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Actualizado às 12:11 PM, Aug 12, 2018

«Primeiro, Mataram o Meu Pai» de Angelina Jolie (Netflix)

Realizado por Angelina Jolie, «Primeiro, Mataram o Meu Pai» é uma adaptação da autora e ativista dos direitos humanos cambodjana Loung Ung’s que aborda, através do que viu e sentiu, as memórias daqueles que sobreviveram ao mortífero regime de Khmer Rouge, de 1975 a 1978. A história é baseada na sua experiência pessoal, desde a idade dos 5 anos, quando Khmer Rouge subiu ao poder, até aos seus nove anos. O filme retrata o espírito indomável e devoção de Loung e da sua família enquanto lutavam para ficar juntos durante o anos Khmer Rouge.

«Primeiro, Mataram o Meu Pai» é um filme original Netflix produzido por Angelina Jolie, o aclamado realizador e produtor cambodjano Rithy Panh, realizador do nomeado para o oscar The missing Picture e Michael Vieira (By The Sea). Loung Ung, Maddox Jolie-Pitt, Adam Somner (Bridge of Spies) e Charles Schissel (The Prestige) são produtores executivos e o vencedor da Academia dos oscares Anthony Dod Mantle (Slumdog Millionaire) como diretor de fotografia.

Fonte: Netflix

Angelina Jolie por Mert & Marcus

Mert Alas & Marcus Piggott fotografaram Angelina Jolie para aquela que é a sua primeira grande entrevista depois da separação de Brad Pitt. É o tema de capa da edição da revista Vanity Fair (com data de Setembro), com especial destaque para o novo filme de Jolie como realizadora: com produção da Netflix, «First They Killed My Father» adapta a memória de Loung Ung, que foi uma criança sobrevivente do regime sanguinário dos Khmers Vermelhos, no Cambodja — eis um video de apresentação do projecto; portfolio e artigo de Evegnia Peretz no site da VF.

«Junto ao Mar» de Angelina Jolie

 Há qualquer coisa de bizarro e, num certo sentido, incómodo na descoberta de «By the Sea»/«Junto ao Mar», terceira longa-metragem de ficção realizada por Angelina Jolie, directamente no mercado do DVD. Daí a desencantada pergunta que, mesmo sem respostas seguras, importa formular: que está a acontecer no espaço público do cinema (português e não só) quando um filme, dirigido e interpretado por alguém como Angelina Jolie, na companhia do seu marido Brad Pitt, é objecto de tão desconcertante secundarização?

Enfim, importa não alimentarmos qualquer falsa ingenuidade. Ninguém está a sugerir que a imagem mais estereotipada de Jolie (uma espécie de “eterna” Lara Croft) se adequa a «Junto ao Mar» ou que, em última instância, poderia servir para promover o filme junto dos seus espectadores potenciais. Nada disso. Este é mesmo um exemplo de um cinema de invulgar pulsação intimista, alheio a qualquer look da moda, com um timing narrativo tão delicado e subtil que faz mesmo lembrar algumas experiências revolucionárias dos anos 60, em particular de um autor como o italiano Michelangelo Antonioni («A Aventura», «A Noite», «O Eclipse»).
Em termos simples, digamos, então, que estamos perante a história de um casamento exposto aos seus mais radicais silêncios. Em meados da década de 1970, o cenário de uma praia esquecida do Sul de França (de facto, a rodagem decorreu na ilha de Malta) acolhe Vanessa (Jolie), uma ex-bailarina que parece perdida na nostalgia da arte que já não pratica, e o marido Roland (Pitt), escritor confrontado com a angústia da página em branco. A expectativa romântica — a reconciliação afectiva de Vanessa e Roland — vai-se transfigurando num insólito processo de redescoberta que encontra uma espécie de espelho, material e simbólico, num outro par (interpretado por Mélanie Laurent e Melvil Poupaud).

Através de uma admirável depuração dos tempos narrativos, este é um filme em que o “nada” que acontece se vai consolidando como uma arquitectura de afectos em que cada personagem se revela muito para além das aparências que cultiva. Dir-se-ia um filme de análise psicológica, mas é, sobretudo, uma fascinante peça dramática sobre a física e a metafísica de uma relação a dois (ou, como sugeria Freud, a quatro...)

inedito by the sea 3

Depois de «Na Terra de Sangue e Mel» (2011) e «Invencível» (2014), Angelina Jolie confirma-se, assim, como uma cineasta de muitas singularidades, além do mais conseguindo neste caso, a partir de um argumento minimalista (também de sua autoria), concretizar um projecto alheio às convenções da sua imagem de marca e também à facilidade de qualquer moda cinematográfica ou mediática. Filme com ambíguas componentes autobiográficas?... Não nos precipitemos em jogos fúteis, cúmplices da desavergonhada mediocridade da imprensa cor de rosa. Registe-se apenas que, desta vez, ela assina: Angelina Jolie Pitt.

inedito ByTheSea DVD Packshot

Título Nacional Junto ao Mar Título Original By the Sea Realizadora Angelina Jolie Actores Angelina Jolie, Brad Pitt, Mélanie Laurent, Melvil Poupaud Origem Estados Unidos/França Duração 122’ Ano 2015

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