logo

Entrar
Actualizado às 10:52 PM, Nov 19, 2019

«Cafarnaum» de Nadine Labaki

O nome da cidade bíblica onde Jesus chegou a realizar diversos milagres é evocado pela realizadora e atriz libanesa Nadine Labaki para situar e contextualizar a ação de um drama sobre miséria humana. As ruínas de Cafarnaum estão em Israel, e este é um dos locais que Jesus quando sentiu que as pessoas se afastaram do seu ministério.

Lugar de tumulto e desordem, cidade caída em desgraça. As favelas de Beirute são a Cafarnaum moderna onde é filmada esta história de Zain (Zain Al Rafeea), um rapaz de 12 anos que decide processar os pais, acusando-os de negligência por terem gerado uma criança não tendo condições de a sustentar e educar.

Zain vive de biscates de rua e esquemas ilegais que ajudam a sustentar a família e entra em ruptura quando os pais obrigam a irmã de 11 anos a casar-se com um comerciante local. Ele foge de casa e o filme alarga o seu olhar sobre a realidade miserável que o rodeia. Encontra refúgio com uma imigrante ilegal libanesa que faz trabalho doméstico em condições precárias tendo como principal preocupação sustentar a sua bebé. Até que um dia, a mulher não regressa. Um dia atrás do outro, e a situação de Zain degrada-se, tendo que cuidar de si e da bebé.

A narrativa de «Cafarnaum» combina várias dimensões da miséria humana. Os pobres, os desvalidos, as crianças, os imigrantes, todas as pessoas invisíveis para o Estado. Tudo é mostrado num registo realista denso e explícito, pornográfico e fotogénico, gerando reações diversas do publico: desconforto com esta realidade e empatia com os excluídos, ou rejeição com uma visão demasiado maniqueísta do problema.

«Cafarnaum» recebeu os prémios ecuménico e do júri no Festival de Cannes e está nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro graças a uma dimensão humanista, que é alcançada através de uma perspetiva verdadeira sobre as favelas, e à direção de um ator tão jovem naquelas condições. O pior é a reviravolta que sustenta a ideia inicial do filme, o julgamento final onde os argumentos a favor da criança e contra os pais são expostos de uma forma simplista e pouco inteligente. 

tres estrelas

(texto originalmente publicado na Revista Metropolis nº66)

«Cafarnaum» de Nadine Labaki

Realizado por Nadine Labaki e com atores não profissionais, ‘Cafarnaum’ está nomeado ao Óscar® de Melhor Filme Estrangeiro, sendo a primeira vez que uma mulher árabe está na corrida aos Prémios da Academia nesta categoria.

O filme, com uma forte mensagem política, conta a história de Zain (Zain Al Rafeea) que, aos 12 anos, leva uma vida dura cheio de responsabilidades. Tendo como pano de fundo a crescente crise de refugiados no Oriente Médio, ‘Cafarnaum’ acompanha este menino libanês que processa os seus pais por terem filhos sem terem condições para os criar. A luta deste rapaz maltratado, cujos pais não assumem a totalidade das suas responsabilidades, faz assim eco do grito dos que são negligenciados pelo sistema.

‘Cafarnaum’, que num francês mais literário é usado para nomear uma situação de caos e milagres, foi bastante aclamado pela critica internacional tendo sido nomeado para dezenas de prémios para além dos Óscares®, tendo ganho, entre outros, o Prémio do Júri do Festival de Cannes, onde foi aplaudido por 15 minutos na sua sessão de apresentação em maio do ano passado.

É a segunda vez que um filme libanês é nomeado a um Óscar© de melhor filme estrangeiro depois de, no ano passado, ‘O Insulto’ de Ziad Doueiri (2017) ter conseguido a mesma proeza.

Fonte: NOS Audiovisuais

Assinar este feed RSS