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Actualizado às 10:22 PM, Nov 12, 2019

«Pequenas Mentiras entre Amigos 2» - trailer

Três anos depois dos acontecimentos relatados em PEQUENAS MENTIRAS ENTRE AMIGOS, o grupo de amigos reencontra-se, pela primeira vez desde essa altura, agora por ocasião da festa de anos surpresa de Max. A viver uma crise de meia-idade, Max refugia-se na sua casa à beira-mar, à procura de isolamento. Quando os amigos – que ele não vê há mais de três anos – aparecem de surpresa para festejar o seu aniversário, a sua surpresa é genuína, mas o acolhimento nem por isso...

Já todos quase com cinquenta anos, seguiram cada um o seu caminho e o distanciamento entre eles é bem notório. Os filhos cresceram, entretanto nasceram outros, os pais já não têm as mesmas prioridades... As separações, os acidentes da vida... É neste contexto de amizade fragilizada e de acerto de contas que vêm à superfície antigas questões, mágoas e dúvidas. Será que a amizade irá superar estes novos desafios?

Zemeckis + Pitt + Cotillard

Subitamente, com assinatura de Robert Zemeckis, um grande retorno aos valores do melodrama de guerra — este texto foi publicado no Diário de Notícias (30 Novembro), com o título 'Melodrama de guerra renasce com Brad Pitt e Marion Cotillard'.

Será que neste nosso admirável mundo global até mesmo um filme como Casablanca, realizado por Michael Curtiz em 1942, já começou a ser desconhecido da maior parte dos espectadores? A pergunta não é banalmente nostálgica, mas visceralmente cultural. A saber: será que até mesmo a nobreza clássica de Hollywood está a ser esmagada por uma noção de cinema popular que se esgota em Harry Potter e seus companheiros mais ou menos monstruosos? Vem isto a propósito de alguém, Robert Zemeckis, que arrisca, precisamente, fazer um filme como Aliados [Allied], evocando e invocando a grande tradição do melodrama de guerra de que Casablanca continua a ser, apesar de tudo, o símbolo mais universal.

Para evitar confusões, Zemeckis situa mesmo a primeira parte do seu filme em... Casablanca! Humphrey Bogart e Ingrid Bergman não passam de uma memória inacessível, mas o seu simbolismo romântico surge revisitado por um novo par, Brad Pitt e Marion Cotillard, vivendo também uma aventura em que a frieza dos jogos de espionagem se combina com as intensidades do impulso amoroso.

Digamos, para simplificar, que se trata da história de um par assombrado. Max Vatan (Pitt) é um oficial canadiano que recebe a missão de assassinar o embaixador alemão em Casablanca, para tal contando com a colaboração de Marianne Beauséjour (Cotillard), das fileiras da Resistência francesa. Missão cumprida, apaixonam-se e vão viver para Londres até que, um dia, já casados e com uma filha, ainda sem se vislumbrar o fim da guerra, Max é informado pelos serviços britânicos de que há suspeitas de Marianne ser uma espia alemã...

No seu esquematismo, este resumo limita-se a corresponder à imagem promocional de Aliados (as peripécias referidas coincidem com as que estão no respectivo trailer). Como qualquer sinopse do género, pouco ou nada nos diz sobre a riqueza dramática do filme. Convém referir, a esse propósito, que Zemeckis contou com a colaboração essencial de um argumentista tão talentoso como o inglês Steven Knight que escreveu, por exemplo, Estranhos de Passagem (Stephen Frears, 2002) ou Promessas Perigosas (David Cronenberg, 2007), tendo também realizado o magnífico Locke (2013), em que Tom Hardy interpretava uma personagem solitária, ao telefone, a conduzir o seu automóvel

Aliados pode definir-se como uma odisseia sobre as formas de coexistência de verdade e mentira, do desejo e das suas máscaras. Isso é particularmente importante logo no capítulo inicial, em Casablanca, com Max e Marianne a encenarem a relação romântica das suas personagens fictícias (observem-se as cenas no terraço, à noite, em que sabem que a vizinhança espreita os seus beijos e abraços). Tal encenação confunde-se já com a sua própria história de amor, ilustrando essa íntima crueldade que alguém definiu dizendo que “o amor é dar o que não se tem a alguém que não o quer”.

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Aliados

Digamos, para simplificar, que muitos espectadores terão sido conduzidos para este filme — ou melhor, dele têm sido afastados — através de dois discursos igualmente equívocos. O primeiro, dominante no espaço crítico dos EUA, enraíza-se numa perturbante cegueira histórica, não conseguindo sequer identificar o modo como Robert Zemeckis está, de facto, a assumir uma posição de resistência a muitas modas contemporâneas, celebrando a energia de uma narrativa clássica de enorme depuração. O segundo, desavergonhadamente sustentado pelos tons cor-de-rosa da imprensa mais medíocre, insiste em descrever o filme como uma espécie de derivação burlesca da ruptura conjugal de Brad Pitt e Angelina Jolie, sugerindo algum envolvimento amoroso de Pitt com Marion Cotillard...

Repare-se: não se trata de gostar “mais” ou gostar “menos” deste filme em particular (ou de qualquer outro). Trata-se tão só de relembrar que a descrição e discussão (?) dos objectos cinematográficos a partir de tais pressupostos não passa de um exercício pueril e gratuito, alheio a qualquer gosto genuinamente cinéfilo.
De cinefilia se trata, como sempre, no trabalho de Zemeckis. Aqui, ele apropria-se do modelo de melodrama de guerra que possui uma referência obrigatória no «Casablanca» (1942), de Michael Curtiz, para contar a história de um par que, em França, colabora na resistência ao avanço dos nazis — e será preciso sublinhar que o lançamento da acção na cidade de Casablanca é tudo menos acidental?

Estamos, afinal, perante um brilhante argumento assinado por Steven Knight — o mesmo que escreveu «Estranhos de Passagem» (Stephen Frears, 2002) ou «Promessas Perigosas» (David Cronenberg, 2007), e realizou «Locke» (2013), com Tom Hardy. A sua teia de peripécias, desembocando na hipótese de a relação amorosa de Marianne (Cotillard) e Max (Pitt) estar assombrada pela traição de Marianne, desenvolve-se como um jogo de verdade e mentira que, em última instância, expõe a fragilidade de qualquer relação humana em contexto de guerra. «Aliados» é, enfim, um grande conto moral, como poucos que os estúdios americanos têm produzido nas últimas décadas — a sua solidão merece ser celebrada, não vilipendiada.

cinco estrelas

Contracampo «Aliados» - Já ninguém se lembra dos clássicos?

O fenómeno merece alguma atenção, quanto mais não seja porque a sua repetição possui um inevitável valor sintomático. Assim, da América, sopram ventos críticos (?) contra filmes que, de uma maneira ou de outra, se distinguem pela sua fidelidade a determinados padrões clássicos — penso, concretamente, em «Uma História Americana», de e com Ewan McGregor, a partir do romance «Pastoral Americana», de Philip Roth, e «Aliados», melodrama de guerra com Brad Pitt e Marion Cotillard dirigidos por Robert Zemeckis (leia-se, como revelador exemplo, o texto de Kate Erbland sobre o filme de Zemeckis, no site IndiWire).

O fenómeno reflecte uma desconcertante componente crítica (?) que se tem acentuado em tempos recentes. A saber: uma atitude reticente, misto de desconfiança e zombaria, perante qualquer projecto que, de forma mais ou menos explícita, resista aos vícios correntes de espectáculo, sejam eles a exploração de novos gadgets (3D & etc.), seja a recusa de filmar como se se tivesse um telemóvel na mão, retirando ao espectador o simples gosto de identificar aquilo que está a ver...

O problema, entenda-se, não está, nunca esteve, no mero juízo de valor que cada um possa formular sobre determinado filme — julgar que o trabalho crítico se pode compreender, ou apenas conhecer, através das célebres estrelinhas, não passa de uma banal consagração da ignorância. Haverá, por certo, razões muito legítimas para tratar os filmes citados como “melhores” ou “piores” (e não quero esconder que ambos me entusiasmam). O problema reside, ainda e sempre, na consagração de uma atitude de sobranceria, ou mesmo de altiva indiferença, face à possibilidade de estabelecer alguma relação com o património clássico.

A noção segundo a qual o cinema “progride” apenas porque utiliza novas conquistas tecnológicas ou acede a novas plataformas de difusão é, no mínimo, simplista. Como se o reconhecimento da revolução cubista na pintura nos permitisse arrumar Rembrandt no armário das coisas dispensáveis... Ser cinéfilo é também (será mesmo sobretudo) manter a disponibilidade para a complexa pluralidade da história do cinema.

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Tão Só o Fim do Mundo - Xavier Dolan no papel de Xavier Dolan

Dir-se-ia que Xavier Dolan se perdeu, momentaneamente, no seu próprio estatuto de vedeta "juvenil" — este texto foi publicado no Diário de Notícias (27 Outubro), com o título 'Xavier Dolan enredado na sua “imagem de marca"'.

Consagrado com o Grande Prémio do Júri, em Cannes, aí está Tão Só o Fim do Mundo, de Xavier Dolan, candidato pelo Canadá a uma nomeação para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Desta vez, o jovem realizador canadiano (n. 1989) não participa como intérprete. Para adaptar a célebre peça homónima do francês Jean-Luc Lagarce (1957-1995), sobre um escritor que decide dar conta à família do facto de sofrer de uma doença terminal, Dolan contou com um elenco de luxo que inclui Marion Cotillard, Vincent Cassel, Léa Seydoux, Nathalie Baye e Gaspard Ulliel (no papel do escritor).

É bem verdade que a energia do trabalho de Dolan tem passado, e muito, por uma elaborada relação com os actores. Lembremos os magníficos exemplos de Laurence para Sempre (2012), porventura a melhor composição de toda a carreira de Melvil Poupaud, ou Tom na Quinta (2013), em que o próprio Dolan interpreta as convulsões de uma personagem enredada no labirinto da sua identidade sexual, num exercício de invulgar exposição e comoção. Infelizmente, no caso de Tão Só o Fim do Mundo, a ostentação dos actores tende a sobrepor-se ao próprio drama — como se estivéssemos a assistir a uma colagem de “experimentações”, porventura arriscadas, mas que, em última instância, ignoram a intensidade humana do que está em jogo.

Na sua exuberância auto-complacente, o filme surge numa curiosa conjuntura que vale a pena compreender para além dos dados específicos do mercado cinematográfico. Assim, soubemos recentemente que Dolan se “tornou um realizador” para se poder “exprimir como actor”. Tal confissão está disponível no site da marca Louis Vuitton e acompanha a apresentação da campanha da linha de produtos “Ombré”, protagonizada pelo próprio Dolan.

Digamos, para simplificar, que o jovem e talentoso canadiano tem muita sorte: por muito menos, outras personalidades mediáticas já foram achincalhadas pelo jornalismo mais moralista com o rótulo de perigosos “aliados” do mundo dos negócios e da moda. Porque é que isso não está a acontecer com Dolan? Por uma razão muito linear que, aliás, a citada campanha ilustra com evidente perspicácia e elegância: nos seus radiosos 27 anos, Dolan encaixa perfeitamente no cliché do “jovem rebelde” reverenciado pela retórica dominante dos meios de comunicação.

Dir-se-ia que o talentoso actor/cineasta que fez Amores Imaginários (2010), celebrando a nostalgia do melodrama e, por isso mesmo, uma especial relação criativa com a música, se enredou na sua própria “imagem de marca”. Nesta perspectiva, Tão Só o Fim do Mundo perde em intensidade emocional aquilo que ganha (?) como ilustração pública dessa imagem. Esperemos que o próximo filme envolva algum tipo de auto-crítica: chamar-se-á The Death and Life of John F. Donovan, está agendado para 2017 e, como sempre, apresenta um elenco que apetece descobrir: Jessica Chastain, Natalie Portman, Michael Gambon, etc.

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Aliados

O cineasta norte-americano Robert Zemeckis é dono de uma carreira com títulos memoráveis, tendo também conseguido vencer o Óscar de Melhor Realizador por «Forrest Gump» (1994). Em 2015, Zemeckis tentou inovar com «The Walk - O Desafio», um filme vertiginoso que levava aos limites o conceito do 3D, mas que acabou por não agradar muito à crítica. Agora, o cineasta viaja ao passado, num filme de época em plena II Guerra Mundial, sobre uma história de amor peculiar entre um militar britânico e uma agente da Resistência francesa. Zemeckis volta, assim, a um filme envolvido com questões bélicas, o que já não acontecia desde «Forrest Gump». O argumento de «Aliados» está a cargo de Steven Knight, nomeado para o Óscar de Melhor Argumento Original por «Estranhos de Passagem» (2002), de Stephen Frears. O casal é composto por uma dupla infalível de atores: Brad Pitt e Marion Cotillard, duas estrelas já mais do que consolidadas. Antes de começarem as filmagens, os dois atores “passaram muito tempo a desenvolver os seus personagens com o realizador”, conta Graham King, produtor do filme, que realça que “foi fantástico ver os personagens parecerem tão vivos e reais”. “O Brad e a Marion já tinham o máximo respeito um pelo outro, por isso, quando mergulharam nos personagens, a sua química foi elétrica”, acrescentou. Será também o verdadeiro momento de Lizzy Caplan num filme dramático, podendo explorar essa vertente que revela na série «Masters of Sex».

HISTÓRIA Em 1942, Max Vatan (Brad Pitt), um militar britânico, casa com a agente francesa Marianne Beausejour (Marion Cotillard), após uma perigosa missão em Casablanca. Entretanto, Max descobre que há indícios de que Marianne seja uma espia nazi e começa a investigá-la.

REALIZADOR: ROBERT ZEMECKIS («Regresso ao Futuro», 1985; «Forrest Gump», 1994; «O Náufrago», 2000; «The Walk: O Desafio», 2015)

ELENCO: BRAD PITT, MARION COTILLARD, LIZZY CAPLAN DATA DE

ESTREIA PREVISTA: 1 DE DEZEMBRO (PORTUGAL)

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Michael Fassbender em «Assassin´s Creed» - antevisão

“Assassin’s Creed” é um dos videojogos mais populares do mundo e ganha agora uma adaptação cinematográfica, que foi levada a cabo de forma séria. Assim, a dupla de protagonistas é composta por dois nomes renomados, Michael Fassbender e Marion Cotillard, que voltam a encontrar-se com Justin Kurzel, que realizou «Macbeth» – ainda inédito no nosso país. Justin Kurzel considera que Cal “descobre não só as suas aptidões como assassino mas também quem ele é. Ele faz parte de uma linhagem que se estende há centenas de anos, ao longo de gerações. O jogo e o nosso filme jogam com a noção de que a tua alma e o teu sangue vivem para sempre”.

A personagem principal, Callum Lynch, foi criada especialmente para o filme. O próprio argumento terá um arco único, que não seguirá nenhuma das narrativas do jogo. Apesar de ser um jogo bastante conhecido, Michael Fassbender desconhecia a sua existência até ser contactado para participar no filme. O ator acabaria por aceitar o desafio, sendo também produtor. Fassbender confessa que está a experimentar o jogo desde que assinou o contrato “para absorver melhor as características físicas da personagem. Estamos a tentar fazer algo especial. Acreditamos muito no conceito e desejamos corresponder da melhor maneira possível. Os fãs são passionais, detalhistas e querem precisão e informações históricas. Estamos a tentar, a trabalhar para criar algo especial”. 

Sinopse: Através de uma tecnologia revolucionária que desvenda suas memórias genéticas, Callum Lynch (Michael Fassbender) revive as aventuras do seu antepassado, Aguilar, na Espanha do século XV. Callum descobre que é descendente de uma misteriosa sociedade secreta, os Assassinos, e que reúne conhecimentos e habilidades extraordinárias para controlar a opressiva e poderosa organização Templários no presente.

ASSASSIN’S CREED é protagonizado pelo Nomeado para Óscar® Michael Fassbender («X-Men: Dias de um Futuro Esquecido», «12 Anos Escravo») e a Vencedora de um Óscar® Marion Cotillard («O Cavaleiro das Trevas Renasce», «La Vie en Rose»). O filme é realizado por Justin Kurzel («Snowtown», «Macbeth»); produzido por New Regency, Ubisoft Motion Pictures, DMC Films e Kennedy/Marshall; co-financiado por RatPac Entertainment e Alpha Pictures; e distribuido pela 20th Century Fox.

Título Original Assassin's Creed Realizador Justin Kurzel Actores Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons Origem Estados Unidos/Reino Unido/França Duração n.d Ano 2016

Macbeth

Não é uma novidade para o cinema o fato de que “a vida é cheia de som e de fúria”, pois Orson Welles, Roman Polanski e Akira Kurosawa já haviam nos ensinado em isso em suas releituras autorais para uma das peças mais importantes do repertório de Shakespeare. A ousadia do australiano Justin Kurzel («Snowtown») foi recontar a história do guerreiro que passa de soldado a rei pelos trilhos da traição com a linguagem estroboscópica com a qual a multidão de espectadores de «A Guerra dos Tronos» possa se identificar. A presença de Michael Fassbender («Shame»), com seus mil e um talentos dramáticos a toda, já seria um aríete suficiente para abrir caminho para uma carreira de blockbuster para esta adaptação. Mas a ousadia foi tirar o foco de Lady Macbeth, vivida aqui pela sempre impávida Marion Cotillard, e deixar o macho alfa da dramaturgia do bardo brilha com mais intensidade. Para isso, diretor e ator optaram por uma releitura que entendem Macbeth como um combatente traumatizado, inspirado por militares americanos que voltaram do Afeganistão, Iraque e afins. É um filme pop, mas denso, com tomadas de batalha dignas de uma boa banda desenhada de Conan, o Bárbaro.

Rodrigo Fonseca em Cannes, 2015

Título Nacional Macbeth Título Original Macbeth Realizador Justin Kurzel Actores Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jack Madigan Origem Estados Unidos/Reino Unido/França Duração 113’ Ano 2015

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº29)

 

 

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