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Actualizado às 10:22 PM, Nov 12, 2019

Desenhos animados em milhões de dólares

Os desenhos animados, tanto quanto (ou mais que) os filmes de super-heróis, movimentam hoje enormes fortunas — este texto foi publicado no Diário de Notícias (16 de Agosto), com o título 'Desenhos animados rendem milhões'.

Se quisermos resumir a importância da animação na história recente da indústria cinematográfica, podemos dizer que os desenhos animados passaram a ser um dos factores decisivos do box office (nos EUA e, em boa verdade, no mundo todo). Veja-se o exemplo de Frozen (2013), que arrecadou nada mais nada menos que 1.287 milhões de dólares nos ecrãs de todo o mundo. A produção dos estúdios Disney lidera um lote de quatro títulos que conseguiram superar a margem dos mil milhões — seguem-se Mínimos (2015), da Illumination/Universal, Toy Story 3 (2010), da Pixar, e Zootrópolis (2016), também da Disney; depois, há mais 35 títulos que conseguiram acumular mais de 500 milhões de receitas.

A esmagadora maioria dos filmes que integram esta lista foi produzida através dos mais modernos recursos do desenho digital (no sexto lugar, O Rei Leão, de 1994, é uma das honrosas excepções). Quer isto dizer que tais recursos foram decisivos na reconversão artística e no relançamento comercial das figurinhas animadas, alargando o mercado a muitas derivações de merchandising, desde os tradicionais livros e brinquedos até aos jogos de video. O respectivo volume de negócios atinge os mais altos valores do universo global do entertainment. É o caso da série A Idade do Gelo, dos estúdios Blue Sky, da 20th Century Fox: mesmo deixando de lado as suas muitas ramificações (curtas-metragens, programas de televisão, jogos de video e até um espectáculo de palco), os seus cinco filmes já conseguiram uma receita bruta superior a 3.000 milhões de dólares.

Podemos perguntar qual o lugar dos clássicos nesta história de muitos cifrões. Por exemplo, qual o comportamento financeiro de Branca de Neve e os Sete Anões, a primeira longa-metragem de animação, lançada por Walt Disney na época natalícia de 1937? Pois bem, é o filme que fecha o Top 50 dos filmes de desenhos animados, com uma respeitável receita de 418 milhões de dólares.

Em todo o caso, vale a pena não esquecer a inflação, tendo em conta, antes de tudo o mais, as alterações do preço unitário dos bilhetes de cinema. Pois bem, feitas essas contas para o mercado americano (que conserva estatísticas apuradas de tal evolução), Branca de Neve e os Sete Anões não é apenas o mais rentável filme de animação — é também o nº10 na lista dos mais rentáveis de sempre (liderada por E Tudo o Vento Levou, de 1939). À Procura de Dory (2016), o desenho animado recordista em números absolutos, surge em 82º lugar! Conclusão: vamos menos ao cinema que os nossos avós.

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A Lenda do Dragão - Criar Elliot

Porque os dragões são muitas vezes descritos como escamosos, criaturas ferozes, com aspeto de lagarto e muito pouco acessíveis, amigáveis ou heróicos, a aparência e personalidade de Elliot foram o foco de inúmeras reuniões entre os realizadores e a Weta Digital, que duraram ao longo de boa parte de um ano.

Embora Elliot seja criado na sua totalidade por computador, é ainda assim uma personagem fundamental na história e com uma importância crescente para Pete. A presença de Elliot permite a Pete ser capaz de descobrir o que falta na sua vida e onde realmente pertence.

Um dos principais objetivos desde o primeiro dia foi conseguir passar a ideia de uma amizade entre uma criança e um dragão e mostrar o quão especial o vínculo entre eles pode ser. Mas o argumentista/realizador David Lowery queria que o público inicialmente tivesse algumas incertezas quanto a Elliot e às suas intenções.

Bryce Dallas Howard diz, "Elliot não é como outros dragões. É brincalhão, inocente, o melhor amigo e tudo o que realmente quer é uma família. É enorme e tem uma presença algo sinistra, com a capacidade de ser feroz, cuspir fogo e voar, mas também consegue ser querido, afável, carinhoso e protetor."

Fonte: Disney

À Procura de Dory

As profundezas da massa oceânica escondem muitos segredos, entre eles as aventuras que se seguiram ao bem-sucedido «À Procura de Nemo» (2003). Dory é, desta vez, a protagonista de uma nova incursão acidental fora do Oceano. A sua fraca memória, que há 13 anos proporcionou momentos bem divertidos, é, em «À Procura de Dory» (2016), também fonte de preocupação: conseguirá Dory reencontrar – sem se esquecer pelo caminho – os pais e, após uma sequência de azares, Marlin e Nemo?

Suceder a «À Procura de Nemo» não se adivinhava fácil: coroado com o Óscar de Melhor Filme de Animação, o filme marcou uma geração de crianças, como antes o tinham feito «O Rei Leão» (1994) ou «Mary Poppins» (1964). Com a storyline de 2003 aparentemente sem pontas soltas, foi a personagem mais esquecida do cinema (mas uma das mais lembradas), Dory, a justificar um regresso ao passado. Pela terceira vez, um êxito da Pixar tem uma sequela focada numa personagem secundária do primeiro filme – já acontecera antes em «Carros 2» (2011) e «Monstros: A Universidade» (2013).

Angus MacLane é um estreante na realização de longas-metragens, mas Andrew Stanton já tem uma reputação a defender. Depois de vários créditos em argumento, entre eles na trilogia «Toy Story», o norte-americano estreou-se nas longas de animação em «Uma Vida de Insecto» (1998) e, desde então, o sucesso tem sido notório, sendo, por exemplo, o responsável pelo oscarizado «WALL•E» (2008). Tal como em «À Procura de Nemo», Andrew assina também a história original, cuja acção tem lugar um ano depois.
Revemos o primeiro encontro entre Dory e Marlin e ficamos a saber que, nessa altura, ela estava perdida e desesperada... mas entretanto esqueceu-se disso. No primeiro filme, Sidney parecia cada vez mais inalcançável, mas em «À Procura de Dory» os nossos aventureiros não tardam a chegar ao Marine Life Institute, na costa californiana, onde Dory garante que vivem os pais. Mas já se sabe: quando tudo está a correr demasiado bem, é certo que vai acontecer uma tragédia. Esta estratégia é constante na sequela, que vive um ambiente dual quando comparada com o filme que a antecedeu. Os desafios são aparentemente mais difíceis do que aqueles que Nemo enfrentou mas, em contrapartida, são ultrapassados mais facilmente. No entanto, será quantidade sinal de qualidade?

«À Procura de Dory» prometia muito e, em parte, cumpriu: o passado de Dory ganhou uma nova dimensão, mas o que recebemos em amplitude narrativa perde-se depois em densidade dramática. As novas personagens trazem sobretudo humor e apoiam-se no discurso familiar e na auto-estima, só que acabam a meio do caminho, muito por culpa das resoluções rápidas e da tentativa de imitar (a uma distância segura) a fórmula de sucesso de 2003. Demasiado dependente do discurso, o filme peca pela sua previsibilidade e desafios complexos que, em vez de aumentarem o suspense, contribuem para que a sequela se perca no exagero.

tres estrelas

Título Nacional À Procura de Dory Título Original Finding Dory Realizador Andrew Stanton, Angus MacLane Actores Ellen DeGeneres, Albert Brooks, Ed O'Neill Origem Estados Unidos Duração 97’ Ano 2016

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº40)

 

«Força Ralph» - Disney anuncia a sequela

Força Ralph está de regresso ao grande ecrã e desta vez, está a destruir a internet. A equipa original do filme da Walt Disney Animation Studios nomeada para o ÓSCAR® reúne-se de novo para esta sequela, incluindo o realizador Rich Moore (“Zootrópolis”, “Os Simpsons”) e o produtor Clark Spencer (“Zootrópolis”, “Bolt”). Phil Johnston (argumentista de “Força Ralph”, “Zootrópolis”, “Bem-vindo a Cedar Rapids”) junta-se a Rich Moore como realizador e argumentista do projeto. John C. Reilly e Sarah Silverman regressam como Ralph, o vilão que vira bom, e a rapariga que falha as vitórias, Vanellope Von Schweetz. A sequela ainda sem título chega aos cinemas internacionais em março de 2018.

Os realizadores e John C. Reilly fizeram hoje o anúncio no Facebook em direto.

“A partir do momento em que começamos a trabalhar no primeiro ‘Força Ralph’, sabíamos que estas personagens nos davam muitas possibilidades”, diz Rich, que começou a desenvolver o projeto, pouco tempo após a estreia do primeiro filme e enquanto realizava o muito aclamado filme deste ano, "Zootrópolis", com Byron Howard. Desta vez, a demolição de Ralph causa estragos na internet - como só ele consegue fazer. As personagens que adorámos no primeiro filme estão de volta e estamos em êxtase por estarmos a trabalhar com elas - e com os atores que lhes dão a voz - novamente."

"O universo da internet é o lugar perfeito para enviar Ralph e Vanellope", diz Phil. "O alcance e a escala são tão vastos que originam infinitas hipóteses de comédia". "Ralph é uma personagem muito próxima e querida para mim", acrescenta John Reilly. "Estou realmente ansioso para jogar novamente com ele. Fazer o primeiro 'Força Ralph' foi uma das experiências mais especiais que já tive e estou realmente ansioso para trazê-lo de volta à vida. Conheci tantas crianças de todo o mundo que estão entusiasmadas por o verem outra vez. Dizem-me isto o tempo todo!"

Quando “Força Ralph” estreou em novembro de 2012, tornou-se na maior estreia de fim-de-semana de sempre da Walt Disney Animation Studios, até aquele momento. Nomeado para um ÓSCAR® e um Globo de Ouro® por Melhor Filme de Animação, "Força Ralph" ganhou um prémio PGA assim como cinco prémios Annie, incluindo o de Melhor Filme de Animação, Realizador, Elenco e Argumento. O filme foi considerado o melhor Filme de Animação pela Broadcast Film Critics Association, ganhou um prémio de destaque pelo casting para um filme de animação, pela Casting Society of America e ganhou um prémio Kids’ Choice Award como Filme de Animação favorito.

Fonte: Disney

101 Dálmatas

Dirigido em 1961 pelo triumvirato de veteranos, Reitherman, Luske e Geronimi, Os 101 Dálmatas traz-nos a história de Pongo e Perdita, um simpático casal de dálmatas que vive em Londres com os seus donos Roger e Anita. Perdita está prestes a dar à luz a sua primeira ninhada de cachorros, mas eis que entre em cena a pérfida Cruella de Vil, uma velha colega de Anita, que se oferece para comprar os cachorritos. Roger e Anita recusam separar-se dos cães, mas Cruella não desiste e contrata dois bandidos para que estes raptem a ninhada. Separados dos pais os cachorros vão juntar-se a outros 94 que a malvada Cruella tem presos com o objectivo de usar as suas peles para fazer casacos. Perdita e Pongo conseguem descobrir e libertar os seus filhos e todos os outros dálmatas, mas Cruella descobre-os e move-lhes uma tenaz perseguição através da neve acabando, no entanto, por falhar os seus propósitos e ter antes um merecido castigo.

Inspirado no livro homónimo, da autoria de Dodie Smith, Os 101 Dálmatas é um marco, na história da animação e especialmente na história da Disney, a vários níveis. Em primeiro lugar foi o primeiro filme Disney passado em cenários contemporâneos, depois a história, ao contrário do que era norma até aí, foi desenvolvida apenas por uma pessoa, Bill Peet, um talentoso artista que imprimiu à narrativa e aos personagens a sua marca pessoal. Finalmente este é um filme histórico em termos técnicos pois foi aqui que se usou pela primeira vez a xerografia, técnica de duplicação dos acetatos que permitiu a animação da centena de cães com os seus milhares de manchas pretas. Orçamentado em 4 milhões de dólares o filme ultrapassou em muito as expectativas de Disney tornando-se um dos mais sólidos sucessos do estúdio e conquistando novas gerações sempre que é relançado. Um clássico da animação a que é impossível resistir.

A edição em BD da Disney/ZON Lusomundo inclui os extras que já estavam na edição em DVD do clássico: um documentário, vídeos musicais, cenas eliminadas e trailers.

Como se fez Os 101 Dálmatas
Um documentário de 30 minutos sobre as várias fases de evolução de um filme que marcou um ponto de viragem na arte da animação dos estúdios Disney. Na altura da sua estreia Os 101 Dálmatas foi considerado um objecto contemporâneo de entretenimento a começar pelo seu visual e os personagens, era mais do que uma fantasia e possuía mistério e suspense.

A última produção da Disney que foi pintada à mão foi A Bela Adormecida. Em Os 101 Dálmatas o processo de cópia revolucionou a animação, por outro lado perdeu-se a arte do traço e substituiu-se o processo de pintura à mão. Uma decisão que levou ao encerramento do departamento de coloração da Disney algo que permitiu baixar os custos desta produção. Ub Iwerks, associado de longa data de Walt Disney, foi o impulsionador desta tecnologia.

O documentário contém entrevistas de arquivo com os principais criadores e alguns dos mestres da Disney que estiveram envolvidos no filme, veja-se a entrevista com Ollie Johnson (um dos nove “anciões”) e a conversa com a esposa de Marc Davies (criador de Cruela de Vil).

Os 101 Dálmatas não seguiu a tradição musical das animações Disney mas continha a sua dose de música: Mel Leven criou a canção de Cruela de Vil; coexistiam os ritmos blues; havia ênfase na rima e um toque de paródia com os jingles televisivos que estavam na moda nos Estados Unidos com a propagação da televisão.
O extra possibilita a visualização das imagens reais de referência para os animadores e o trabalho com os modelos dos carros com os testes e os conceitos por detrás da animação dos veículos. Podemos escutar uma curta entrevista com Lisa Davis, a voz de Anita, que aborda a inspiração dos animadores e que utilizaram as suas expressões faciais à heroína do filme. Betty Lou Gerson, a voz de Cruela, também não é esquecida com o seu singular trabalho de voz e a sua carreira na Disney.

O lançamento inclui uma interessante recriação da relação de amizade e trabalho de Walt Disney e Dodie Smith com base na correspondência trocada entre ambos entre 1955 e 1961.

Os extras terminam com trailers e spots de televisão e rádio de Os 101 Dálmatas através das décadas e vídeos musicais do filme. Ainda temos uma versão contemporânea do tema Cruela de Vil interpretado por Selena Gomez.

quatro estrelas

Título Nacional 101 Dálmatas Título Original One Hundred and One Dalmatians Realizadores Clyde Geronimi, Hamilton Luske, Wolfgang Reitherman Vozes Rod Taylor, Betty Lou Gerson, J. Pat O'Malley Origem Estados Unidos Duração 79’ Ano 1971

 

A Viagem de Arlo

«A Viagem de Arlo» é realmente uma jornada de crescimento, com um arco narrativo onde acompanhamos um pequeno e temeroso dinossauro que se separa da sua família quando é arrastado pelas correntes de um rio e vai juntamente com um improvável amigo humano ganhar resiliência e crescer enquanto procura regressar a casa. O filme da Pixar poderá não ter a complexidade dos mais recentes êxitos do estúdio mas é uma animação prodigiosa em termos de execução visual, assombrosa no modo como nos transporta para um cenário natural que é envolvente para personagens e espectadores. A exemplar edição em Blu-ray enfatiza justamente as cores e a complexidade visual. A história e a animação digital andam de mãos dadas num trajecto de amizade, ternura e aventura de Arlo e a criança selvagem, Spot, dois seres sozinhos no mundo que se ajudam mutuamente num ambiente natural cheio de possibilidades mas também de perigosos percalços. A fasquia está sempre alta na Pixar, tende-se a descurar obras e relações menos complexas em cena, o homevideo pode provar que na história destes personagens encontramos várias lições de vida e uma animação de encher a vista.

A edição em Blu-ray é bastante interessante, cenas inéditas, gags e boas featurettes de produção, destaque para um comentário precioso com os principais responsáveis da obra a revelarem segredos e pormenores da animação.

tres estrelas

Título Nacional A Viagem de Arlo Título Original The Good Dinosaur Realizador Peter Sohn Vozes Jeffrey Wright, Frances McDormand, Maleah Nipay-Padilla Origem Estados Unidos Duração 93’ Ano 2016

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº38)

À procura da Pixar

Para onde vai a Pixar? Ou o que é a Pixar enquanto empresa dos estúdios Disney? São questões que se renovam e ampliam face a À Procura de Dory — esta nota foi publicada no Diário de Notícias (23 Junho).

A afirmação da Pixar em 1995, com «Toy Story» (primeira longa-metragem de animação totalmente digital), foi um acontecimento tanto mais significativo quanto abriu uma nova perspectiva sobre os desenhos animados — afinal, os estúdios Disney tinham um concorrente à altura. Resumindo esta história exemplar, lembremos apenas que, em 2006, a Pixar foi comprada pela... Disney (num negócio astronómico de mais de 6,5 mil milhões de euros).

Dez anos depois, face a «À Procura de Dory», a pergunta é incontornável: será que a Pixar chegou a um impasse? De facto, a continuação de «À Procura de Nemo» (2003) é um parente pobre do original, enraizado num erro crasso de definição dramática: a personagem de Dory, com a sua perda de memória de curto prazo, era um bom contraste (comic relief) no contexto do primeiro filme, mas não possui densidade para sustentar o protagonismo que agora lhe é conferido. De tal modo que deparamos com um desenho animado em que a maioria dos gags não são visuais, antes dependem de diálogos pouco imaginativos e repetitivos.

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À Procura de Dory - Submersos na aventura

O filme da Disney•Pixar «À Procura de Dory» volta a dar as boas-vindas ao grande ecrã, ao peixe azul esquecido e preferido de toda a gente, Dory, que está a viver alegremente no recife com Nemo e Marlin. Quando de repente Dory se lembra que tem uma família lá fora e que pode estar à sua procura, recruta Marlin e Nemo para uma aventura que lhe irá mudar a sua vida entre o mar até ao prestigiado Instituto de Vida Marinha da Califórnia (IVM), um centro de reabilitação e aquário.

Num esforço para encontrar a mãe e o pai, Dory pede ajuda a três dos residentes mais intrigantes do IVM: Hank, um polvo rabugento que se escapa frequentemente dos funcionários, Bailey, uma baleia beluga que está convencida que as suas capacidades de eco localização estão avariadas e Destiny, um tubarão-baleia míope.
Ao navegar habilmente pelos complexos internos do IVM, Dory e os seus amigos descobrem a magia nas suas falhas, amizades e família.

Os realizadores estavam ansiosos por responder a algumas perguntas sobre o passado de Dory. “Tem o desejo natural de saber quem é e de onde vem”, diz o realizador Andrew Stanton. “Sempre tive ideias sobre o passado de Dory e decidimos que tinha chegado o momento de o explorar.”
“A perda de memória a curto prazo de Dory, anteriormente usada enquanto fonte de comédia, trouxe-lhe consequências sérias”, diz a produtora Lindsey Collins. “Passou muito tempo sozinha antes de conhecer Marlin. É sempre otimista e alegre, mas no fundo tem medo do que lhe pode acontecer se se perde outra vez. Enquanto luta para lidar com os seus defeitos - não tem problema em aceitar com quem se cruza. Nem se apercebe de que está rodeada de personagens que têm os seus próprios obstáculos a superar.”

“A história é sobre Dory a encontrar-se em todos os sentidos”, acrescenta Andrew. “É irresistível e vulnerável e ainda tem de reconhecer o seu super poder.”

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«À Procura de Dory» apresenta um elenco de vozes de luxo, que volta a dar as boas-vindas ao mar a Ellen DeGeneres («The Ellen DeGeneres Show») e Albert Brooks («Aguenta-te aos 40!»), como os nossos peixes favoritos Dory e Marlin. Ed O’Neill («Uma Família Muito Moderna») empresta a sua voz ao polvo Hank, Kaitlin Olson («Nunca Chove em Filadélfia») dá a voz ao tubarão-baleia Destiny e Ty Burrell («Uma Família Muito Moderna») dá voz à baleia beluga Bailey. A representar os pais de Dory, Charlie e Jenny, estão Eugene Levy e Diane Keaton («Os Coopers São o Máximo«). Com 12 anos, Hayden Rolence entra em cena para ajudar a dar vida a Nemo.

Realizado por Andrew Stanton («À Procura de Nemo», «WALL•E») e co-realizado por Angus MacLane («Toy Story de Terror!»), o filme é produzido por Collins (co-produtor de «WALL•E») e tem John Lasseter como produtor executivo. Com música do compositor veterano, e já um antigo colaborador de Andrew, Thomas Newman («Ponte dos Espiões», «À Procura de Nemo»), o filme da Disney•Pixar «À Procura de Dory» chega aos cinemas portugueses a 23 de Junho de 2016.

Quase 13 Anos depois da estreia subaquática de Dory,
os realizadores voltam a mergulhar

A história é fundamental na Pixar Animation Studios. Se um filme introduz novas personagens ou revisita velhos amigos, começa tudo com uma história que tem de ser contada.

Apesar do filme de 2003, vencedor do ÓSCAR ®, «À Procura de Nemo» ter deixado os realizadores e os fãs completamente preenchidos – houve algo que ficou sempre nas profundezas da mente do realizador Andrew Stanton, embora não se tenha manifestado até há poucos anos atrás. “Apercebi-me que estava preocupado com Dory”, diz. “A ideia de sofrer de perda de memória a curto prazo e a forma como isso a afetou não estava resolvida. E se a perde de novo? Vai ficar bem?”

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A produtora Lindsey Collins acrescenta, “Dory parece tão feliz, mas nunca se tinha apercebido até ter conhecer Marlin. O encontro ao acaso e a amizade que surgiu daí, fez com que Dory sentisse, pela primeira vez desde que era criança, que tinha uma família.”

A família é o tema principal de «À Procura de Dory». “Quando conhecemos Dory, sabemos que não se lembra de onde vem”, diz Andrew. “Mas tem de ter uma família. Questiona, ‘Onde é que estão? “- A sua confusão tem piada, mas existe uma realidade triste nisso. Sabia que havia uma história digna de ser contada.”

De acordo com Andrew, a equipa que criou a história, apresentou Dory no início como alegre, borbulhante e engraçada - atributos que certamente se aplicam à personagem, mas deixou-a sem profundidade. “Parecia um pouco bidimensional”, diz o realizador. “Percebi que mesmo tendo a sua história passada completa na minha cabeça, mais ninguém tinha - incluindo o público. Todos ficaram com boas lembranças dela por ser muito engraçada no filme «À Procura de Nemo». Mas sempre vi isso como uma máscara. Apercebi-me que tinha de mostrar ao público aquilo que lhe aconteceu quando era nova.”

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A história começa um ano depois de Dory e Marlin estarem a viajar pelo oceano à procura de Nemo. A migração das raias mexe com a memória de Dory. “A experiência é muito parecida ao evento que a separou dos pais há muito tempo”, diz Andrew. “É invadida por memórias e de repente fica muito motivada para ir à procura da sua família.”

Num esforço para manter Dory focada para encontrar a sua família, os realizadores tiveram de perceber primeiro os seus problemas de memória. Lindsey diz”, Enquanto Dory se esquece de detalhes do seu dia-a-dia - como o nome de Nemo - a sua memória emocional está muito bem - sabe que ama Nemo e Marlin. E o amor que sente pelos pais também está sempre presente.”
De acordo com o co-realizador Angus MacLane, uma memória marca o início de uma nova aventura. “Começa uma missão - tanto interna como externa - para tentar encontrar a sua família”, diz. “Mas Dory sente que não pode concretizá-la por conta própria e por isso vai falar com a sua nova família - Marlin e Nemo - para também participarem.”

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