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Actualizado às 12:33 AM, Nov 18, 2019

O triunfo de Pedro Costa e de Vitalina Varela

Destaque O triunfo de Pedro Costa e de Vitalina Varela

A nona longa-metragem de Pedro Costa conquistou o Leopardo de Ouro, o prémio máximo do Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, e a atriz Vitalina Varela foi distinguida com o Leopardo para melhor interpretação feminina.

Pedro Costa foi consagrado num festival onde tinha sido recebido, em 2014, o prémio de melhor realizador com «Cavalo Dinheiro», a sua obra anterior. Foi nessa rodagem que Pedro Costa conheceu Vitalina Varela, e na altura incluiu parte da sua história na narrativa.

«Vitalina Varela» é totalmente dedicado a esta cabo-verdiana de 55 anos, que chegou a Portugal três dias após a morte do marido, depois de ter estado 25 anos à espera de um bilhete de avião. Em declarações ao sitio ofical do Festival de Locarno, o realizador descreve-a como “uma força da natureza, do passado, do presente e também do nosso futuro".

A relação de Pedro Costa com a comunidade cabo-verdiana começou quando esteve no arquipélago a filmar «Casa de Lava» e regressou a Lisboa com presentes e cartas para os familiares, imigrantes em Portugal.

"Eu não li aquelas cartas, mas vi o rosto daquelas pessoas quando as liam, e que lhes provocavam expressões de alegria ou tristeza. Este filme é uma nova carta para esta comunidade e para nós.”

Pedro Costa descobriu o bairro das Fontaínhas, instalou-se, conheceu histórias diferentes e rodou cinco filmes de modo a "proteger estes lugares e esta comunidade através do cinema”, esclarecendo que filma “pessoas que vivem hoje no esquecimento, dormem nas ruas, são torturadas.”

É o segundo realizador português a conquistar o Leopardo de Ouro em Locarno, o que tinha acontecido com «O Bobo», de José Álvaro Morais, em 1987.

Depois da estreia mundial,«Vitalina Varela» recebeu vários elogios da crítica internacional. O Hollywood Reporter considerou tratar-se de "um épico intimista" e "trágico” e a revista francesa Les Inrockuptibles descreveu a obra como um projeto "entre o documentário e o retrato íntimo", num ambiente que "intriga pela aridez e beleza plástica". O portal IndieWire definiu Pedro Costa como o "porta-estandarte de um certo tipo de cinematografia severa, lírica, ancorada em ambiguidade e rica de implicações.”

Depois de Locarno, o novo filme de Pedro Costa será exibido, em setembro, no Festival de Cinema de Toronto, no Canadá, e no 57.º Festival de Cinema de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

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