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Actualizado às 9:45 PM, Sep 22, 2019

Greta Thyssen (1927 - 2018)

Ficou mais famosa por ter servido de "dupla" de Marilyn Monroe do que propriamente pela sua carreira cinematográfica: a actriz dinamarquesa Greta Thyssen faleceu no dia 6 de Janeiro, na sua casa de Manhattan, vítima de pneumonia — contava 90 anos.

Foi o seu título de Miss Dinamarca, em 1952, que levou Hollywood a convidá-la para integrar a galeria de estrelas femininas dominada por Marilyn Monroe e Jayne Mansfield. O seu primeiro trabalho, uma pequena figuração no filme Paragem de Autocarro (1956), com Marilyn Monroe, acabaria por incluir também a função de "dupla" da actriz. Utilizada em papéis mais ou menos decorativos, tanto em televisão, como em cinema, surgiu em vários títulos cruzando ficção científica e terror, como Terror Is a Man (1959), de Gerardo de Leon [poster]. Teve também uma pequena participação no clássico Sombras (1959), de John Cassavetes. Em comédia, contracenou com The Three Stooges, participando ainda em diversas produções televisivas até meados da década de 60. Depois de um título bizarro, Cottonpickin' Chickenpickers (1967), de Larry E. Jackson, retirou-se da profissão.

Zé Pedro (1956 - 2017)

Fundador e guitarrista da banda Xutos & Pontapés, é um nome central em quatro décadas de história do rock português: Zé Pedro faleceu no dia 30 de Novembro — contava 61 anos.

Diagnosticado, em 2001, com hepatite C, surgiu uma última vez em palco, no dia 4 de Novembro, em concerto no Coliseu dos Recreios [JN]. De seu nome completo José Pedro Amaro dos Santos Reis, rapidamente se tornou um ícone dos Xutos & Pontapés e, mais do que isso, do rock produzido em Portugal. Experimentou também a rádio, como DJ em programas da Antena 3 e da Radar.

A banda editou o seu primeiro álbum, 78/82, em 1982, logo aí gerando temas tão emblemáticos como Sémen ou Quero Mais [audio 1]. Cerco (1985) e Circo de Feras (1987) iriam consolidar o seu lugar emblemático, transgeracional, através de canções que adquiriram estatuto de hinos como Homem do Leme [audio 2], do primeiro, ou Não Sou o Único, do segundo; em 1997, editaram o álbum Tentação, banda sonora do filme homónimo de Joaquim Leitão. Não Sou o Único seria também o título do livro biográfico escrito por Helena Reis, sua irmã. O seu contributo para a música e todo o universo criativo dos Xutos & Pontapés é, em última instância, indissociável da inconfundível energia da banda nas performances ao vivo [video: Para Ti Maria, Pavilhão Atlântico].

Malcolm Young (1953 - 2017)

Foi um dos fundadores dos AC/DC: o guitarrista Malcolm Young faleceu no dia 18 de Novembro em Elizabeth Bay, Sydney, Australia — contava 64 anos.

Com o seu irmão Angus Young, tal como ele nascido em Glasgow, Escócia, Malcolm criou a banda australiana AC/DC, em 1973, concretizando uma peculiar associação de rock, blues e heavy metal. Desde o primeiro álbum, High Voltage (1975), o seu som, ao mesmo tempo vibrante e ritualizado, conferiu-lhes uma enérgica imagem de marca, em particular nas performances ao vivo. Apesar de diversas alterações na formação do grupo, os dois irmãos mantiveram-se como as suas personalidades emblemáticas, até ao álbum Black Ice (2008). Considerado um dos mais brilhantes músicos de guitarra rítmica da sua geração, Malcolm afastou-se dos AC/DC em 2014 para ser tratado da demência que o atingiu — já não participou no álbum Rock or Bust (2014), tendo sido substituído pelo seu sobrinho Stevie Young.

>>> Thunderstruck, single do álbum The Razors Edge (1990), dos AC/DC — vocalista: Brian Johnson.

Danielle Darrieux (1917 - 2017)

Actriz revelada nos anos 30, símbolo universal do cinema francês, Danielle Darrieux faleceu no dia 17 de Outubro, na sua casa de Bois-le-Roi, na Normandia — completara 100 anos a 1 de Maio.

Com formação musical adquirida no Conservatório de Paris, estreou-se no cinema no começo dos anos 30, tornando-se uma estrela a partir de Mayerling (1936), de Anatole Litvak, em que contracenava com Charles Boyer. Através de uma carreira de mais de uma centena de títulos rodados ao longo de oito décadas (considerada das mais longas em toda a história do cinema), trabalhou com várias gerações de actores e realizadores, mantendo também uma actividade paralela, sempre muito aclamada, no teatro.

Da sua passagem por Hollywood, O Caso Cícero (1952), com James Mason, sob a direcção de Joseph L. Mankiewicz, terá ficado como a referência mais forte. De qualquer modo, foi no regresso a França, graças a Madame De... (1953), de Max Ophüls, de novo com Charles Boyer e também Vittorio De Sica, que entrou definitivamente no Olimpo cinéfilo como símbolo exemplar de um romantismo utópico — aliás, sob a direcção de Ophüls surgira já em A Ronda (1950) e O Prazer (1952). Entre os filmes marcantes da sua carreira incluem-se ainda, por exemplo, Vermelho e Negro (1954), adaptação de Stendhal por Claude Autant-Lara, com Gérard Philipe, Napoleão (1955), de Sacha Guitry, e Landru (1963), de Claude Chabrol.

Embora não tendo sido um nome muito associado à Nova Vaga, Darrieux integrou o elenco do clássico As Donzelas de Rochefort (1967), de Jacques Demy. Distinguida com um César honorário em 1985, vimo-la ainda como perene imagem de alegria e drama, subtileza emocional e pressentimento trágico, em filmes como O Local do Crime (1986), de André Téchiné e 8 Mulheres (2002), de François Ozon. Nestes três títulos — e ainda na animação Persépolis (2007), de Marjane Satrapi — desempenhou o papel de mãe de Catherine Deneuve. Sobre ela, Deneuve disse um dia: "É a única mulher que me impede de ter medo de envelhecer."

>>> Extractos de Mayerling (1936), Madame De... (1953), As Donzelas de Rochefort (1967) — com Jacques Perrin a interpretar La Chanson de Maxence — e trailer de 8 Mulheres (2002); em último lugar, num registo televisivo de 1959, Danielle Darrieux interpreta Le Temps du Muguet, versão francesa de uma canção popular russa.

Hugh M. Hefner (1926 - 2017)

Criador da revista Playboy, o americano Hugh M. Hefner faleceu no dia 27 de Setembro na sua casa de Holmby Hills, Los Angeles — contava 91 anos.

Desde a publicação do primeiro número da Playboy — em Dezembro de 1953, com Marilyn Monroe na capa — até às suas recentes tomadas de posição em favor do casamento de pessoas do mesmo sexo, a história pessoal e profissional de Hefner cruza-se permanentemente com a história da cultura do sexo nos EUA. A consolidação da revista passou, obviamente, pela nudez das sua playmates, algumas famosas — Bettie Page (1955), Jayne Mansfield (1955), Stella Stevens (1960), Dorothy Stratten (1979), Shannon Tweed (1981), Pamela Anderson (1990), Jenny McCarthy (1993), etc. —, em paralelo com uma significativa abertura a discursos de vanguarda, do jazz à literatura, nomeadamente no período da chamada "contra-cultura" dos anos 60. Ficaram célebres, em particular, as entrevistas a personalidades como Miles Davis (1962), Ayn Rand (1964), Vladimir Nabokov (1964), Martin Luther King, Jr. (1965), Stanley Kubrick (1968), John Lennon e Yoko Ono (1981), Bette Davis (1982) ou Steve Jobs (1985). Entre os colaboradores que publicaram ficção ou ensaios nas páginas da Playboy podemos encontrar, por exemplo, Saul Bellow, John Updike, Joyce Carol Oates, Vladimir Nabokov, Michael Crichton, John le Carré, Kurt Vonnegut, Yevgeny Yevtushenko, David Mamet, Haruki Murakami e Margaret Atwood. Na área da ilustração, por lá passaram cartoonistas como Harvey Kurtzman, Jack Cole e Jules Feiffer.

Tamanha diversidade de conteúdos gerou uma ironia que sempre acompanhou a vida pública da Playboy: o leitor chic ou, pelo menos, moralmente prudente tende a proclamar que procura a revista "por causa dos artigos"... Em 2016, a Playboy decidiu deixar de publicar fotografias com nudez — a decisão foi anulada no número de Março-Abril de 2017.

>>> Entrevista a Hugh Hefner na revista Time (2008).

Harry Dean Stanton (1926 - 2017)

Actor lendário, mil vezes secundário, parecendo sempre principal, o americano Harry Dean Stanton faleceu no dia 15 de Setembro, no Cedars-Sinai Medical Center de Los Angeles — contava 91 anos.

A sua apurada formação musical parecia encaminhá-lo para uma carreira que não seria exactamente cinematográfica. É certo que manteve sempre alguma actividade musical com a sua banda (em 2014, publicou o álbum Partly Fiction, ligado a um documentário homónimo), mas acabou por se impor como um brilhante secundário, tão discreto quanto complexo.

Estudou artes dramáticas na Pasadena Playhouse, na Califórnia. Depois da Segunda Guerra Mundial (ocupou um posto de cozinheiro durante a batalha de Okinawa), começou uma carreira regular que, em cinema e televisão, o levaria a participar em mais de duas centenas de títulos. Entre as suas personagens mais famosas incluem-se o frágil Brett que, em Alien - O Oitavo Passageiro (1979), de Ridley Scott, é esmagado pelo monstro, ou Travis, o homem errante de Paris, Texas (1984), de Wim Wenders, à procura das suas raízes familiares.

Vimo-lo em Duelo na Poeira (1973), de Sam Peckinpah, O Padrinho: Parte II (1974) e Do Fundo do Coração (1981), ambos de Francis Ford Coppola, A Última Tentação de Cristo (1988), de Martin Scorsese, Um Coração Selvagem (1990), de David Lynch (um dos cineastas que o dirigiu mais vezes), The Green Mile/À Espera de um Milagre (1999), de Frank Darabont, Este é o Meu Lugar (2011), de Paolo Sorrentino, etc., etc.

Sempre de postura contida, Harry Dean Stanton sabia criar presenças em que sentíamos, ou pressentíamos, algo mais para além dos olhares e dos gestos — foi um minimalista de génio. Um dos seus derradeiros papéis ocorreu na nova série Twin Peaks (2017), retomando, aliás, a personagem de Carl Rodd que Lynch já lhe entregara em Twin Peaks: Os Últimos Sete Dias de Laura Palmer (1992).

>>> A morte de Brett em Alien + Travis na abertura de Paris, Texas (música de Ry Cooder) + Harry Dean Stanton cantando no Festival de Cinema de Los Angeles (2013).

Peter Hall (1930 - 2017)

Figura tutelar das últimas seis décadas do teatro britânico, Peter Hall faleceu em Londres, no dia 11 de Setembro — contava 86 anos.

A criação da Royal Shakespeare Company no começo da década de 60 e a direcção do National Theatre (1973-1988) bastariam para conferir a Hall um lugar único na história moderna do teatro, e tanto mais quanto toda a sua actividade foi no sentido de preservar um importante apoio público à actividade teatral, em particular, e ao domínio artístico, em geral. Para além disso, o seu historial como encenador é impressionante, incluindo a estreia mundial em língua inglesa de À Espera de Godot, de Samuel Beckett (em 1955, no Arts Theatre), e múltiplas abordagens de textos de Shakespeare, Tennessee Williams, Harold Pinter, Edward Albee, Jean Anouilh, etc., etc.

A ópera, o cinema e a televisão fazem também parte do seu currículo. Entre os seus filmes, para além de várias adaptações de Shakespeare, encontramos Three into Two Won't Go (1969), um drama pleno de sarcasmo capaz de expor as ambiguidades emocionais e morais dos usos e costumes da época — com Rod Steiger, Claire Bloom e Judy Geeson, foi lançado entre nós como A Rapariga do Auto-Stop [genérico de abertura].

Hall escreveu vários livros, incluindo a auto-biografia Making An Exhibition of Myself (2000) e ainda The Necessary Theatre (1990), Exposed by the Mask (2000) e Shakespeare's Advice to the Players (2003). Foi director artístico do Glyndebourne Festival Opera (1984–1990); em 1998, formou a Peter Hall Company. Twelfth Night, de Shakespeare, em 2011, no National Theatre, ficou como a sua derradeira encenação.

Mireille Darc (1938 - 2017)

Actriz muito popular do cinema francês nos anos 60/70, entrou para a história mitológica da cinefilia graças a «Fim de Semana» (1967), de Jean-Luc Godard: há alguns anos fragilizada devido a problemas cardíacos, Mireille Darc faleceu no dia 28 de Agosto — contava 79 anos.

Com uma sólida formação teatral, adquirida no Conservatório de Toulon (onde nasceu), Mireille Darc terá tido uma carreira em que raras vezes pôde rentabilizar as suas qualidades de representação. Foi uma presença ligeira, de alegria contagiante, em comédias como «Casamento a Propósito» (1963), com Louis de Funès, «Sua Exa. o Mordomo» (1964), com Jean Gabin, e sobretudo «O Louro do Sapato Preto» (1972), porventura o seu maior sucesso, contracenando com Pierre Richard sob a direcção do argumentista/realizador Yves Robert.

Seja como for, é «Fim de Semana» que se distingue (e a distingue) de tudo o resto: na companhia de Jean Yanne, definia um par em violenta crise conjugal que Godard encenava nos cenários surreais de uma França apocalíptica, isto é, decomposta pelos valores da sociedade de consumo [trailer]. Muito afectada por problemas de saúde, a partir dos anos 90 dedicou-se sobretudo à realização de emissões televisivas sobre temas humanitários. Em 2008, publicou a autobiografia Mon Père, com a colaboração de Lionel Duroy.

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