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Actualizado às 10:13 PM, Aug 20, 2019

«Frankie» - crítica

Sai de Cannes com aura de filme maldito. Foram poucos aqueles que se deixaram tocar pela brisa amarga deste conto de despedida de vida numa Sintra com as quatro estações.
«Frankie» é a prova viva da astúcia de um cineasta capaz de criar uma espécie de jogo de duplos e múltiplos sentidos. O cineasta é o revigorante Ira Sachs e a protagonista é a Sintra pejada de turistas, mas também de silêncios sobre o mar. Tudo se passa numas férias de família de uma atriz famosa que junta marido, filhos, amigos e o ex-marido para a sua despedida: está a morrer de cancro. Antes, é esta atriz, Frankie para os amigos, que quer deixar o tabuleiro do futuro pronto, sobretudo em relação aos filhos.
Masterclasse de subtileza, «Frankie» é uma peça rara de relojoaria que vai crescendo em nós.
Isabelle Huppert não é Isabelle Huppert (e isso é elogio expresso, realce-se) e, depois, há uma enorme Marisa Tomei, um Brendan Gleeson maior do que a vida e uma pequena participação de Carlotto Cota para fazer parar o trânsito.

«Port Authority» - crítica

Eis uma love story ambientada na cena LGBTQ da dança (vogue é o estilo em foco) de Nova York. Esta longa é produzida pelo carioca Rodrigo Teixeira e sua RT Filmes (de «Chama-me Pelo Teu Nome»). Nela, Danielle narra o enamoramento entre o jovem Paul (Fionn Whitehead) e Wye, diva adolescentes de um grupo de dançarinos gays, representação de Leyna Bloom (cujo talento coleciona elogios na Europa). A relação entre eles corre no auge do encantamento até que ele descobre que ela é uma mulher trans. Apoiada por conselhos de Scorsese durante todo o processo (“este filme não traz um universo que ele filme, mas fala de um mundo que ele respeita e quer entender mais”, diz a diretora de 37 anos), Danielle buscou um elenco de intérpretes não conhecidas do público. O seu esforço era evitar que a fama de algum ator conhecido pudesse ofuscar a relação de descoberta que tenta retratar. “Relações transgénero em Nova York são bem comuns. Mas muitos lugares do mundo, jovens cisgênero ainda se sentem ‘menos homens’ por amarem mulheres que aparentam um traço masculino de base no corpo”, diz Danielle. “Meu desejo era quebrar barreiras e diluir a intolerância”.

«La Femme de Mon Frère» - crítica

A longa-metragem que marca a estreia na realização da atriz canadiana Monia Chokri, que conhecemos dos filmes de Xavier Dolan («Laurence Para Sempre» e «Amores Imaginários»), conta a história de uma mulher que sente um amor platónico e sem limites pelo seu irmão, o que a coloca numa situação desconfortável quando ele se apaixona por uma rapariga sedutora, independente, e profissionalmente bem sucedida. Sophia vê na namorada do irmão aquilo que não consegue atingir na vida. Ela é super qualificada para a maioria dos empregos mas não tem experiência em nenhum trabalho, não consegue estabilizar nas relações emocionais e está prestes a perder o irmão com quem tem uma relação de enorme cumplicidade. Parece uma comédia familiar televisiva, mas a direção da história segue a perspetiva confusa da sua protagonista criando dinâmicas familiares burlescas e momentos genuinamente melancólicos. O júri do Un Certain Regard rendeu-se e atribuiu o prémio especial Coup de Coeur.

* Crónica publicada na revista Metropolis nº69 (Junho/Julho 2019)

«Sibyl» - crítica

Virginie Efira, estrela do momento em França, tem uma atuação hilariante, a meio de um áspero cenário de reconfigurações do feminino, na pele de uma psicanalista acossada por uma atriz que se torna sua paciente a fim de expurgar males de amor em meio a uma filmagem. Adèle Exarchopoulos interpreta a atriz em crise, obrigada a filmar com a cineasta (Sandra Hüller) que roubou seu namorado. Um dos melhores argumentos que passaram pelo Palais deste ano.

* Crónica publicada na revista Metropolis nº69 (Junho/Julho 2019)

A Ilusão de Cannes o Último Refúgio do Cinema de Outrora

 Sem rodeios, sempre associamos o Festival de Cannes ao seu tapete vermelho, o que por si só representa um estado glamouroso que paraleliza com as artes, a feira das vaidades, as fantasiosas vidas destas estrelas e os filmes que vivem das suas promessas. E por um lado, é isso mesmo, um vórtice de tudo aquilo que resume a existência de Cannes, mas dentro desse cinismo, possivelmente, queremos acreditar que exista uma certa ingenuidade, se não inocência, perante o sonho da Sétima Arte nesses recantos.

Como tal encontraremos esse discurso nas intervenções de Thierry Frémaux, o diretor artístico, que tem sido alvo de crítica após as suas constantes avessas com a Netflix. Em jeito de defesa, repetidamente proferiu pela preservação do Cinema enquanto imagens de grande ecrã e sobretudo a experiência coletiva pelo marcou essa invenção dos Lumiére, e é através dessa persuasão, que apela à nossa necessidade de nostalgia, que queremos realmente acreditar em Frémaux e literalmente “cuspir” em todas propostas oriundas dos cantos da Netflix e dos congêneres de streaming.

Contudo, enquanto jornalistas, mas acima de tudo cinéfilos, é nas suas crenças partilhadas que desejamos rever Festival de Cannes como o último reduto do espectáculo em projeção. Nesse aspecto, Cannes é um circo, que vangloria os seus 73 anos de existência (em 72 edições) pela passadeira e tal como pais que percebem a sua negligência para com os seus filhos, compensam-nos brindando com tudo aquilo que nos transporta diretamente pela carruagem do saudosismo, desde a homenagem a Agnès Varda na sua Gala, o tributo a Buñuel ou o último filme de Lelouch em Fora de Competição, guloseimas contra um acelerado vento de mudança.

Sendo assim, até eu prefiro render à prolongada mentira do que viver no questionável progresso da verdade, porém, o oásis que Cannes se tornou não corresponde ao atual estado da indústria do audiovisual no resto do Mundo. E como tal é preciso acordar e apurar o porquê dessas mudanças e principalmente, conscientizar a importância na mentira que Cannes se tornou.

* Crónica publicada na revista Metropolis nº69 (Junho/Julho 2019)

 

  • Publicado em Feature

«Verão (Leto)» - crítica

Batizado em referência a uma canção (traduzida em Português como “Verão”), «Leto» revive a saga do compositor e roqueiro soviético de origem coreana Viktor Tsoi (1962-1990), cujas letras serviram de bandeira para uma geração que cresceu vendo a URSS desintegrar-se. As letras rimam com a liberdade, cantada com ecos punk à la Ramones pela sua banda, Kino. Ele foi “o” poeta de Leningrado, o Leningrado do R-Rock, o rock n´roll russo. Realizador deste apaixonante musical, Kril Serebrennikov, que nasceu em 1969, ouviu Tsoi na sua juventude e levou os ideais do músico para o seu cinema e para os palcos, onde militava à frente do Centro Gógol de Teatro Contemporâneo até ser preso, em agosto, no fim das filmagens da saga de Viktor. A acusação - uso indevido de verbas públicas – não foi comprovada, o que deflagrou uma campanha em Cannes (com pins e t-shirts) pela sua libertação. O diretor artístico do evento, Thierry Frémaux, pediu um induto ao presidente Vladimir Putin para que ele fosse libertado para participar da sessão de gala de «Leto», na quarta. A resposta: “Seria um prazer ajudar Cannes, mas, na Rússia, a justiça é independente”.

[crítica publicada na Revista Metropolis nº 60 de Junho de 2018]

Sessão Metropolis «Shoplifters - Uma Família de Pequenos Ladrões» - convites Lisboa e Porto

Depois de uma das suas sessões de furtos, Osamu e seu filho encontram uma menina sob um frio gélido.

No início, relutante em abrigar a menina, a esposa de Osamu acaba por concordar em abrigá-la.

Embora a família seja pobre, mal ganhando dinheiro suficiente para sobreviver, através de pequenos crimes, eles parecem viver felizes juntos, até que um incidente imprevisto revela segredos escondidos, testando os laços que os unem...

Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2018.

SHOPLIFTERS

 

Passatempo

A Legendmain Filmes e a Revista Metropolis têm para oferecer convites duplos para as sessões especiais de «Shoplifters - Uma Família de Pequenos Ladrões» em Lisboa e Porto.

Sala e sessão

LISBOA
Cinema City Campo Pequeno, terça-feira, 20 de Novembro, 21h15 (sessão exclusiva antecedida de apresentação)

PORTO
Cinema Trindade, terça-feira, 20 de Novembro, 21h15 (sessão exclusiva antecedida de apresentação)

(*) Por disposição dos promotores deste evento, os premiados apenas poderão levantar um convite em seu nome, independentemente dos passatempos em que ganharam. Não serão entregues convites mediante apresentação da identificação pessoal do vencedor por outras pessoas, nem cópias dos referidos documentos.

Por favor leia as regras dos passatempos

Para se habilitar a um dos convites válidos para duas pessoas que temos para oferecer, seja preferencialmente nosso fã no Facebook. Basta colocar um gosto na nossa página. Se já é nosso fã, o nosso muito obrigado! E responda a uma pergunta.

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CONVITE ANIVERSÁRIO
* Se o seu aniversário for em Novembro ou Dezembro, envie a sua participação directamente para Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. (Assunto: «Shoplifters») com a resposta, o seu nome completo e número de CC ou BI e sala de cinema. Envie ainda a cópia de um documento que inclua o seu nome e data de nascimento – a parte da frente do seu cartão de cidadão, de um qualquer diploma ou qualquer outro documento que apresente essas informações de forma clara).

REGRAS GERAIS DOS PASSATEMPOS

* SE NUNCA GANHOU CONVITES METROPOLIS PODE INDICÁ-LO NA ÁREA DOS COMENTÁRIOS.
* Os dados comunicados não serão revelados a terceiros.
* Todas as participações serão numeradas por ordem de chegada e um programa informático seleccionará as premiadas;
* Solicitamos a todos os participantes que consultem com regularidade as suas caixas de correio, incluindo o "Lixo";
* O envio de mails aos premiados até cerca de 24 horas antes da sessões é uma cortesia. A Metropolis publica listas de premiados pouco depois do apuramento.
* Os convites são válidos no limite dos lugares disponíveis e devem ser levantados atempadamente antes da hora marcada para a sessão. A METROPOLIS não se responsabiliza caso a sua entrada seja recusada por excesso de lotação.
* Os faltosos serão excluídos de futuras ante-estreias METROPOLIS. Por favor, participe apenas se desejar e puder estar presente.
* Evite participar em seu nome e no de mais de 20 amigos. A não ser que eles não tenham acesso a internet, não há justificação para que não sejam eles a fazê-lo. As hipóteses de ganhar aumentam com as participações verdadeiramente individuais.

 

CANNES: Spike Lee

Em 1978, o detective Ron Stallworth, oficial de polícia no estado do Colorado, conseguiu infiltrar-se na rede racista do Ku Klux Klan... O simples facto de Stallworth ser um indivíduo de pele negra torna a sua história um caso extraordinário no interior da história mais geral dos afro-americanos. Agora, Spike Lee revisita essas memórias em «BlacKkKlansman», prodigiosa abordagem nas tensões raciais, com evidentes e assumidas ressonâncias no nosso presente — é, para simplificar, um dos filmes maiores de Cannes/2018, desses que são capazes de discutir, politicamente, a percepção do próprio real.

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