logo

Entrar
Actualizado às 10:16 PM, Dec 11, 2019

Os filmes de Cannes 2016 - Alinhamento Oficial

Foram hoje anunciados os filmes que estarão presentes na 69ª edição do Festival de Cannes, incluem-se vários repetentes e veteranos da competição oficial, o presidente do Festival Pierre Lescure e o director Thierry Fremaux apresentaram um alinhamento que ainda não é definitivo. Thierry Fremaux acrescentou que ainda há filmes que podem ser incluindos num Festival que tem até ao momento um alinhamento de sonho, foram apresentados 49 filmes de 28 países a partir de 1869 filmes submetidos ao Festival.

A secção principal do Festival inclui o último filme de Sean Penn «The Last Face», o coreano Park Chan Wook («Oldboy – Velho Amigo») com «The Handmaiden», a última obra do veterano realizador britânico Ken Loach «I, Daniel Blake» e o romance interracial «Loving» de Jeff Nichols («Procurem Abrigo»). O ultra violento autor Nicholas Winding Refn regressa com «The Neon Demon», uma produção da Amazon. O holandês Paul Verhoeven («Desafio Total») que terá este ano uma retrospectiva no IndieLisboa está em Cannes com «Elle» e do país vizinho chega «Toni Erdmann» de Marie Ade, o primeiro filme alemão em vários anos na competição.

Os romenos surgem em dose dupla na secção competitiva com Cristian Mungiu (Palma de Ouro de 2007 «4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias») com «Baccalaureat» (filme produzido pelos irmãos Dardenne) e Cristi Puiu («A Morte do Sr. Lazarescu») com «Sieranevada». O filipino Brillante Mendoza («Lola») aterra com «Ma Rosa» e o Brasil estará presente com Kleber Mendonça Filho com «Aquarius», um realizador já entrevistado no passado pela Metropolis a propósito de «O Som ao Redor» (2012).

Xavier Dolan («Mamã»), o jovem maravilha que vem do Canadá, estará presente com «Juste la fin du monde» que conta no elenco com três estrelas do cinema francês, Léa Seydoux, Marion Cotillard e Vincent Cassel. Pedro Almodóvar também regressa a Cannes após « A Pele Onde Eu Vivo» de 2011 para apresentar «Julieta». Jim Jarmusch está em duplamente representando no Festival, na competição com « Paterson», filme protagonizando por Adam Driver, fora de competição estará com «Gimme Danger» um documentário sobre Iggy Pop e os The Stooges, o filme passa na secção Midnight Screening.

Outros regulares de Cannes são os irmãos belgas, os Dardenne, duas vezes vencedores da Palma de Ouro com «Rosetta» e «A Criança», este ano Luc e Jean-Pierre Dardenne irão apresentar «La fille inconnue». Os francês surgem na competição com «Personal Shopper» de Olivier Assayas com Kristen Stewart no prinicpal papel, «Ma Loute» de Bruno Dumont, «Rester Vertical» de Alain Guiraudie e «Mal de Pierres» de Nicole Garcia com Marion Cotillard e Louis Garrel fecha as entradas franceses na principal secção do Festival. A principal sessão competitiva encerra o seu alinhamento com a terceira realizadora em competição a britânica Andrea Arnold («Aquário») com «American Honey», uma obra protagonizada por Shia LaBeouf.

Passam fora de competição vários tubarões como Steven Spielberg com «O Amigo Gigante», Jodie Foster com «Money Monster» e Shane Black com «Bons Rapazes», são filmes que incluem elencos que deixarão os paparazzi a salivar.

As grandes ausências do Festival passam pela não presença de nenhum realizador italiano na competição, o recentemente adiado «Silence» de Martin Scorsese e o aguardado filme de Kiyoshi Kurosawa «La femme de la plaque argentique» com Mathieu Amalric, Tahar Rahim e Olivier Gourmet. Este ano o filme de encerramento é substituído pela re-apresentação do filme que será o vencedor da Palma de Ouro. O filme de abertura será «Cafe Society» de Woody Allen.

O Festival de Cannes decorre entre 11 a 22 de Maio e a revista Metropolis volta a fazer história, pelo segundo ano consecutivo teremos quatro jornalistas a cobrirem in loco o Festival para os nossos leitores.

Seleção da 69º Festival de Cannes

Filme de Abertura: Cafe Society, director: Woody Allen (fora de competição)

American Honey, director: Andrea Arnold
Aquarius, director: Kleber Mendonça Filho
Daniel Blake, director: Ken Loach
Elle, director: Paul Verhoven
Family Photos, director: Cristian Mungiu
From the Land of the Moon, director: Nicole Garcia
Gimme Danger, director: Jim Jarmusch (fora de competição)
Goksung, director: Na Hong-Jin (fora de competição)
It's Only the End of the World, director: Xavier Dolan
Julieta, director: Pedro Almodovar
Loving, director: Jeff Nichols
Ma Rosa, director: Brillante Mendoza
Money Monster, director: Jodie Foster (fora de competição)
Paterson, director: Jim Jarmusch
Personal Shopper, director: Olivier Assayas
Sieranevada, director: Cristi Puiu
Slack Bay, director: Bruno Dumond
Staying Vertical, director: Alain Guiraudie
The BFG, director: Stephen Spielberg (fora de competição)
The Handmaid, director: Park Chan Wook
The Last Face, director: Sean Penn
The Neon Demon, director: Nicholas Winding Refn
The Nice Guys, director: Shane Black (fora de competição)
The Unknown Girl, directors: Jean-Pierre and Luc Dardenne
Toni Erdmann, director: Marie Ade

Un Certain Regard

Apprentice, director: Junfeng Boo
After The Storm, director: Hirokazu Kore-Eda
Beyond the Mountains and Hills, director: Eran Kolirin
Captain Fantastic, director: Matt Ross
Clash, director: Mohamed Diab
Dogs, director: Bogdan Mirica
Francisco Sanctis’s Long Night, directors: Francisco Marquez, Andrea Testa
Harmonium, director: Koji Fukada
Inversion, director: Behnam Behzadi
Pericle Il Nero, director: Stefano Mordini
Personal Affairs, director: Maha Haj
Red Turtle, director: Michael Dudok de Wit
The Dancer, director: Stéphanie di Giusto
The Happiest Day in the Life of Olli Maki, director: Juho Kuosmanen
The Stopover, directors: Delphine Coulin, Muriel Coulin
The Student, director: Kirill Serebrennikov
The Transfiguration, director: Michael O’Shea

Sessões Especiais (fora de competição)

Exil, director: Rithy Panh
Hissein Habre, a Chadian Tragedy, director: Mahamet-Saleh Haroun
The Cancer, director: Paul Vecchiali
The Last Days of Louis XIV, director: Albert Serra
The Last Resort, directors: Thanos Anastopoulos, Davide del Degan

Café Society de Woody Allen abre Festival da Cannes

Thierry Fremaux, o director do 69º Festival de Cannes (11 a 22 de Maio) seleccionou o último trabalho de Woody Allen «Café Society» para a cerimónia de abertura do evento no Palais des Festivals’ Grand Théâtre Lumière a 11 de Maio.

A estreia mundial do filme no festival marca a terceira vez que Woody Allen tem honras de abertura no certame depois de «Hollywood Ending» (2002) e «Meia-noite em Paris» (2011). «Café Society» é o décimo quarto filme de Woody Allen a participar fora de competição no Festival de Cannes.

O filme tem nos principais papéis Jesse Eisenberg e Kristen Stewart. «Café Society» relata a história de um jovem adulto que chega a Hollywood nos anos 1930 com esperança de trabalhar na indústria do cinema e apaixona-se por uma mulher. É a terceira vez que Jesse Eisenberg e Kristen Stewart contracenam num filme após «Adventureland» de Greg Mottola e «American Ultra: Agentes Improváveis» de Nima Nourizadeh. 

O orçamento do último Woody Allen ascendeu aos 30 milhões de dólares algo pouco usual nas produções do realizador norte-americano, a Amazon vai distribuir o filme nos Estados Unidos.

Também participam em «Café Society» Blake Lively, Parker Posey e Steve Carell. A direcção de fotografia ficou a cargo do veterano Vittorio Storaro («Apocalypse Now» e «O Último Imperador»).

O filme estreia nos cinemas em França no mesmo dia da sua estreia mundial no Festival. Ainda não há data de estreia para o filme em Portugal.

Marguerite & Julien

Na muito discutida representação francesa (especialmente pela imprensa do próprio país), o filme de Valérie Donzelli surgia como o mais “ousado”: a história de um amor incestuoso filmada em tom melodramático assumidamente “antigo”. Infelizmente, quase tudo acontece num plano de banal telefilme, porventura empenhado em valorizar a dimensão “escandalosa” do seu tema. Passa por aqui a vontade de refazer um certo cinema teatral de Jacques Rivette... mas a vontade não chega.

João Lopes em Cannes

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº29)

A Tale of Love and Darkness

Embora tenha trabalhado com alguns dos mais influentes diretores autorais dos EUA, como Woody Allen, Tim Burton, Terrence Malick e (ok! até) George Lucas, Natalie Portman deixou-se influenciar mais pelo diretor número 1 do cinema israelense, Amos Gitai, em seu primeiro longa-metragem de ficção como realizadora. Natalie trabalhou com Gitai em «Free Zone» (2005) e usou o que aprendeu com o mestre para adaptar as memórias de um outro Amos, o escritor Amos Oz, para as telas, num drama dilacerante, capaz de expor seus atributos mais sólidos no comando de uma câmera ligada. Embora politicamente ingênuo, aferroado a uma crença política incapaz de alcançar a transcendência, esta reconstituição histórica dos primeiros anos de Jerusalém como coração do Estado de Israel acerta na maneira como valoriza os dramas individuais de seus habitantes. São pequenos microcosmos inflamados não por questões de governo mas sim por traumas pessoais. E aí que Natalie mostra seu domínio nato da arte de atuar no papel da mãe de Oz.

Rodrigo Fonseca em Cannes

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº29)

The Assassin

Há filmes (ainda há filmes...) que resistem a inscrever-se em qualquer modelo conhecido, por assim dizer inventando a sua própria estética. Este é um desses filmes. O relato das aventuras de uma jovem educada nas artes marciais, na China do séc. IX, evolui como uma fábula sobre as razões da fidelidade, já que a vocação justiceira da protagonista impõe que mate o seu primo... Dir-se-ia um objecto tão delicado como um melodrama intimista, tão grandioso como um espectáculo de ópera — em qualquer caso, uma fascinante experiência sensorial.

João Lopes em Cannes

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº29)

Amy

O documentário «Amy» foi exibido fora da competição e tornou-se num dos objetos de culto do festival. É filme íntimo, apaixonado, envolvente e até chocante sobre o percurso familiar e artístico da cantora que morreu no auge da carreira, com 27 anos. O realizador britânico Asif Kapadia reuniu fotografias e vídeos pessoais, as letras das canções manuscritas pela cantora, e uma série de depoimentos esclarecedores de amigos, músicos e familiares de Amy, incluindo alguns que resistiram a falar durante dois anos. “Amy” revela que a cantora não estava preparada para lidar com tamanho sucesso e de certa forma foi uma vítima da excessiva exposição mediática a que estava sujeita. É um filme justo para com a cantora que não é prejudicada pelas piores revelações.

Tiago Alves em Cannes

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº29)

Youth

Depois de ter ganho o Óscar de melhor filme estrangeiro com «A Grande Beleza», o realizador Paolo Sorrentino alargou os seus horizontes. «Youth», a sua mais recente entrada na competição do Festival de Cannes, é falado em inglês e tem um elenco com os veteranos Michael Caine, Harvey Keitel e Jane Fonda, ao lado de Rachel Weisz e Paul Dano. O filme é uma fábula sobre o comportamento humano, concretamente focado na questão do envelhecimento/rejuvenescimento e na passagem do tempo. Mas também na identidade artística, algo que está presente nos papéis de maestro, realizador e atriz desempenhados por Caine, Keitel e Fonda. O grande formalismo visual que é usual nos filmes de Sorrentino está mais atenuado, o que valoriza a doce humanidade deste filme.

Tiago Alves em Cannes

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº29)

Embrace the Serpent

Uma das sensações da Quinzena dos Realizadores, de onde saiu com o Prêmio C.I.C.A.E., esta exuberante produção em preto e branco, com direção de Ciro Guerra («Los Viajes Del Viento»), colocou a Colômbia no centro das atenções do planisfério cinéfilo ao subverter conceitos etnográficos da observação de espécies indígenas. Parente distante de «Fitzcarraldo», de Werner Herzog, em sua observação sobre a lucidez no limite do risco, o longa-metragem é narrado do ponto de vista de um pajé amazônico. Durante 40 anos, o xamã Karamakate (papel divivido entre os atores Nilbio Torres e Antonio Bolivar) convive com dois cientistas (um da Europa, outro dos EUA) aprendendo as contradições do povo branco. De um lado vem o etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg (Jan Bijvoet ) e, do outro, o biólogo americano Richard Evan Schultes (Brionne Davis). Em meio ao olhar cartesiano de ambos, Karamakate trafega por uma fronteira entre realidade e delírio, na proteção de uma planta imaginária que faz sonhar. Nesse tráfego, ele e espectador aprendem, juntos, a estética da selva.

Rodrigo Fonseca em Cannes

Assinar este feed RSS