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Actualizado às 12:33 AM, Nov 18, 2019

Pulp Fiction - ciclo Tarantino

Um dos mestres do cinema contemporâneo, Quentin Tarantino tem em «Pulp Fiction» a sua obra-prima. Complexa, profundamente intrincada e surpreendente, a obra entrecruza quatro histórias tão diferentes entre si, mas iguais na intensidade. Entre um gangster que se apaixona pela mulher do chefe, um boxeur a quem uma luta não corre bem, dois assassinos a soldo e um casal de bandidos que tenta executar um plano de roubo, Tarantino mostra uma realização extravagante e provocadora, com uma violência exacerbada como forma de chocar o espectador e expor a podridão humana, mas também uma narrativa com uma construção invulgar e inovadora, que prende o espectador a cada momento. O cineasta pontilha a trama com deliciosos diálogos e uma voluptuosa banda-sonora, que o próprio também escolhe. Tudo marcas que se revelariam muito próprias da obra de Tarantino - afinal, «Pulp Fiction» foi, apenas, uma das primeiras longas-metragens do realizador e a lenda apenas se começava a contar.

O que também sempre fez parte da identidade do cineasta é uma aposta inexorável no elenco. Neste filme, os atores são de luxo, mas o realizador também lhes permite criar e mostrar novas facetas. Através de personagens intrinsecamente complexas, atores como Samuel L. Jackson, John Travolta, Uma Thurman, Tim Roth e Bruce Willis têm, ao comando de Tarantino, algumas das melhores interpretações das suas carreiras. Muitos deles viriam a voltar a trabalhar com o realizador, como Thurman, que se tornaria na inesquecível protagonista dos dois volumes de Kill Bill.

Nada nos filmes de Tarantino é por acaso. Cada plano, fala e música são detalhes a que o cineasta presta atenção. E, em «Pulp Fiction», encontramos o cineasta na sua forma mais pura, numa obra que sintetiza de forma épica a identidade deste realizador. Carregado de momentos que viriam a tornar-se icónicos, «Pulp Fiction» é mais do que um filme, é um pouco da História do Cinema projetada na tela.

John Travolta, Uma Thurman, Samuel L. Jackson, Ving Rhames, Bruce Willis
1994 | 154 min

  • Publicado em Feature

«Segredos do Passado» com John Travolta e Morgan Freeman

Inspirado nos clássicos de film noir, Segredos do Passado conta a história de Carson Philips (John Travolta), uma antiga estrela de futebol americano que agora sobrevive como detetive privado. Após aceitar um banal caso de pessoa desaparecida, é obrigado a regressar à sua terra natal, onde se vê envolvido numa complexa rede de crimes e assassínios. Quando descobre que a sua filha é um dos principais suspeitos, vai ter que entrar nos segredos mais perigosos e obscuros da cidade, de modo a conseguir provar a sua inocência.

American Crime Story

O canal norte-americano FX continua a dar-nos grandes séries, com estrelas da interpretação, óptimos argumentistas e histórias que nos deixam colados aos ecrãs. «American Crime Story» («ACS») é mais uma antologia do canal FX, após «American Horror Story», e debruça-se sobre casos controversos e mediáticos do sistema criminal americano. A primeira temporada centra-se em “The People Vs O.J. Simpson”, é um autêntico diamante.

«ACS» explora o mediático caso do popular O.J. Simpson, uma estrela retirada do futebol americano que enveredou pelo cinema e pela televisão e que foi acusado do violento homicídio da ex-mulher e o seu amigo em Junho de 1994. O caso surge em Los Angeles, no rescaldo dos maiores distúrbios na cidade provocados pelo caso Rodney King, o afro-americano brutalmente espancado pela polícia de L.A., em 1991, e que viu os agentes agressores a serem ilibados em 1992, provocando um grave motim na cidade. «ACS» é mais do que uma história de “tribunal”, é um impressionante relato sobre a ascensão dos ciclos noticiosos 24/7 e da reality tv, a divisão racial na América, a queda de um ídolo e os princípios que impelem cada personagem. É uma verdadeira capsula temporal que mede o pulso de uma era. Apesar de «ACS» ser adaptada a partir de The Run of His Life: The People v. O. J. Simpson, de Jeffrey Toobin, os criadores fizeram um trabalho notável na pesquisa em torno de todos os detalhes do caso e da vida real das figuras retratadas na série. Podemos vislumbrar muitas sequências memoráveis, a começar pela famosa perseguição ao jipe em fuga na auto-estrada com a polícia e os helicópteros a seguirem de perto o passageiro do veículo, O.J. Simpson em fuga das autoridades no dia da sua ordem de prisão.

A série tem um elenco de luxo que veste a pele de figuras reais. O protagonista é interpretado por Cuba Downey Jr., um talentoso actor dos anos 90 e oscarizado por «Jerry Maguire» que andou vários anos, sobretudo no novo milénio, a mitigar no deserto dos filmes de série B e Z, tendo novamente aqui uma oportunidade para mostrar ao mundo a sua arte de bem representar. As nomeações não vão passar ao lado Cuba Downey Jr., o actor faz um figurão na pele do perturbado O.J. Simpson, uma figura controversa que atraía a simpatia das pessoas e dividiu a América. John Travolta é também um dos participantes da série, está inexpressivo e com excesso de botox, principalmente nos dois primeiros episódios, interpreta o advogado Robert Shapiro um dos elementos da equipa all-star da defesa de O.J. Simpson. O actor regressa pela primeira vez a uma série de televisão desde 1979. Levou meses a aceitar o papel e entrou quando percebeu a seriedade do mesmo e o produtor Ryan Murphy efectuou algumas cedências financeiras para trazer Travolta a bordo do projecto. Sarah Paulson interpreta Marcia Clark a advogada do ministério público que começa por ter entre mãos um caso de caras para a acusação, um duplo homicídio cometido por uma celebridade com reputação de ser um marido violento e com várias provas circunstâncias contra ele. Porém, Marcia Clark vê-se arrastada para um combate contra a opinião pública quando o caso adquire contornos raciais e onde a imparcialidade da polícia é colocada em causa. Sarah Paulson, além dos blazers horrendos e perucas que utilizou para personificar Marcia Clark, chegou mesmo ao ponto de usar o mesmo perfume da advogada durante a rodagem da série... David Schwimmer, conhecido pelos papéis cómicos e figura da icónica série «Friends», é uma das maiores surpresas de «ACS», desempenha o papel do falecido Robert Kardashian, o amigo pessoal e advogado de O.J. Simpson, invoca muito bem as emoções do momento e a incredulidade perante os acontecimentos. Em nota de rodapé vemos os seus pequenos filhos e a ex-esposa que cresceram e hoje em dia são a família real americana, os Kardashian. A fechar os nossos destaques, o desempenho de Courtney B. Vance como o famoso advogado Johnnie Cochran que defendia os direitos das minorias negras na cidade de Los Angeles face à brutalidade da polícia e vê no caso de O.J. Simpson uma plataforma para divulgar as desigualdades raciais no tratamento dos afro-americanos por parte da polícia em Los Angeles. A interpretação em «ACS» transpira qualidade por todos os poros. Nos papéis secundários a riqueza é de perder de vista, entre muitos, veja-se Bruce Greenwood, Nathan Lane, Kenneth Choi, Chris Bauer, interpretações que são do melhor que podemos assistir no ecrã.

«American Crime Story» foi criada por Scott Alexander e Larry Karaszewski, sobre a supervisão de Ryan Murphy (que também realiza o primeiro episódio) e que volta a fazer das suas posicionando-se como um sinónimo de originalidade de mãos dadas com a qualidade na actual produção televisiva. A primeira época conta com dez episódios e a próxima temporada é dedicada ao Furacão Katrina... Vamos esperar para ver.

  • Publicado em TV
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