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Actualizado às 9:45 PM, Sep 22, 2019

"Fábrica de Nada" vence Prémio FIPRESCI no Festival de Cannes

Decorreu hoje, dia 27 de maio, às 16h, em Cannes, a cerimónia de entrega de prémios FIPRESCI do Festival de Cannes.

FÁBRICA DE NADA, filme colectivo assinado por Pedro Pinho e produzido pela Terratreme, venceu o Prémio FIPRESCI 2017, atribuído pela Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica. Este galardão reflete as preferências dos jornalistas presentes nesta edição do Festival.

Paralelamente a este prémio, de acordo com o rating da crítica, FÁBRICA DE NADA é o segundo melhor filme de todas as secções do Festival de Cannes, superado apenas pelos dois episódios de "Twin Peaks", do norte-americano David Lynch.

Numa fase em que tanto se discute o sistema de nomeação dos júris dos concursos de apoio ao cinema, este prémio é mais uma prova da qualidade do cinema português, livre dos interesses das operadoras e televisões. A Terratreme Filmes e seus realizadores estão contra o papel da SECA (Secção Especializada do Cinema e do Audiovisual) na atribuição de verbas públicas de apoio à produção, internacionalização, exibição, distribuição, escrita e festivais nas áreas do cinema e do audiovisual.

Recordar que Manoel de Oliveira foi o único realizador português a receber o Prémio FIPRESCI, em 1997, com o filme "Viagem ao Princípio do Mundo".

Fonte: Terratreme

CANNES: cubismo

Diane Kruger num dos ecrãs do Palácio dos Festivais (durante uma entrevista sobre Aus dem Nichts, de Fatih Akin). A sala grande (Lumière) fica para a esquerda da vidraça; o ecrã está colocado na varanda da sala de imprensa; em cima, a dança de Claudia Cardinale tutela a manhã, ainda nublada, de Cannes. Talvez que o festival seja também (seja mesmo sobretudo) esta paisagem cubista em que a sobrecarga de informações visuais gera um acontecimento, antes mesmo de celebrar os filmes (porventura, em alguns casos, ignorando-os). O certo é que Cannes consegue preservar este sentimento de que o cinema pertence a uma paisagem específica, insubstituível, em que o maravilhamento ainda é possível. Será mesmo um sentimento? Ou uma ideologia? Poderá a cinefilia ser a derradeira ideologia a acreditar na inocência?

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CANNES: Darya Zhovner

A star is born... diz a velha máxima herdada dos clássicos de Hollywood. Em todo o caso, fiquemo-nos pela dimensão mais básica: assistir ao nascimento de um actor ou actriz pode ser um deslumbrante evento. Cannes não tem sido alheio a tal dinâmica — é mesmo um cenário ideal para que tal aconteça. Registemos, por isso, o nome de Darya Zhovner, ainda ausente das listas de IMDb, Wikipedia e afins... No filme russo Tesnota (Closeness, na versão inglesa), ela é uma inigualável aparição, capaz de expor as convulsões de uma personagem que tudo quer fazer, incluindo desafiar os limites do amor, para libertar o irmão, raptado na zona norte do Cáucaso, em 1998. Retratando com surpreendente minúcia e intensidade a vida da comunidade judaica dessa zona, o filme possui uma radical dimensão trágica, revelando também um outro nome que convém colocar nas nossas agendas cinéfilas — cineasta russo, estreante nas longas-metragens, chama-se Kantemir Balagov.

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CANNES: um filme maior

Chama-se L'Atelier e centra-se, precisamente, num atelier de leitura, no Verão, na zona de La Ciotat. Nas mãos de um cineasta banal, seria, talvez, uma crónica em que poderíamos reconhecer modelos correntes de caracterização "social" e "política". Esses modelos estão lá, sem dúvida — até porque o núcleo da intriga é a relação da professora de espírito liberal, parisiense, com um aluno que frequenta personagens ligadas à extrema-direita... O certo é que Laurent Cantet (Palma de Ouro em 2008, com A Turma) filma tudo isso com a precisão formal e a abertura de espírito de quem entende o cinema como um admirável instrumento de observação e interrogação do mundo à nossa volta. Fora dos prémios princípios (está na secção "Un Certain Regard"), L'Atelier é, muito simplesmente, um dos filmes maiores de Cannes/2017.

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CANNES: Haneke, o europeu

Repare-se no extraordinário cartaz de Happy End, de Michael Haneke. Que nos dizem o cronómetro, em cima, e os símbolos circulares, em baixo? Que se trata de uma imagem de um telemóvel... Sim, mas importa sermos mais precisos: dizem-nos também que há um olhar por detrás desta imagem — e que esse olhar remete para um corpo e uma história. Esquematicamente, digamos que se trata de uma rede de personagens de uma burguesia de imagem cínica, clean e europeia, que vive cada vez mais assombrada pela degradação interior dos seus padrões de vida. Mais exactamente: pelo insidioso triunfo de uma cultura da morte, tecida de solidão e indiferença, capaz de contaminar novos e velhos. Aconteça o que acontecer, este é um dos momentos maiores da 70ª edição do Festival de Cannes — e pode valer a Haneke o recorde de uma terceira Palma de Ouro.

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CANNES: directed by Robin Wright

Robin Wright está em Cannes para apresentar «The Dark of Night», curta-metragem que marca a sua estreia cinematográfica na realização (já tinha dirigido vários episódios da serie televisiva «House of Cards»). Trata-se de um exercício realmente curto (10 minutos, fotografados a preto e branco) que, no cenário de um tipico diner, tenta recuperar um certo espírito nostálgico do filme noir -- apesar da competência da execução, os resultados são algo esquemáticos e, no sentido mais limitativo, académicos. Na sua brevidade, o trabalho de Robin Wright ilustra um equivoco "modernista" cada vez mais frequente: o de que bastaria dominar os códigos técnicos de um modelo de narrativa para o actualizar e, por assim dizer, relançar. Not so easy...

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CANNES: paisagem urbana

Actualmente, o horizonte de Cannes é definido pela figura dançante de Claudia Cardinale. Neste caso, trata-se da zona da entrada principal para o Grande Auditório Lumière, no Palácio — seja como for, a imagem radiosa do cartaz da edição nº 70 do certame está literalmente em todo o lado, desde os grandes espaços de exposição pública até à montra da mais modesta mercearia. Este é, de facto, um evento que transfigura toda a paisagem urbana, mobilizando milhares de jornalistas (ainda não se sabem números oficiais, mas este ano as acreditações devem ultrapassar os 4 milhares), produtores, distribuidores e exibidores de todo o mundo — 3450 é o número de títulos a serem exibidos nas sessões do Mercado do Filme. Daí a tradicional moral da história: Cannes é também o festival em que importa saber "escolher" o que não é possível ver...

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CANNES: memórias de 1946

O Festival de Cannes nasceu, em grande parte, como uma manifestação apostada em concorrer com a Mostra de Veneza, iniciada em 1938. Acontece que a primeira edição do certame da Côte d'Azur, prevista para Setembro de 1939, foi adiada devido à invasão da Polónia pelo exército de Adold Hitler, iniciada no dia 1 de Setembro (e, com ela, a Segunda Guerra Mundial). Tudo começou, então, em 1946 (20 Setembro / 5 Outubro) — estavam representados dezoito países na selecção oficial; este ano, são vinte e sete.

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