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Actualizado às 12:33 AM, Nov 18, 2019

«Segredos Oficiais» - trailer

Em 2003, enquanto os políticos em Inglaterra e nos EUA procuram invadir o Iraque, Katharine Gun (Keira Knightley), uma tradutora do GCHQ - serviço de inteligência britânico responsável pela garantia de informação ao Governo Britânico e às Forças Armadas -, divulga um email secreto onde é pedido para que membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas sejam espiados, com o objetivo de os forçar a votar favoravelmente a resolução para validar a guerra.

Acusada de violar a Lei dos Segredos Oficiais, e enfrentando a possibilidade de ser presa, Katharine e os seus advogados iniciam a defesa da ação dela. Com a vida, liberdade e casamento ameaçados, ela tem de defender aquilo em que acredita...

SEGREDOS OFICIAIS aborda um acontecimento verídico que viria a ganhar uma dimensão significativa, tornando-se numa causa célebre entre ativistas antiguerra.

«O Corvo Branco» de Ralph Fiennes

Um jovem de apenas 22 anos, vestido com uma boina preta e um fato escuro justo, viaja num avião de São Petersburgo para Paris. Estamos em 1961 e Rudolf Nureyev, ainda não é uma figura lendária e majestosa: dança na mundialmente famosa companhia Ballet Kirov e viaja pela primeira vez para fora da União Soviética.

A vida parisiense encanta Nureyev e o jovem bailarino está ansioso por consumir toda a cultura, arte e música que a deslumbrante cidade tem para oferecer. Mas os agentes do KGB, que observam cada movimento seu, tornam-se cada vez mais desconfiados do seu comportamento e da amizade com a jovem parisiense Clara Saint. Quando finalmente confrontam Nureyev com uma exigência chocante, ele é obrigado a tomar uma dolorosa decisão que poderá mudar para sempre o curso da sua vida e colocar a sua família e amigos em grande perigo.

Da infância pobre de Nureyev na cidade soviética de Ufa, ao seu despontar como estudante de dança em Leninegrado e à chegada ao epicentro da cultura ocidental na Paris do início da década de 1960, “O CORVO BRANCO” é a história verídica do percurso incrível de um artista único que transformou para sempre o mundo do ballet.

Mergulho Profundo

«É bem verdade que, ao longo das últimas décadas, nos habituámos a desconfiar da própria noção de “remake”: os efeitos de repetição sobrepuseram-se muitas vezes a qualquer conceito de reinvenção, no limite desvalorizando a própria memória cinematográfica e cinéfila. Daí a deliciosa revelação que é «Mergulho Profundo», filme do italiano Luca Guadagnino que, em pleno século XXI, aposta em refazer «A Piscina» (1969), de Jacques Deray, um fenómeno de culto protagonizado por Romy Schneider e Alain Delon.

Poderá, talvez, perguntar-se: porquê refazer um clássico? Mas a pergunta é, em si mesma, equívoca. De facto, «A Piscina» está longe de merecer tal classificação, o que não impede que possua um especial valor histórico e simbólico. Através das cores quentes e da luz sensual da Côte d’Azur francesa, o filme de Deray — para mais centrado num par famosíssimo na época — possui algo de premonitório na definição de determinados padrões do erotismo cinematográfico, directa ou indirectamente decorrentes das ilusões libertárias da década de 60.
Agora, Guadagnino refaz o quarteto central de «A Piscina», deslocando-o para uma pequena ilha no estreito da Sicília, desenvolvendo uma teia em que a entrega amorosa se enreda com a possibilidade de traição e, por fim, a presença do mal conduz a uma coexistência perversa entre desejo e remorso, sexo e morte.

É um filme que, por assim dizer, nasce de um realismo à flor da pele para desembocar numa exuberância formal em que as matérias musicais desempenham um papel fundamental (a “recriação” da canção Emotional Rescue, dos Rolling Stones, por Ralph Fiennes, constitui um dos momentos mais insólitos e fascinantes). O seu visual não é estranho à sedução da pintura, a ponto de o título original, «A Bigger Splash», evocar um célebre quadro de David Hockney datado de 1967.

Semelhante dialéctica coloca Guadagnino (autor do excelente «Eu Sou o Amor», lançado em 2009) numa árvore genealógica a que, obviamente, pertence Luchino Visconti, mas onde podemos também reconhecer o gosto por uma certa sensibilidade “kitsch” inerente à produção de série B. As notícias mais recentes são, aliás, reveladoras: para 2017, Guadagnino prepara um “remake” de «Suspiria» (1977), de Dario Argento — Tilda Swinton e Dakota Johnson, presentes em «Mergulho Profundo», integrarão o respectivo elenco. 

quatro estrelas

Título Nacional Mergulho Profundo Título Original A Bigger Splash Realizador Luca Guadagnino Actores Tilda Swinton, Ralph Fiennes, Dakota Johnson Origem Itália/França Duração 124’ Ano 2015

(Publicado originalmente na Metropolis nº37)

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