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Actualizado às 11:54 AM, Oct 8, 2019

Sessões Especiais «Uma Criança como Jake»

Todos queremos que os nossos filhos sejam especiais, mas será que queremos que sejam diferentes? O filme norte-americano UMA CRIANÇA COMO JAKE, protagonizado por Claire Danes, Jim Parsons, Octavia Spencer e Priyanka Chopra, e com estreia marcada a 21 de Março nos cinemas, propõe retratar e analisar a intimidade, a parentalidade nos dias de hoje e as fantasias que acompanham ambas.

Alex e Greg sempre souberam que o seu filho de quatro anos, Jake, estava mais interessado em contos de fadas do que em carros de brincar. Mas quando a directora da pré-primária salienta que as brincadeiras incompatíveis com as normas de género podem ser mais que uma fase, eles são forçados a repensar os seus papéis enquanto pais e enquanto casal. A história de um marido e uma mulher que lutam por agir bem pelo filho.

A estreia do filme é o ponto de partida de três sessões especiais com conversas sobre parentalidade, diferença e educação, organizadas pela associação cultural Zero em Comportamento e pela distribuidora Alambique, em Março, nos cinemas UCI El Corte Inglés em Lisboa.

15 de Março | 21H30
Palestra "A aceitação da diferença e o papel dos pais e da escola"
Por Daniel Sampaio, psiquiatra e escritor
Apresentação por Rui Pereira, Zero em Comportamento

16 de Março | 21H30
Conversa “Filhos: Expectativa vs Realidade”
Com:
_ Rita Castanheira Alves, psicóloga e responsável pelo projecto Psicóloga dos Miúdos
_Manuela Ferreira, Vice-Presidente da Amplos - Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género
Moderação por Alexandra Neves da Silva, Plataforma Nheko

23 de Março | 21H30
Conversa “Como lidar com a diferença na Escola?”
Com:
_ Catarina Rêgo Moreira, psicóloga clínica da CasaQui, Associação de Solidariedade Social
_ Elisabete Xavier Gomes, Presidente do Conselho de Direcção da Escola Superior de Educadores de Infância Maria Ulrich
_ Susana Alberto, educadora de infância e membro da Direção da Associação de Profissionais de Educação de Infância
Moderação por Rui Pereira, Zero em Comportamento

Fonte: Alambique Filmes

A Forma de Água

“O Monstro Precisa de Amigos” anunciaram e cantaram os Ornatos Violeta. E durante vários anos filmou Guillermo del Toro este mote, crendo sempre, como afirmou no seu discurso nos Golden Globe, que os monstros são os padroeiros das nossas ditosas imperfeições.

Sendo del Toro o realizador desta película, já esperávamos um monstro, uma abordagem na qual estas criaturas de pesadelos não são malignas, porém, e apesar dos trailers do filme, não esperávamos uma tão tocante e mágica história de amor.

Elisa (Sally Hawkins) e Zelda (Octavia Spencer) são meras empregadas de limpeza num complexo secreto do governo do Estados Unidos que vivem a sua rotina de cada dia, picando o cartão, limpando e conversando sobre as pequenas coisas da vida. Até que, pelas mãos do hostil Richard Strickland (Michael Shannon), chega ao complexo uma estranha criatura aquática (Doug Jones) vinda da América do Sul. Ora a curiosa e amável Elisa enceta não só uma relação com a criatura, como também, mais tarde, uma missão de salvamento.

forma da agua foto

Ao lermos a sinopse cremos ser um filme B, no entanto não nos devemos enganar. O que nos parece mais estranho, acaba por nos encantar. Ou seja, a relação entre Elisa e a Criatura. O realizador mais uma vez dá-nos um novo conto de fadas. Reenche a nossa fantasia, as nossas esperanças e os nossos olhos. Tudo funciona em perfeita harmonia: o argumento, a representação dos atores, o cenário, os efeitos especiais, a música. Diante da tela somos crianças outra vez, mas agora sabemos ler nas entrelinhas. Ou pelo menos questionamo-nos: O porquê das cores? A razão pela qual Elisa é muda? Porque razão o filme se passa em plena Guerra Fria? E a água? E etc. De facto, Sally Hawkins e Doug Jones brilham sem nunca trocarem uma palavra. Os movimentos, os olhares, as expressões são magníficas. Mas todo o elenco os acompanha: os olhos rancorosos de Richard, a firmeza de Zelda, a gentileza triste dos gestos de Giles (Richard Jenkins). Tanto a banda sonora a cargo de Alexandre Desplat, como a fotografia de Dan Laustsen são elementos fundamentais para esta fábula cinematográfica, pois, se formos sinceros, efabulamo-nos, e é maravilhoso.

Guillermo del Toro continuou fiel aos seus monstros e de certa forma ofereceu a outro monstro, o do filme «Creature from the Black Lagoon» (Jack Arnold, 1954), uma possibilidade de amar e ser amado. As semelhanças entre as duas criaturas são grandes. Ao longo da filme podemos encontrar outras influências de outros filmes, como se também «A Forma da Água» fosse uma pequena homenagem à magia do cinema. Mas por enquanto é um novo conto de fadas, com ensinamentos para a Humanidade, encantamentos e poesia. Ora, comecemos de novo: Era uma vez, uma empregada de limpeza chamada Elisa e...

Título Nacional A Forma da Água Título Original The Shape of Water REALIZADOR Guillermo del Toro Actores Sally Hawkins, Octavia Spencer, Michael Shannon ORIGEM EUA
DURAÇÃO 123’ ANO 2017

cinco estrelas

Elementos Secretos

Um retrato histórico interessante, mas de pouca envergadura, «Elementos Secretos» deixa muito pouco à imprevisibilidade. No início da década de 1960, em plena Guerra Fria, um dos palcos das muitas batalhas veladas entre EUA e União Soviética foi a corrida espacial, com as duas potências a lutarem o mais que podem para colocarem o primeiro homem no espaço. Esta é a história pouco conhecida de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), três mulheres afro-americanas donas de um intelecto acima da média que conseguiram vingar num país segregado, garantindo o seu lugar na História.

Theodore Melfi não arrisca muito na sua abordagem da história inspirada na obra "Hidden Figures - The American Dream and the Untold Story of the Black Women Mathematicians Who Helped Win the Space Race", de Margot Lee Shetterly. O cineasta segue a linha mais tradicionalista dos biopics, fazendo com que a obra não encontre uma maior dimensão. O que vale mesmo em «Elementos Secretos» é a sua poderosa história, não tanto pela evolução na corrida espacial – apesar de ser esse o foco – mas o retrato da segregação racial vivida na época nos EUA, bem como a própria diferenciação entre homens e mulheres, uma disparidade muito marcada que é trazida para o grande ecrã de uma forma pertinente e vigorosa.

Além da história, o filme vive muito dos seus atores, sobretudo do trio de protagonistas, em que se realça, de longe, o trabalho de Taraji P. Henson, que consegue uma interpretação segura, cativante e rapidamente empática. O restante elenco vai bem e constrói uma boa química entre si, mas não é transcendente.

Uma história pujante e tão importante sobre a vitória das minorias, em que ganha relevo a luta contra o preconceito e a discriminação, ainda é, hoje em dia, algo que deve ser explorado e que merece ser contado no Cinema, provocando – espera-se – algum debate sobre o assunto. Além disso, não deixa de ter a sua pertinência didática e torna-se, efetivamente, num retrato relevante sobre uma época que não vai assim há tanto tempo. Todavia, uma história excelente não é sinónimo imediato de um filme excelente e «Elementos Secretos» acaba por ser apenas um filme mediano.

tres estrelas

Título Nacional Elementos Secretos Título Original Hidden Figures Realizador Theodore Melfi Actores Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe Origem Estados Unidos Duração 127’ Ano 2016

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