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Actualizado às 9:31 PM, Aug 22, 2019

Ted 2

O urso de peluche mais debochado e divertido do cinema está de volta para mais uma aventura com rasgos de transgressão. O multifacetado Seth MacFarlane assume, uma vez mais, o argumento e a realização e Mark Wahlberg também será o protagonista nesta sequela. Contudo, terá, desta vez, Amanda Seyfried como companheira de cena. Neste especial, fique a saber mais pormenores sobre a comédia «Ted 2».

A história: Ted (voz de Seth MacFarlane) casou com Tami-Lynn (Jessica Bath), querendo agora constituir família e ter filhos. Todavia, antes disso, terá de provar em tribunal que é considerado qualificado para ser pai. Mas, claro, para isso terá de mostrar que é, de facto, uma pessoa e não apenas um urso de peluche. Para tal, contará com a ajuda de uma jovem advogada, Samantha (Amanda Seyfried). Enquanto isso, John (Mark Wahlberg) está solteiro novamente, mas será por muito tempo?

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Seth MacFarlane, o faz-tudo

O norte-americano Seth MacFarlane é das pessoas mais multifacetadas que poderá encontrar. Ora, comecemos pelo seu mega-sucesso (e, provavelmente, o trabalho pelo qual ainda é mais conhecido): a série de animação «Family Guy» que teve estreia já em 1999 e continua a divertir milhões de fãs em todo o mundo. MacFarlane criou e dá voz a muitas das personagens carismáticas da série, como Peter Griffin, Stewie ou Brian. Seguiu-se ainda uma série spin-off, «The Cleveland Show», enquanto se preparava para se estrear nas longas-metragens, o que viria a acontecer justamente com «Ted», em que assumiu as tarefas de realizador, argumentista, bem como ser a voz de Ted. Seguiu-se «Mil e Uma Maneira de Bater as Botas» (2014), filme que também protagonizou. Pelo meio, teve ainda tempo para apresentar a gala dos Óscares em 2013, numa participação polémica mas, sem dúvida, marcante.

Após o enorme sucesso que «Ted» registou no box-office mundial e doméstico, o passo seguinte seria, naturalmente, a sequela. Para MacFarlane, tal não seria bem assim, como o próprio conta: “Na verdade, não tinha planeado fazer «Ted 2», mas sempre que algo corre bem, tal ideia [de sequela] sempre surge. Não há qualquer razão para fazê-lo se repetires o mesmo filme. Não é satisfatório para o público e é verdadeiramente aborrecido para nós”. A relutância inicial acabaria por não durar muito: “É um pouco mais fácil com a comédia, porque a comédia normalmente é mais baseada nas personagens do que na sua premissa, e, de certa forma, abordas isso como uma série televisiva. Tens as personagens que podes colocar em qualquer situação e sentimos que o Ted e o John poderiam sustentar uma história completamente diferente. Eles eram muito fortes em si mesmos, por isso, era concebível fazer uma sequela que valesse a pena. Assim, foi divertido descobrir o que poderíamos fazer com estas personagens que fosse completamente diferente daquilo que fizemos no último filme”. Scott Stuber, um dos produtores de «Ted», acrescenta o seguinte: “A genialidade de Ted reside no facto de que ele pode dizer coisas que uma pessoa normal não pode... e, se o fizesse, levaria, provavelmente, um murro na cara. Mas, como ele é um urso de peluche, pode safar-se com isso”.

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A génese de «Ted 2»

Seria pouco previsível que uma questão legal do século XIX viesse a ser a principal inspiração para o argumento de «Ted 2». Contudo, foi isso mesmo que acabou por acontecer, como revela um dos argumentistas, Wellesley Wild: “O Seth estava a ler um livro sobre o caso de Dred Scott e teve esta ideia: ‘Já que o Ted é um urso de peluche que ganha vida, o que aconteceria se ele descobrisse que não é um cidadão? E se não fosse considerado uma pessoa mas apenas propriedade?’. Ele queria explorar isso e descobrir se havia algo interessante sobre esse aspeto ou se seria apenas um filme aborrecido sobre um caso de tribunal com algumas piadas aqui e ali”.

Embarcar no projeto de uma sequela acarreta grandes desafios, como explica Stuber: “Fazer uma sequela é sempre um desafio porque tens de apresentar algo original. Seth, Alec e Wellesley queriam fazer um filme melhor do que o primeiro e trabalharam imenso para misturar a comédia com uma questão existencial, que tem que ver com quem somos enquanto pessoas”. “Eles criaram um filme que é sobre algo. Não contém somente os principais aspetos que fizeram o público apaixonar-se, como a relação entre Ted e John, como também há imensas surpresas. Estamos orgulhosos de termos criado algo original que também inclui elementos que foram adorados no primeiro filme”. Alec Sulkin, um dos argumentistas, corrobora e acrescenta que “esses foram os momentos que as pessoas adoraram, quando o John e o Ted estavam juntos, e isso era uma prioridade. Queríamos ter a certeza que tínhamos uma história que desse para trabalhar mas que mantivesse a essência do filme, com os dois juntos”.

Assim, o segundo filme acaba por ser um prolongamento do que foi contado no primeiro, assentando na ideia de que um urso de peluche ganha vida e de como as pessoas iriam lidar com isso. “Os seres humanos adaptam-se muito facilmente. Provavelmente, pouco tempo após Ted ter ganhado vida as pessoas diriam ‘Ora, muito bem, isto aconteceu. Vamos seguir em frente’. Continuamos com essa ideia e consideramos que o assunto do estatuto legal de Ted acabaria por vir à tona”, diz MacFarlane.

Em «Ted 2», o norte-americano volta a ser argumentista e realizador, além de dar voz à personagem principal. Todavia, pôde contar para a escrita do argumento com a colaboração dos suspeitos do costume, ou seja, antigos companheiros de escrita de outros sucessos. São eles Alec Sulkin e Wellesley Wild, que assumem, ainda, o cargo de produtores-executivos da obra.

Sulkin explica o método que os argumentistas usam para escrever o guião: “Temos um sistema em que nós os três nos juntamos, escrevemos o esboço e depois eu e o Wellesley separamo-nos e dividimo-nos por cenas”. “Escrevemos a nossa metade do filme e mandamos um para o outro antes de dá-lo ao Seth para ter a certeza que não há grandes redundâncias ou sobreposições”, acrescenta.

Uma das vantagens para os argumentistas é o facto de que um dos protagonistas é animado, o que permite que possam ir acrescentando novas piadas e diálogos. Wild explana o assunto: “Como o Ted é animado, podes escrever novas falas para ele, porque, como se trata de movimentos do lábio, podes acrescentar, se o timing estiver correto, alguma coisa quando a sua boca está a mexer. O Seth está constantemente a pedir algo mais contemporâneo. Isto permite-nos escrever piadas algumas semanas antes de o filme ser lançado”.

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Mark Wahlberg

Mark Wahlberg interpreta, mais uma vez, John, o melhor amigo de Ted. Para o ator, há razões inequívocas para o sucesso do primeiro filme, pois este “englobava um humor fantástico e também muito coração”. Agora o desafio é outro, todos já conhecem Ted e trata-se de uma sequela, que pode revelar-se uma aposta, muitas vezes, arriscada. Mas parece que o ator não hesitou muito em aceitar o desafio: “A razão pela qual estava tão entusiasmado para fazer «Ted 2» é porque sabia que iria trabalhar com o Seth. Esta é a primeira vez que faço uma sequela porque sabia que o Seth queria levar isto para outro nível. Desde que haja lugares para as personagens irem e coisas para fazerem, as pessoas vão querer ver”.

A admiração é recíproca e MacFarlane enche de elogios o ator: “O Mark é brilhante em tudo que lhe peças para fazer. A sua atitude resume-se sempre a ‘Se isto funciona para ti, conta comigo’. Ele é um ator dramático fantástico, um ator de comédia fantástico e isso inclui tanto a comédia verbal subtil como a comédia física. Não há nada que ele não consiga fazer”.

Em «Ted 2», o urso de peluche está a passar por algumas dificuldades para assumir o seu estatuto enquanto pessoa, mas poderá sempre contar com a ajuda do seu melhor amigo: “O Ted está a fazer tudo o que pode para aguentar-se com a Tami-Lynn. Ele quer ser um adulto e pai responsável, o que lhe coloca no caminho muitos desafios diferentes e interessantes. Enquanto o John e o Ted trabalham juntos para processar o Estado pelo estatuto de Ted enquanto pessoa vemos que eles têm mesmo uma causa pela qual estão a lutar. As pessoas vão torcer para que o Ted seja bem-sucedido”, conta Wahlberg.
Todavia, John tem direito ao seu próprio arco narrativo, enfrentando, ele próprio, alguns desafios, sobretudo a nível emocional, como explana o ator: “No primeiro filme, o John estava naquela linha ténue entre manter a relação com o seu melhor amigo enquanto se tornava mais maduro – o homem que a sua namorada e futura mulher queria que ele fosse. Agora, alguns anos depois, o John está divorciado e solteiro novamente, não quer envolver-se outra vez numa relação porque não quer magoar-se ou expor-se dessa forma”. E é aqui que surge uma nova personagem, que poderá fazer John mudar de ideias...

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Amanda Seyfried

Amanda Seyfried interpreta Samantha L. Jackson, uma jovem advogada que aceita defender gratuitamente o caso de Ted. A atriz descreve a sua personagem: “A Samantha acabou de sair da Escola de Direito e está a tentar encontrar o seu equilíbrio na firma. O seu tio contratou-a como advogada júnior e ela trabalha imenso”. Sulkin ajunta o seguinte: “Sabíamos que não iríamos ter a Mila Kunis para «Ted 2» e queríamos integrar isso na história para que fizesse parte da jornada emocional do John. Ele começa de uma forma muito triste porque as coisas não aconteceram da forma que ele esperava com a mulher com quem casou, algo com o qual várias pessoas poderão identificar-se. Depois, logo que começa a parte legal da história, Samantha é apresentada e percebemos que poderia ser outro grande par romântico para ele. Ela é uma rapariga porreira, tendo em conta que a Lori [personagem interpretada por Mila Kunis em «Ted»] estava sempre a implicar com o John por ele fumar erva ou por isto ou aquilo. A Samantha é muito mais relaxada e encaixa-se mais na onda do John. Esperamos que desde o momento em que o público a conheça fique a torcer para que os dois fiquem juntos”. Como nota, Mila Kunis não pôde participar na sequela pois estava grávida.

Para conseguir o papel, Seyfried foi algo insistente com o realizador do filme, como a própria conta: “Fiz com o Seth o filme «Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas» e ele é um homem leal. Quando ele gosta de alguém, trá-lo de volta. A sua vida é o seu trabalho. Estava a insistir com ele durante seis meses após termos terminado as filmagens e, um dia, ele ligou-me. Como piada, perguntei: ‘O que vou interpretar em «Ted 2»?’. Ele ligou-me meses depois e perguntou ‘O que vais fazer em junho?’ e ofereceu-me o papel do novo interesse romântico”.

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Jessica Barth

Quem também está de volta é Jessica Barth, que interpreta Tami-Lynn, a mais-que-tudo de Ted. “No início, tudo era fantástico, mas após alguns anos de casamento, eles enfrentam dificuldades financeiras e emocionais e têm algumas discussões acaloradas. Eles pensam que ter um bebé vai juntá-los novamente”, explica Barth.
Mesmo após Ted ver o seu estatuto enquanto pessoa ser negado pelo Estado, a Tami-Lynn continua a ficar do seu lado. “O Ted e a Tami-Lynn são ambos muito leais. É a sua essência. Eles são honestos e autênticos e não há qualquer fingimento entre eles. É claro que têm os seus problemas mas amam-se muito um ao outro. A Tami-Lynn tem um coração de ouro. Ela pode não ser muito eloquente, mas é isso que adoro nela”, conclui a atriz.

O regresso a Boston

A cidade de Boston já havia sido a escolhida como palco para as aventuras de John e Ted no primeiro filme. Para esta segunda toma, os produtores voltaram à cidade. “Em «Ted», Boston é uma personagem no filme e o John e o Ted são dois tipos de Boston. É um pequeno ecossistema, com toda uma personalidade e os habitantes de Boston entendem isso. Quando colocas o Mark neste local verdadeiro, no qual o Ted é a única coisa fora da realidade, torna-se tudo muito real. Quando as pessoas veem estes dois tipos em locais típicos de Boston, permite-nos fundamentar o filme e a comédia”, explica o produtor Jason Clark.

Wild aborda ainda outro aspeto: a pronúncia. Assim, para que o Ted fosse verdadeiramente aceite como cidadão legítimo de Boston, teria de ter uma pronúncia de acordo com a cidade: “As pessoas de Boston são muito minuciosas relativamente a outros que fazem a pronúncia da cidade e os atores nos filmes têm feito, ao longo dos anos, versões terríveis. Mas, com o Ted, eles dizem ‘Sim, aprovamos, é autêntico’ ”, conta Wild.

  • Publicado em Feature

Ron Howard: fazedor de filmes

Ron Howard é conhecido do grande público graças aos filmes «Splash – A Sereia» (1984), «Apollo 13» (1995), «Edtv» (1999) «Uma Mente Brilhante» (2001) e, claro, pela adaptação do best-seller literário «O Código Da Vinci». Mas o percurso de Ron Howard começa na área da representação – nascido em 1954, ele entrou no seu primeiro filme com apenas 18 meses de idade, e aos dois anos estreou-se numa peça teatral. O seu percurso como ator levou-o a integrar o elenco de «American Graffiti» (1973), o filme seminal de George Lucas. O seu interessa pelo cinema e pela produção alargou-se a partir da década de sessenta quando experimentou realizar os primeiros filmes amadores com uma câmara Super 8. Na sua primeira longa-metragem, «O Massacre dos Bólides» (1973) também interpretou o papel principal. A partir dos anos setenta e oitenta do século passado assumiu regularmente o papel de produtor, em cinema e em séries televisivas, e obteve o primeiro grande reconhecimento como realizador apenas na década de oitenta com «Splash – A Sereia» (1984), com Tom Hanks e «Cocoon – A Aventura dos Corais Perdidos» (1985). É o período em que consolida a sua relação com o produtor Brian Grazer – ambos fundaram uma companhia de produção de cinema que ficou associada a diversos sucessos dirigidos por Ron Howard. São desse período «Mar de Chamas» (1991), «Horizonte Longínquo» (1992), «The Paper – Primeira Página» (1994), «Apollo 13» (1995) e «Edtv» (1999). A dupla Grazer, produtor/Howard, realizador, obteria grande sucesso artístico com «Uma Mente Brilhante» (2001), filme premiado com Óscares de filme do ano e de realização. Ron Howard repetiu a nomeação para o Óscar de melhor realizador com «Frost /Nixon», um filme que aborda as entrevistas de televisão entre o apresentador David Frost e o ex-presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. Mas Howard é sobretudo um homem do cinema de entretenimento e liderou as adaptações de «O Código Da Vinci» (2006) e «Anjos e Demónios» (2009). O seu mais recente filme, «No Coração do Mar» (2015), é uma produção de grande escala, de alguém que domina todas as áreas do cinema... e que perdeu as graças de ator para se tornar num fazedor de filmes.

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