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Actualizado às 11:08 AM, Oct 16, 2019

«O Céu é o Limite» de Steven Soderbergh

No meio de um bloqueio profissional na área de basquete, o agente desportivo Ray Burke (André Holland) dá consigo em confronto entre a liga e os próprios jogadores. A sua carreira está a chegar ao fim, mas Ray está a jogar para apostas mais altas. Apenas com 72 horas para pôr em prática o seu plano mais ousado, Ray supera todos os jogadores quando descobre uma forma de mudar o jogo para sempre. O resultado levanta questões sobre quem ganha o jogo – e quem realmente o deveria ter ganho

Realizado pelo vencedor de um Óscar, Steven Soderbergh (Traffic), com argumento do também vencedor Tarell Alvin McCraney (Moonlight), O CÉU É O LIMITE (HIGH FLYING BIRD) apresenta um elenco de peso com Zazie Beetz, Melvin Gregg, Sonja Sohn, Zachary Quinto, Kyle MacLachlan e Bill Duke, e conta ainda com a participação de alguns atletas na NBA como Reggie Jackson, Karl-Anthony Towns and Donovan Mitchell.

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Fonte: Netflix

Mosaic: a alegoria de Steven Soderbergh sobre a solidão

«Mosaic», a série realizada por Soderbergh e estrelada por Sharon Stone, estreia no TVSéries esta madrugada, à 1h. A METROPOLIS teve acesso em primeira mão à nova aposta da HBO e diz-lhe o que pode esperar.

“A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela afasta-se dois passos. (...) Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”, escreveu o uruguaio Eduardo Galeano. O seu motto sintetiza parte da ambição narrativa de «Mosaic», a nova aposta do TVSéries, que obriga as suas personagens a movimentarem-se sempre para algum lado; em busca de algo nem sempre percetível. Esta não é uma série sobre um crime, é um thriller sufocante que inclui e ‘rodeia’ um crime, mas que vai muito para além dele. E nos força também, enquanto espectadores, a acompanhar esta viagem. No final, percebemos que tudo não passou de uma distração (e das boas!).

Todos os envolvidos deixam parte de si na ‘tela’, a fim de construir este “Mosaico”, onde as cores e as formas vão encaixando episódio após episódio, até surgir uma imagem nítida. Com uma realização cinematográfica, e dentro do estilo sombrio a que Steven Soderbergh nos habituou, a minissérie marca ainda o regresso do argumentista Ed Solomon («MIB – Homens de Negro», «Os Anjos de Charlie», «Mestres da Ilusão») à televisão, onde já não parava desde 1992. Sharon Stone surge em força e dá ao ar da sua graça com uma personagem que acaba por ser uma caricatura de si própria: uma mulher perto dos 60 anos, bem-sucedida, mas sem estabilidade (pública) na vida pessoal. (Ironicamente, foi noticiado há dias que a atriz teria um relacionamento com um jovem desconhecido...)

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Quanto à história, Olivia Lake (Sharon Stone) é uma autora apostada em causas humanitárias, nomeadamente no apoio a crianças por via da arte. Mas quando caminha nas sombras, quase impercetível, é uma figura solitária que procura ser correspondida. Como tal, é vulgar interessar-se e desinteressar-se pelos homens que passam na sua vida, indo facilmente do 8 ao 80, mas também do 80 para o 8. A intensidade que emprega à sua vida social é acompanhada por diálogos bem estruturados, consolidação de personalidades e, sobretudo, por ações/reações (até silenciosas) fitadas pela câmara. Como um “Mosaico”, os acontecimentos vão-se sucedendo e, com isso, também os problemas: Michael O'Connor (James Ransone) quer comprar o terreno onde Olivia está, o artista em dificuldades Joel Hurley (Garrett Hedlund) não corresponde ao interesse e Eric Neill (Frederick Weller) é uma fraude. A narrativa aproxima-se do seu auge logo no segundo episódio, quando Olivia desaparece (provavelmente assassinada). Quem foi o/a responsável?

A banda sonora é o ingrediente extra que alia tudo o resto, num constante ambiente de tensão e mistério, habitado pelas personagens que, tendencialmente, até exageram as suas reações. É uma montagem quase teatral, onde a câmara viaja, sem pudor, nas costas das personagens, ou com perspetivas que contrariam o estilo dito padrão. No entanto, é incontestável que o ingrediente-chave deste enredo é Soderbergh e a sua lente, pelo que é uma série que dá resposta a um nicho e não necessariamente ao público em geral. Sobretudo pelo desaparecimento progressivo do mistério, que passa várias vezes para segundo plano, permitindo assim o crescimento das personagens. Quem está à procura de uma série quase policial, pura e dura, vai ter, provavelmente, as suas expetativas goradas. A verdade é que «Mosaic» tem todos os ingredientes de uma série do género, mas raramente recorre a eles sem um objetivo próprio.

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Assim como a utopia para a qual se caminha na batalha da (auto)concretização, também a narrativa de «Mosaic» explora os contornos dúbios da vitória sobre a solidão. É um diálogo humano de Soderbergh e Solomon com o seu público, feito numa sucessão de imagens escuras, tons agudos e frases capazes de nos derrotarem. No fundo, é uma análise diferente ao modo como as nossas escolhas, e depois as nossas ações, têm sérias implicações no futuro e ganham, assim, a capacidade de construir ou destruir o “Mosaico” que é a vida. Destaque ainda para o elenco de luxo, que conta com nomes como Jennifer Ferrin, Beau Bridges, Paul Reubens, Allison Tolman e Michael Cerveris. No entanto, a estrela é sem dúvida Sharon Stone, poderosa e segura de si, que é capaz de ‘roubar’ todas as cenas em que entra.

«Mosaic» surpreende ainda com a aposta numa aplicação, disponível para IOS e Android, que permite ao espectador escolher o seu caminho ao longo da história. Além disso, também é possível optar por perspetivas diferentes, das diversas personagens, e detetar novas pistas, a fim de criar a própria versão do mistério (https://www.hbo.com/mosaic).

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The Girlfriend Experience

A Starz continua a provar ser o canal de televisão norte-americano a apresentar as séries mais inovadoras e, sem margem para dúvidas, as mais ousadas da actualidade. Assim, após o surpreendente «Flesh and Bone» aí está mais um exercício de pura sedução: «The Girlfriend Experience». A série é inspirada pelo filme homónimo de Steven Soderbergh, em Portugal baptizado de «Confissões de Uma Namorada de Serviço», de 2009, que tinha como protagonista a super estrela porno Sasha Grey, mas, curiosamente, em termos de situações explícitas a longa-metragem é pálida face a esta série. Steven Soderbergh também produz a série que é desenvolvida pela dupla Lodge Kerrigan e Amy Seimetz que pegam no conceito dos argumentistas do filme de 2009, David Levien e Brian Koppelman, e lançam-no na estratosfera com a estonteante Riley Keough à cabeça numa performance inesquecível. A jovem actriz, que tem uma árvore genealógica interessante (é a neta de Elvis e Priscilla Presley), foi um anjo da Victoria’s Secret e foi vista recentemente no papel de uma das parideiras de Immortan Joe em «Mad Max: Estrada da Fúria». Este cometa chamado Riley Keough tem uma entrega total no seu desempenho a nível físico e psicológico, o seu estatuto só sai reforçado depois de «The Girlfriend Experience», um daqueles trabalhos que define para sempre uma carreira, é impossível ver a série sem a presença estilhaçante de Keough. Daqui a um ano ainda estaremos a pensar nela.

TV the girlfriend experience

A história segue a entrada de Christine Reade (Riley Keough), uma personagem que possui os atributos de sonho de qualquer mulher, é uma visão de beleza, inteligência e carisma. Christine é impelida por uma extraordinária força de vontade, o seu desejo de ter sucesso e o cumprir das suas metas tornam-na implacável a vestir várias peles e a compartimentar os vários mundos onde se move ao longo do seu percurso na primeira temporada. A série começa com Christine como uma estudante de direito, com pouco dinheiro para pagar a renda, começa o estágio numa firma de advocacia. Christine é convidada por Avery Suhr (Kate Lyn Sheil), a sua colega de curso, para acompanhá-la num serviço a um “namorado”, esta é a sua porta de entrada na Girlfriend Experience, um serviço de acompanhantes de luxo. Os treze episódios da série não são apenas uma trip de sensualidade e puro erotismo, tornam-se um salto na complexidade emocional e física da personagem, o prazer que ela retira, o controlo sobre as situações e os seus clientes, as fronteiras emocionais que se estabelecem, as fantasias que se criam, a sua relação com o corpo e a sexualidade, a ambição no ambiente corporativo, as distantes relações com a sua família e a definitiva emancipação.

No percurso de Christine há pontos de contacto entre os universos que por vezes parecem distantes mas estão bem próximos no Olimpo do capitalismo, veja-se a injecção de capital que cria dilemas éticos quer no mundo das acompanhantes de luxo quer em elementos corruptos da firma de advocacia. Neste último caso, o foco está no personagem de Paul Sparks («Boardwalk Empire»), David Tellis, um sócio da firma que na realidade se comporta como uma criança mimada que pensa que tem o mundo aos seus pés actuando sem pensar nas consequências até se cruzar com alguém mais perspicaz do que ele quando se envolve com Christine, a estagiária da firma.
Os criadores da série, Lodge Kerrigan e Amy Seimetz, entrevistaram várias escorts de luxo que providenciaram as suas histórias pessoais que serviram para inspirar vários momentos de «The Girlfriend Experience» no perfil e os dilemas da protagonista na criação das fantasias aos seus clientes e a si própria. É preciso sublinhar que neste processo narrativo, os criadores criaram e exploraram uma figura e uma narrativa onde não se cai na tentação de julgar a protagonista, nunca foi ambição deste registo, uma decisão que facilita o modo como processamos e nos relacionamos com a história da metamorfose de uma personagem deixando o ónus das acções de Christine para a consciência de cada espectador.

A acção da série desenrola-se em Chicago mas foi rodada em Toronto e muitas das vezes com luz natural permitindo criar mais intimidade para os actores dando mais ênfase na performance em situações que o assim exigiam para se criar o efeito desejado. O trabalho de fotografia e encenação é muito trabalhado sempre com o foco na perspectiva, no olhar e na reacção na performance de Riley Keough. Os cenários, o design de som e os figurinos são de uma exuberância absoluta, os melhores restaurantes e hotéis são o reflexo da personalidade e a vida imersiva de Christine.

Nunca uma crise de identidade foi tão sensual e subliminar como «The Girlfriend Experience», um dos grandes momentos de televisivos em 2016.

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Steven Soderbergh - regresso às longas-metragens

Steven Soderbergh que há muito tempo anda a prometer a sua reforma antecipada vai felizmente desiludir os fãs para dirigir Riley Keough em «Logan Lucky», a actriz tem uma performance de sonho em «The Girlfriend Experience» [destaque da edição 38 da Metropolis], uma série produzida por Soderbergh.

O elenco de «Logan Lucky» inclui ainda Adam Driver e Channing Tatum com quem Riley Keough já contracenou em «Magic Mike». Julga-se que Seth MacFarlane também possa estar envolvido no projecto após a saída de Michael Shannon devido a conflitos de agenda. 

O enredo de «Logan Lucky» relata a história de dois irmãos que decidem arquitectar um assalto durante uma popular corrida de automóveis da NASCAR

A última longa-metragem de Steven Soderbergh estreada em Portugal foi «Efeitos Secundários» (2013), um magnifico thriller com Rooney Mara, Channing Tatum e Jude Law, um filme que passou despercebido um pouco por todo mundo.

Jack O´Connell na nova série de Steven Soderbergh

A série de Scott Frank, «Godless», que em tempos esteve em calha para ser um projecto cinematográfico transformou-se num objecto de luxo para visionar brevemente nos pequenos ecrãs da Netflix.

Jack O´Connell foi eleito o protagonista desta série limitada de seis horas, o jovem actor estreia-se esta semana nas salas nacionais ao lado de Julia Roberts e George Clooney em «Money Monster», um filme dirigido por Jodie Foster.

A narrativa de «Godless» relata as aventuras de um fora-de-lei, Frank Griffin, que persegue o seu ex-companheiro que se transformou no seu inimigo mortal, no meio desta senda, o anti-herói da história vai parar a uma cidade governada por mulheres...

«Godless» tem o argumento de Scott Frank, a produção deste western está a cargo de Steven Soderbergh.

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