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Actualizado às 10:22 PM, Nov 12, 2019

«Pequenas Mentiras entre Amigos 2» - trailer

Três anos depois dos acontecimentos relatados em PEQUENAS MENTIRAS ENTRE AMIGOS, o grupo de amigos reencontra-se, pela primeira vez desde essa altura, agora por ocasião da festa de anos surpresa de Max. A viver uma crise de meia-idade, Max refugia-se na sua casa à beira-mar, à procura de isolamento. Quando os amigos – que ele não vê há mais de três anos – aparecem de surpresa para festejar o seu aniversário, a sua surpresa é genuína, mas o acolhimento nem por isso...

Já todos quase com cinquenta anos, seguiram cada um o seu caminho e o distanciamento entre eles é bem notório. Os filhos cresceram, entretanto nasceram outros, os pais já não têm as mesmas prioridades... As separações, os acidentes da vida... É neste contexto de amizade fragilizada e de acerto de contas que vêm à superfície antigas questões, mágoas e dúvidas. Será que a amizade irá superar estes novos desafios?

Cézanne e Eu

«Cézanne e Eu» ainda vai pincelando algum envolvimento narrativo mas o quadro final não é fascinante. O filme de época, passado ao longo do século XIX, foca-se na forte amizade entre o pintor Paul Cézanne (Guillaume Gallienne) e o escritor Emile Zola (Guillaume Caunet). Enquanto o primeiro era rico e o segundo não tinha muitas posses, Zola acaba por ganhar o reconhecimento dos seus pares e um sucesso assinalável enquanto Cézanne pena para conseguir viver da sua arte.

Entre vindas e desavindas, a amizade de duas importantes figuras da cultura francesa vai mostrando as idiossincrasias da época, o modo como a arte era encarada pela sociedade e pelos próprios artistas. Todavia, falta paixão e alma a uma obra que só em poucos momentos consegue realmente agarrar o espectador.

Com uma realização tímida de Danièle Thompson, uma fotografia pouco glamourosa e uma produção cénica empenhada, o que fica na memória é a interpretação dos protagonistas, que não esmorecem em momento algum. Guillaume Caunet é já um dos principais nomes do Cinema Francês, garantindo performances muito sentidas, sendo acompanhado por Guillaume Gallienne, um ator mais habituado à comédia, mas que não deixa nada a dever em terreno mais dramático.

«Cézanne e Eu» vale sobretudo por mostrar de uma forma intimista a vida de dois grandes artistas, revelando como ambos pensavam e expressavam a sua arte – mas isso não chega para fazer um bom filme.

duas estrelas

Título Nacional Cézanne e Eu Título Original Cézanne et moi Realizador Danièle Thompson Actores Guillaume Canet Guillaume Gallienne Alice Pol Origem França Duração 117’ Ano 2016

Vencer a Qualquer Preço

Em «Vencer a Qualquer Preço» existe, para além da vontade de vencer, a vontade de enganar e de corromper. «The Program» (utilizando o título original) é um heist movie que fala sobre um desportista desonesto e sobre o desejo diabólico de ganhar a todo custo naquele que é o maior e mais doloroso evento desportivo do mundo: o Tour de France. A tramoia foi tão bem realizada que Lance Armstrong (Ben Foster), o ciclista/batoteiro, iludiu por sete vezes o Tour, os fãs e a esmagadora maioria da imprensa. Aqueles que se atreveram a levantar suspeitas sobre a hipótese de doping por parte de Armstrong foram sistematicamente marginalizados. Este filme baseia-se no relato de um destes jornalistas, David Walsh (Chris O'Dowd), ele que investigou e publicou essas acusações no The Sunday Times e no livro Seven Deadly Sins que serviu de base para o argumento adaptado por John Hodge.
Realizado por Stephen Frears como se tratasse de um “grand tour”, temos várias etapas na trama que envolvem os principais momentos do golpe, os personagens entram em cena, actuam e desaparecem para deixar entrar outros protagonistas criando assim uma panorâmica completa da ascensão e queda de um ídolo.

Lance Armstrong foi interpretado por Ben Foster num desempenho bem executado e extremamente complicado por estar tão próximo dos acontecimentos (1993-2012). Houve transformação física e a performance emocional que revela a psicologia de um mentiroso. Prevalece no filme o lado de bully e sociopata que sempre disse aquilo que as pessoas queriam ouvir, uma figura real que pode ter inspirado milhões na luta contra o cancro assente em princípios que provaram ser uma grande falácia. É um relato que confirma que vivemos num mundo corrompido onde a ganância e a ambição ultrapassam todos os outros valores.

É visível que Stephen Frears despreza justamente o comportamento de Armstrong e que tem pouco interesse pelo ciclismo, embora as sequências na estrada e a direcção de fotografia estejam fantásticas. A verdadeira motivação do realizador britânico foi registar e desconstruir o mito, sem olhar a outro tipo de facetas que pudessem justificar o impossível. Esta é a história maligna e irreal de uma figura maldita. A qualidade de Stephen Frears como contador de histórias aliada à performance maníaca de Ben Foster resultam num filme vencedor.

tres estrelas

Título Nacional Vencer a Qualquer Preço Título Original The Program Realizador Stephen Frears Actores Ben Foster, Chris O'Dowd, Guillaume Canet Origem Reino Unido/França Duração 103’ Ano 2016

 

O Homem Demasiado Amado

«O Homem Demasiado Amado» revela-se uma proposta cinematográfica algo confusa e sensaborona, que não apaixona por completo. A história baseia-se em factos reais, narrados no livro de memórias de Renée Le Roux, “Une Femme Face à la Mafia”. Le Roux, interpretada pela dama francesa Catherine Deneuve, era dona do muito conhecido casino Palais de la Méditerranée, que sofre um duro golpe, o que leva a que Le Roux fique nas mãos da máfia. Para piorar o caso, Agnès (Adèle Haenel), a sua filha, apaixona-se perdidamente por Maurice Agnelet (Guillaume Caunet), um advogado mais velho que era conselheiro da sua mãe. Ele convence Agnès a votar contra a sua mãe, o que faz com que esta perca o casino. Após o sucedido, Maurice termina a relação. Ressentida com o desprezo de Maurice e revoltada com a traição à mãe, a jovem tenta acabar com a própria vida. Acaba por recuperar mas, pouco tempo depois, acaba por desaparecer misteriosamente.

André Téchiné é um mestre na arte de filmar e não deixa os créditos por mãos alheias nesta obra. A sua realização cheia de sensibilidade, profundidade e com uma atenção enaltecedora pela expressividade dos atores preenche a tela de momentos marcantes.

Menos bem estará o argumento, que prolonga demasiado a narrativa e tenta mostrar muito, não conseguindo focar-se devidamente em determinados assuntos. A importância imensa das emoções e da paixão – que tem uma importância fulcral na obra – ou a supremacia do dinheiro são a génese da história. Contudo, tal como a personagem central, Maurice, também a obra não se deixa envolver pelas emoções, mantendo a sua racionalidade e pragmatismo.

Um aspeto menos positivo da obra será também, porventura, o trabalho menos cuidado na caracterização das personagens na parte final da obra.
Falando no protagonista, Guillaume Caunet tem uma interpretação exemplar como, aliás, tem pautado nas suas últimas interpretações cinematográficas, sendo já um nome ao qual não se deverá passar ao lado no Cinema Francês. O mesmo é verdade para Adèle Haenel, que mostra um desempenho portentoso, cheio de carisma e entrega, conseguindo criar uma excelente química com o seu companheiro de cena e uma cumplicidade pungente com Catherine Deneuve. A veterana atriz deslumbra no papel de uma mãe sofrida, mas corajosa e destemida, que nunca desiste.

«O Homem Demasiado Amado» começa muito bem, captando, desde o início a atenção do espectador. Contudo, a pouco e pouco, vai perdendo a sua força e, quando termina, já o interesse é algo diminuto. Não obstante, a obra vai valendo a pena pelas interpretações fulgurosas e uma realização apaixonante.

tres estrelas

Título Nacional O Homem Demasiado Amado Título Original L'homme qu'on aimait trop Realizador André Téchiné Actores Guillaume Canet, Catherine Deneuve, Adèle Haenel Origem França Duração 116’ Ano 2014

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