logo

Entrar
Actualizado às 10:34 PM, Sep 15, 2019

Acção Made in Brasil

Terreno minado dentro da filmografia brasileira, desmerecido historicamente em função de um preconceito decorrente das ideologias de esquerda, o cinema de ação começa a dar seus primeiros sopros de vida no Brasil, buscando uma autonomia de mercado em relação à dependência dos exibidores de comédias. Caberá ao galã nº1 do Brasil na atualidade, Cauã Reymond, a tarefa de ser o vingador do gênero à frente de um thriller – estreia agendada para 21 de janeiro no Brasil – com ecos de «Mad Max» e ambientado no Nordeste: «Reza a Lenda». Cauã é Ara, um vigilante em duas rodas, bom de gatilho, às voltas com uma profecia capaz de restaurar a esperança em uma terra loteada entre latifundiários sem coração. O longa-metragem, cujo trailer é um campeão de acessos na web, é parte de um coletivo de produções com fôlego de blockbuster que assume a adrenalina como argamassa. A seu lado há o policial «Operações Especiais», com Cleo Pires, lançado em outubro, e o suspense jurídico «Em Nome da Lei», com Matheus Solano, previsto para chegar às telas em abril.


“Acho que no Brasil é mais difícil identificarmos nossos heróis pela quantidade de problemas que temos. ‘Bad news is good news’, diz a imprensa internacional. Nossos exemplos de heroísmo ficam encobertos pela quantidade de notícias ruins”, diz Tomás Portella, realizador de «Operações Especiais». “Na pesquisa para esse filme, tivemos um convívio intenso com inúmeros policiais civis do Rio de Janeiro e encontrámos muitos casos de heroísmo e de policiais que fazem um trabalho sério e dedicado. Nossos heróis nesse filme são um grupo de policiais honestos que se juntam para uma operação especial no interior do Estado”.

Portella optou por uma heroína, fazendo Cléo Pires se transformar em uma policial linha dura nos moldes de Katy Mahoney, a protagonista do seriado «Lady Blue» (que na TV brasileira virou «Dama de Ouro»). Já o cineasta Homero Olivetto cozinha referências de George Miller e Sergio Leone no Sertão pós-moderno de «Reza a Lenda», fazendo de Cauã um justiceiro motorizado chamado Ara. “Sou cinéfilo: minha mitologia é pop, meus heróis vão desde meu avô sergipano até o «Batman» do Frank Miller. Foi justamente esta mistura que me motivou a fazer este filme: minha conexão com minhas origens, meu sangue nordestino, e minha paixão pela cultura pop”, afirma Olivetto, cujo longa será lançado em grande estilo no início de 2016.

Seu circuito de largado está estimado em pelo menos 500 cópias, segundo os cálculos de seu distribuidor, Abrão Scherer, da Imagem Filmes: “Os personagens são muito fortes, com personalidade, num universo de ação e suspense”, diz ele.
Com a popularidade testada em sucessos da TV como a microssérie «Amores Roubados» e a novela «A Regra do Jogo», Cauã adiciona temperos de brasilidade à tradição do heroísmo clássico. “Existe um risco inerente e um esforço físico e de concentração muito grandes na hora de filmar as cenas de ação, principalmente as com veículos e as de luta. Mas o segredo pra que dê tudo certo e para que se imprima de um jeito bom na tela é a preparação. E a preparação conta não só para os dubles ensaiando, mas também para o diretor decupando as cenas obsessivamente, com a chancela do produtor e com o acompanhamento do fotógrafo e do assistente de direção”, explica Olivetto. “Nas cenas mais técnicas, depois de desenhá-las, nós fizemos previsualizações animadas, em 3D, pra entender a dinâmica das cenas e saber exatamente o que precisaríamos fazer e ter pra que elas funcionassem”.

Alinhado com a linhagem de thrillers de tribunal dos anos 1990 que rendeu sucessos como «A Firma» (1993) e «O Cliente» (1994), «Em Nome da Lei» marca o regresso de um cineasta especialista em retratar a violência: Sérgio Rezende, de «O Homem da Capa Preta» (1986) e «Salve Geral!» (2009). Em seu novo trabalho, ele expõe o submundo na fronteira do Brasil com o Paraguai a partir da cruzada justiceira empreendida pelo juiz Vitor (papel de Mateus Solano) na missão de desmantelar o esquema de contrabando e tráfico de drogas chefiado por Gomez (Chico Diaz). Produzido por uma campeã de bilheteria – Mariza Leão, de franquias como «De Pernas Pro Ar» –, o longa promete doses fartas de tensão.

Já num campo mais próximo do riso, «O Shaolim do Sertão», a ser filmado por Halder Gomes em 2016, vai resgatar uma linhagem específica da ação no Brasil: o histórico dos filmes de artes marciais, à la «Kill Bill». Na trama, um jovem nordestino terá de encarar um valentão a pontapés em nome da honra, gerando um thriller para rir. Apelidado carinhosamente de “o Spielberg do Ceará”, Halder – que é mestre tae-kwon-do, foi dono de academia e trabalhou como dublê nos EUA – está preparado para filmar no primeiro semestre a saga de Aluísio Lee (vivido por Edmilson Filho), fã de filmes de Bruce Lee que, no Nordeste dos anos 1980, acredita ser páreo para lutar contra malfeitores que infestam o país. “Somos um país de lutas. Exportamos o jiu-jitsu para o mundo”, diz Halder. “Não há razão de não investirmos neste filão”.

 

Modificado emquarta, 03 fevereiro 2016 22:44

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.