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Actualizado às 10:09 PM, May 20, 2019

Festival de Cannes: «The Square» vence a Palma de Ouro

O Festival de Cannes atribuiu a Palma de Ouro a «The Square» do sueco Ruben Ostlund que dirigiu e escreveu a sátira interpretada por Claes Bang e Elisabeth Moss. O júri foi presidido por Pedro Almodóvar e foi composto por Will Smith, Jessica Chastain, Agnès Jaoui, Park Chan-wook, Maren Ade, Paolo Sorrentino, Fan Bingbing e Gabriel Yared.

Sofia Coppola com «The Beguiled» tornou-se a segunda mulher a ganhar o prémio de melhor realização em Cannes, o filme conta com a participação de Nicole Kidman e Colin Farrel. Maren Ade (membro do júri) recebeu o prémio por Sofia Coppola que não esteve presente.

O Grand Prix foi atribuído a «120 Minutos» de Robin Campilo.

Nicole Kidman recebeu um prémio especial do Festival, a actriz esteve em competição com «The Beguiled» e «Killing of a Sacred Deer», ainda participou no certame na mini-série «Top of the Lake» de Jane Campion e no filme «How to Talk to Girls at Parties». O actor Will Smith (membro do júri) recebeu o prémio por Nicole Kidman que não esteve presente.

Joaquin Phoenix regressou aos grandes desempenhos com «You Were Never Really Here» de Lynne Ramsay, interpretou o papel de um assassino profissional que tenta salvar uma jovem prostituta, um desempenho que valeu o prémio de melhor actor. O prémio de melhor actriz foi para a alemã Diane Kruger no filme «In the Fade» de Faith Akin.

O prémio do Júri foi para «Loveless» do russo Andrey Zvyagintsev. O prémio de melhor argumento foi entregue a dois filmes, «The Killing of a Sacred Deer« da habitual dupla de colaboradores Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou e para o argumento de Lynne Ramsay em «You Were Never Really Here».

«A Gentle Night» do realizador chinês Qiu Yang recebeu a Palma de Ouro para melhor curta-metragem. O filme «Katto» de Teppo Airaksinen recebeu uma menção especial nesta mesma categoria.

O prémio Camera d´Or, atribuído à melhor primeira obra no Festival foi para Leonor Serraille pela realização de «Jeune Femme».

A Metropolis teve cinco colaboradores em Cannes, podem ler tudo sobre a 70ª edição do Festival no próximo número da revista.

Site Oficial / Premiados

CANNES: próximo da loucura

Segundo a lei francesa, 12 dias é a duração máxima durante a qual um indivíduo pode ser internado sem consentimento num hospital psiquiátrico; passado esse período, numa sala de audiências do próprio hospital, tendo em conta os relatórios médicos, um juiz tem de avaliar se o internamento do paciente deve ou não ser prolongado. Raymond Depardon, fotógrafo da Magnum (lembremos as suas espantosas imagens dos conflitos no Líbano) e notável documentarista, filma, justamente, essas audiências. Na sua brevidade de menos de hora e meia, o seu filme, intitulado apenas 12 Dias, é um pequeno prodígio de uma verdade eminentemente física que, em última instância, nos aproxima da loucura e dos seus sobressaltos — sem atitudes panfletárias nem moralistas, eis um dos objectos mais singulares de todo o festival.

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"Fábrica de Nada" vence Prémio FIPRESCI no Festival de Cannes

Decorreu hoje, dia 27 de maio, às 16h, em Cannes, a cerimónia de entrega de prémios FIPRESCI do Festival de Cannes.

FÁBRICA DE NADA, filme colectivo assinado por Pedro Pinho e produzido pela Terratreme, venceu o Prémio FIPRESCI 2017, atribuído pela Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica. Este galardão reflete as preferências dos jornalistas presentes nesta edição do Festival.

Paralelamente a este prémio, de acordo com o rating da crítica, FÁBRICA DE NADA é o segundo melhor filme de todas as secções do Festival de Cannes, superado apenas pelos dois episódios de "Twin Peaks", do norte-americano David Lynch.

Numa fase em que tanto se discute o sistema de nomeação dos júris dos concursos de apoio ao cinema, este prémio é mais uma prova da qualidade do cinema português, livre dos interesses das operadoras e televisões. A Terratreme Filmes e seus realizadores estão contra o papel da SECA (Secção Especializada do Cinema e do Audiovisual) na atribuição de verbas públicas de apoio à produção, internacionalização, exibição, distribuição, escrita e festivais nas áreas do cinema e do audiovisual.

Recordar que Manoel de Oliveira foi o único realizador português a receber o Prémio FIPRESCI, em 1997, com o filme "Viagem ao Princípio do Mundo".

Fonte: Terratreme

CANNES: cubismo

Diane Kruger num dos ecrãs do Palácio dos Festivais (durante uma entrevista sobre Aus dem Nichts, de Fatih Akin). A sala grande (Lumière) fica para a esquerda da vidraça; o ecrã está colocado na varanda da sala de imprensa; em cima, a dança de Claudia Cardinale tutela a manhã, ainda nublada, de Cannes. Talvez que o festival seja também (seja mesmo sobretudo) esta paisagem cubista em que a sobrecarga de informações visuais gera um acontecimento, antes mesmo de celebrar os filmes (porventura, em alguns casos, ignorando-os). O certo é que Cannes consegue preservar este sentimento de que o cinema pertence a uma paisagem específica, insubstituível, em que o maravilhamento ainda é possível. Será mesmo um sentimento? Ou uma ideologia? Poderá a cinefilia ser a derradeira ideologia a acreditar na inocência?

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CANNES: Darya Zhovner

A star is born... diz a velha máxima herdada dos clássicos de Hollywood. Em todo o caso, fiquemo-nos pela dimensão mais básica: assistir ao nascimento de um actor ou actriz pode ser um deslumbrante evento. Cannes não tem sido alheio a tal dinâmica — é mesmo um cenário ideal para que tal aconteça. Registemos, por isso, o nome de Darya Zhovner, ainda ausente das listas de IMDb, Wikipedia e afins... No filme russo Tesnota (Closeness, na versão inglesa), ela é uma inigualável aparição, capaz de expor as convulsões de uma personagem que tudo quer fazer, incluindo desafiar os limites do amor, para libertar o irmão, raptado na zona norte do Cáucaso, em 1998. Retratando com surpreendente minúcia e intensidade a vida da comunidade judaica dessa zona, o filme possui uma radical dimensão trágica, revelando também um outro nome que convém colocar nas nossas agendas cinéfilas — cineasta russo, estreante nas longas-metragens, chama-se Kantemir Balagov.

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CANNES: um filme maior

Chama-se L'Atelier e centra-se, precisamente, num atelier de leitura, no Verão, na zona de La Ciotat. Nas mãos de um cineasta banal, seria, talvez, uma crónica em que poderíamos reconhecer modelos correntes de caracterização "social" e "política". Esses modelos estão lá, sem dúvida — até porque o núcleo da intriga é a relação da professora de espírito liberal, parisiense, com um aluno que frequenta personagens ligadas à extrema-direita... O certo é que Laurent Cantet (Palma de Ouro em 2008, com A Turma) filma tudo isso com a precisão formal e a abertura de espírito de quem entende o cinema como um admirável instrumento de observação e interrogação do mundo à nossa volta. Fora dos prémios princípios (está na secção "Un Certain Regard"), L'Atelier é, muito simplesmente, um dos filmes maiores de Cannes/2017.

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CANNES: Haneke, o europeu

Repare-se no extraordinário cartaz de Happy End, de Michael Haneke. Que nos dizem o cronómetro, em cima, e os símbolos circulares, em baixo? Que se trata de uma imagem de um telemóvel... Sim, mas importa sermos mais precisos: dizem-nos também que há um olhar por detrás desta imagem — e que esse olhar remete para um corpo e uma história. Esquematicamente, digamos que se trata de uma rede de personagens de uma burguesia de imagem cínica, clean e europeia, que vive cada vez mais assombrada pela degradação interior dos seus padrões de vida. Mais exactamente: pelo insidioso triunfo de uma cultura da morte, tecida de solidão e indiferença, capaz de contaminar novos e velhos. Aconteça o que acontecer, este é um dos momentos maiores da 70ª edição do Festival de Cannes — e pode valer a Haneke o recorde de uma terceira Palma de Ouro.

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CANNES: directed by Robin Wright

Robin Wright está em Cannes para apresentar «The Dark of Night», curta-metragem que marca a sua estreia cinematográfica na realização (já tinha dirigido vários episódios da serie televisiva «House of Cards»). Trata-se de um exercício realmente curto (10 minutos, fotografados a preto e branco) que, no cenário de um tipico diner, tenta recuperar um certo espírito nostálgico do filme noir -- apesar da competência da execução, os resultados são algo esquemáticos e, no sentido mais limitativo, académicos. Na sua brevidade, o trabalho de Robin Wright ilustra um equivoco "modernista" cada vez mais frequente: o de que bastaria dominar os códigos técnicos de um modelo de narrativa para o actualizar e, por assim dizer, relançar. Not so easy...

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