao seu némesis, Oberhauser, interpretado de forma sublime por Christoph Waltz – vencedor de dois Óscares e um dos grandes intérpretes da actualidade.

Christoph Waltz assenta que nem uma luva no papel de super vilão, daqueles que vivem em palácios no meio do nada. Ele possui um grande arsenal de ideias maléficas e actos sádicos para com o nosso herói. Já estávamos com saudades deste tipo de escumalha com pedigree. Pelo meio temos outra grande intérprete, a bela e talentosa actriz francesa Léa Seydoux, numa personagem que faz igualmente a ponte entre o passado e o presente.

Em torno da trama central, destaca-se a qualidade dos personagens secundários que, quando comparados com aqueles da era pré-Daniel Craig – uma espécie de cameos em formato de punchline – surgem como pessoas de corpo inteiro. Em «Spectre» encontramos o lacónico vilão Hinx (Dave Bautista) que deixa os seus músculos falarem por si, uma ponta solta em Mr. White (Jesper Christensen), a agenda secreta de C (Andrew Scott) e os companheiros de Bond que estão mais interventivos: o novo M (Ralph Fiennes), a assistente de 007, Moneypenny (Naomie Harris), Tanner (Rory Kinnear) – o fiel confidente de Bond nos livros de Ian Fleming –, e Q, o armeiro da era digital do MI-6, num papel mais alargado, interpretado pelo poço de talento que é Ben Whishaw.

A realização de Sam Mendes é inspirada, combinando a fina arte de bem representar, o fulguroso espectáculo dos efeitos visuais e stunts reais com um argumento intenso e cerebral. Ao lado de Sam Mendes esteve uma equipa de produção com anos de experiência neste filão cinematográfico.

A acção contém sequências que vão deixar os espectadores com os corações aos pulos. Começando pela colorida e explosiva cena inicial no México, teremos depois um tributo com o pé na tábua em Roma, num Aston Martin DB10 (na primeira vez que a série passa pela cidade milenar), reservando tempo para seduzir a espantosa Monica Bellucci e dar um salto aos Alpes austríacos – recordando as mirabolantes sequências na neve da saga 007 –, passando por Marrocos, cidade que traz sempre mistério e classicismo aos filmes de espiões, desaguando finalmente em Londres com um grande big-bang. As cerca de duas horas e trinta minutos passam num piscar de olho.

Sam Mendes parece ter ganho o toque de Midas (sem o lado trágico). O ritmo é intenso e a acção espectacular mas isto não o impede de trabalhar os aspectos mais subtis de uma história de que os espectadores não vão querer perder nem um minuto. «Spectre» é um fenomenal capítulo da renovada era dourada de James Bond.

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