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Actualizado às 11:18 PM, Aug 21, 2019

Café Society de Woody Allen abre Festival da Cannes

Thierry Fremaux, o director do 69º Festival de Cannes (11 a 22 de Maio) seleccionou o último trabalho de Woody Allen «Café Society» para a cerimónia de abertura do evento no Palais des Festivals’ Grand Théâtre Lumière a 11 de Maio.

A estreia mundial do filme no festival marca a terceira vez que Woody Allen tem honras de abertura no certame depois de «Hollywood Ending» (2002) e «Meia-noite em Paris» (2011). «Café Society» é o décimo quarto filme de Woody Allen a participar fora de competição no Festival de Cannes.

O filme tem nos principais papéis Jesse Eisenberg e Kristen Stewart. «Café Society» relata a história de um jovem adulto que chega a Hollywood nos anos 1930 com esperança de trabalhar na indústria do cinema e apaixona-se por uma mulher. É a terceira vez que Jesse Eisenberg e Kristen Stewart contracenam num filme após «Adventureland» de Greg Mottola e «American Ultra: Agentes Improváveis» de Nima Nourizadeh. 

O orçamento do último Woody Allen ascendeu aos 30 milhões de dólares algo pouco usual nas produções do realizador norte-americano, a Amazon vai distribuir o filme nos Estados Unidos.

Também participam em «Café Society» Blake Lively, Parker Posey e Steve Carell. A direcção de fotografia ficou a cargo do veterano Vittorio Storaro («Apocalypse Now» e «O Último Imperador»).

O filme estreia nos cinemas em França no mesmo dia da sua estreia mundial no Festival. Ainda não há data de estreia para o filme em Portugal.

Marguerite & Julien

Na muito discutida representação francesa (especialmente pela imprensa do próprio país), o filme de Valérie Donzelli surgia como o mais “ousado”: a história de um amor incestuoso filmada em tom melodramático assumidamente “antigo”. Infelizmente, quase tudo acontece num plano de banal telefilme, porventura empenhado em valorizar a dimensão “escandalosa” do seu tema. Passa por aqui a vontade de refazer um certo cinema teatral de Jacques Rivette... mas a vontade não chega.

João Lopes em Cannes

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº29)

A Tale of Love and Darkness

Embora tenha trabalhado com alguns dos mais influentes diretores autorais dos EUA, como Woody Allen, Tim Burton, Terrence Malick e (ok! até) George Lucas, Natalie Portman deixou-se influenciar mais pelo diretor número 1 do cinema israelense, Amos Gitai, em seu primeiro longa-metragem de ficção como realizadora. Natalie trabalhou com Gitai em «Free Zone» (2005) e usou o que aprendeu com o mestre para adaptar as memórias de um outro Amos, o escritor Amos Oz, para as telas, num drama dilacerante, capaz de expor seus atributos mais sólidos no comando de uma câmera ligada. Embora politicamente ingênuo, aferroado a uma crença política incapaz de alcançar a transcendência, esta reconstituição histórica dos primeiros anos de Jerusalém como coração do Estado de Israel acerta na maneira como valoriza os dramas individuais de seus habitantes. São pequenos microcosmos inflamados não por questões de governo mas sim por traumas pessoais. E aí que Natalie mostra seu domínio nato da arte de atuar no papel da mãe de Oz.

Rodrigo Fonseca em Cannes

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº29)

The Assassin

Há filmes (ainda há filmes...) que resistem a inscrever-se em qualquer modelo conhecido, por assim dizer inventando a sua própria estética. Este é um desses filmes. O relato das aventuras de uma jovem educada nas artes marciais, na China do séc. IX, evolui como uma fábula sobre as razões da fidelidade, já que a vocação justiceira da protagonista impõe que mate o seu primo... Dir-se-ia um objecto tão delicado como um melodrama intimista, tão grandioso como um espectáculo de ópera — em qualquer caso, uma fascinante experiência sensorial.

João Lopes em Cannes

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº29)

Amy

O documentário «Amy» foi exibido fora da competição e tornou-se num dos objetos de culto do festival. É filme íntimo, apaixonado, envolvente e até chocante sobre o percurso familiar e artístico da cantora que morreu no auge da carreira, com 27 anos. O realizador britânico Asif Kapadia reuniu fotografias e vídeos pessoais, as letras das canções manuscritas pela cantora, e uma série de depoimentos esclarecedores de amigos, músicos e familiares de Amy, incluindo alguns que resistiram a falar durante dois anos. “Amy” revela que a cantora não estava preparada para lidar com tamanho sucesso e de certa forma foi uma vítima da excessiva exposição mediática a que estava sujeita. É um filme justo para com a cantora que não é prejudicada pelas piores revelações.

Tiago Alves em Cannes

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº29)

Youth

Depois de ter ganho o Óscar de melhor filme estrangeiro com «A Grande Beleza», o realizador Paolo Sorrentino alargou os seus horizontes. «Youth», a sua mais recente entrada na competição do Festival de Cannes, é falado em inglês e tem um elenco com os veteranos Michael Caine, Harvey Keitel e Jane Fonda, ao lado de Rachel Weisz e Paul Dano. O filme é uma fábula sobre o comportamento humano, concretamente focado na questão do envelhecimento/rejuvenescimento e na passagem do tempo. Mas também na identidade artística, algo que está presente nos papéis de maestro, realizador e atriz desempenhados por Caine, Keitel e Fonda. O grande formalismo visual que é usual nos filmes de Sorrentino está mais atenuado, o que valoriza a doce humanidade deste filme.

Tiago Alves em Cannes

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº29)

Embrace the Serpent

Uma das sensações da Quinzena dos Realizadores, de onde saiu com o Prêmio C.I.C.A.E., esta exuberante produção em preto e branco, com direção de Ciro Guerra («Los Viajes Del Viento»), colocou a Colômbia no centro das atenções do planisfério cinéfilo ao subverter conceitos etnográficos da observação de espécies indígenas. Parente distante de «Fitzcarraldo», de Werner Herzog, em sua observação sobre a lucidez no limite do risco, o longa-metragem é narrado do ponto de vista de um pajé amazônico. Durante 40 anos, o xamã Karamakate (papel divivido entre os atores Nilbio Torres e Antonio Bolivar) convive com dois cientistas (um da Europa, outro dos EUA) aprendendo as contradições do povo branco. De um lado vem o etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg (Jan Bijvoet ) e, do outro, o biólogo americano Richard Evan Schultes (Brionne Davis). Em meio ao olhar cartesiano de ambos, Karamakate trafega por uma fronteira entre realidade e delírio, na proteção de uma planta imaginária que faz sonhar. Nesse tráfego, ele e espectador aprendem, juntos, a estética da selva.

Rodrigo Fonseca em Cannes

Son of Saul

«Saul Fia» («O Filho de Saul») foi o acontecimento e a revelação da 68ª edição do Festival de Cannes. Primeiro porque se tratava da única primeira obra a competir para a Palma de Ouro entre 19 selecionadas. Segundo, e mais relevante, porque o cineasta húngaro, László Nemes, nascido em 1977, conseguiu fazer um filme invulgar sobre o Holocausto. O dispositivo dramático do filme coloca em cena Saul Ausländer, membro do Sonderkommando no campo de Auschwitz-Birkenau, o grupo de prisioneiros judeus que os nazis forçavam a cooperar nas suas práticas de extermínio. Toda a deambulação da câmara pelos locais do campo está colada aos movimentos de protagonista, e assim vamos adivinhando os horrores pelos diálogos, ruídos, situações vagamente vistas e reações faciais. É um filme original com uma perspetiva realista e testemunhal sobre o que correu no interior daquele campo.

Tiago Alves em Cannes

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