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Actualizado às 3:58 PM, Jan 19, 2020

Bernardo Bertolucci (1941-2018)

Destaque Bernardo Bertolucci (1941-2018)

Bernardo Bertolucci faleceu aos 77 anos em Roma a 26 de Novembro de 2018, o texto que se segue foi publicado na revista Metropolis nº13 de Outubro de 2013 com o título "Da solidão dos filhos às razões dos pais"

Com a estreia de «Eu e Tu», reencontramos a obra do italiano Bernardo Bertolucci – para lá do impacto lendário de «O Último Tango em Paris», o seu cinema nunca deixou de encenar as tensões entre pais e filhos.

Chegou, finalmente, às salas portuguesas o belíssimo «Eu e Tu», de Bernardo Bertolucci, uma viagem comovente pelas muitas solidões de um rapaz e uma rapariga, irmãos, lidando com a indiferença dos adultos. Apresentando no Festival de Cannes de 2012 (extra-competição), o filme não pode deixar de nos remeter para a trajectória singular do seu autor.

last tango paris

Será que a obra de Bertolucci existe para além de «O Último Tango em Paris» (1972)? A pergunta envolve, obviamente, alguma ironia, quanto mais não seja porque, com mais de duas dezenas de títulos realizados ao longo de meio século, ele é, obviamente, um dos nomes de referência do grande cinema europeu. Acontece que a agitação polémica gerada pelo seu Tango deixou uma marca mais ou menos frívola, não poucas vezes diminuindo as qualidades desse filme de perturbante energia dramática que conferiu dimensão lendária ao par formado por Maria Schneider e Marlon Brando.

the last emperor

Acontece que aquilo que distingue o cinema de Bertolucci não é, de modo algum, a procura do sucesso mais ou menos escandaloso, mas sim o fascínio por personagens de algum modo bloqueadas nas encruzilhadas da sua própria história pessoal. Aliás, isso é também verdade mesmo no caso do seu filme de maior dimensão espectacular, «O Último Imperador» (1987), vibrante crónica histórica que não deixa de ser um requiem por Puyi, derradeiro líder do império chinês.

1900

Dois filmes de 1970, «O Conformista» e «A Estratégia da Aranha», podem servir de emblema do trabalho narrativo de Bertolucci: a partir de dramas eminentemente pessoais, ele encena evolução política da sua Itália, ecoando muitas componentes da história do continente europeu. Não admira, por isso, que o sucesso de «O Último Tango em Paris», abrindo-lhe as portas para produções mais ambiciosas, o tenha levado a realizar esse grande fresco histórico que é «1900» (1976), além do mais um caso exemplar da confluência, no seu cinema, de actores das mais diversas origens – o elenco de «1900» inclui nomes que vão desde veteranos como Sterling Hayden e Alida Valli até actores muito mais jovens, então em fase de consagração internacional, como Robert De Niro, Gérard Depardieu e Dominique Sanda.

sonhadores

«Eu e Tu» talvez se possa considerar o encerramento de uma trilogia sobre personagens jovens que começa com «Beleza Roubada» (1996) e passa por «Os Sonhadores» (2003). Este último, em particular, evocando os encantos e desencantos de Maio 68, poderá resumir uma das vias essenciais do labor de Bertolucci: retratar a deriva dos filhos para tentar compreender as razões dos pais.

 

Modificado emterça, 27 novembro 2018 00:07

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