logo

Entrar
Actualizado às 10:09 PM, May 20, 2019

The Sea of Trees

Embora vaiado por sua aposta numa linguagem mais conservadora, o novo filme de Gus Van Sant confirma o rigor de enquadramentos e a busca pelo refinamento plástico que marcam o cineasta desde «Elefante» (2003). Ao falar sobre a epopeia suicida de um professor de Ciências no Japão, o diretor extrai de Matthew McConaughey mais uma atuação memorável, em um ensaio de tons poéticos sobre a educação pela dor. Abalado pela perda de sua mulher (Naomi Watts), o filme cruza dois diferentes tempos: o passado - no qual o personagem de Matthew luta para salvar a esposa e enfrenta a brutalidade dela – e o presente – no qual ele se embrenha pelas florestas do Japão ao lado de um desconhecido misterioso. O asiático cercado de mistérios é interpretado por Ken Watanabe e ele funciona como a medida do sobrenatural no longa, cuja fotografia do dinamarquês Kasper Tuxen merece indicação ao Oscar.

Rodrigo Fonseca em Cannes

Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº 27

Inside Out

O novo filme da Pixar lida com um tema que os espectadores dos filmes do estúdio de animação conhecem muito bem: as emoções. A raiva, o medo, a repulsa, a tristeza e a alegria, protagonizam grande parte das decisões tomadas por uma rapariga de 11 anos. A mente é o cenário da ação de um filme que nos desvenda o percurso das memórias, os atalhos para o subconsciente e a forma como se consolida a personalidade. As emoções assumem o protagonismo, o que sendo original não deixa de ser excessivo porque o espectador nunca chega a criar uma verdadeira empatia com a criança. Não está à altura das obras primas da Pixar mas é um filme original, que tem o arrojo de lidar bem com algo de novo. Vale a pena saudar um filme totalmente novo da Pixar, o que não sucedia desde «Brave - Indomável» (2012).

Tiago Alves em Cannes

Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº 27

Uma Pastelaria em Tóquio

Este é um daqueles filmes tocados por uma sensibilidade impossível de condensar em qualquer sinopse. Digamos que se trata do retrato de duas personagens unidas pela gastronomia: ele é Sentaro (Nagasi Masatoshi), proprietário de uma espécie de quiosque onde vende guloseimas típicas do Japão; ela é Tokue (Kiki Kirin), uma velha senhora que insiste em ser contratada por Sentaro, oferecendo-lhe a sua receita tradicional da pasta feijão (“an”) que serve de recheio aos clássicos “dorayakis”... A partir daí, Naomi Kawase («A Quietude da Água») constrói uma tocante odisseia, amarga e doce, sobre a aprendizagem, a solidariedade e também o pressentimento da morte.

João Lopes em Cannes

Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº 27

Dheepan - Cannes 2015

O mais recente filme de Jacques Audiard Iida com o problema extremamente atual da imigração na Europa, contando a história de um homem do Sri Lanka, Dheepan (Jesuthasan Anthonythasan), que se refugia em França. É uma saga de uma falsa família, porque Dheepan foge da guerra no seu país acompanhado de uma mulher e de uma menina – os três simulam uma possibilidade de existência familiar. É um filme que observa a falência de diversidade, harmonia e solidariedade na sociedade francesa, expondo as condições dos mais fracos. Como sucede nos filmes de Audiard, as suas personagens estão feridas e encontram a redenção numa réstia de afeto. «Dheepan» não é o filme mais consistente de Audiard – basta citar os anteriores «Um Profeta», 2009 e «Ferrugem e Osso» de 2012 –, mas devido á sua temática acabou por ser oportunamente consagrado com a Palma de Ouro.

Tiago Alves em Cannes

Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº 29

 

 

Assinar este feed RSS