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Actualizado às 9:31 PM, Aug 22, 2019

Snoopy e Charlie Brown: Peanuts - O Filme

Foi em 1950 que Charles M. Schultz (1922-2000) lançou as primeiras histórias desenhadas dos Peanuts. E não se pode dizer que, pelo menos no plano quantitativo, o seu eco cinematográfico seja muito significativo. Na verdade, este filme lançado no período natalício (título original: «The Peanuts Movie») é apenas o quinto da filmografia dos Peanuts, tendo sido o primeiro, «Um Rapaz Chamado Charlie Brown», produzido apenas em 1969; em qualquer caso, no contexto televisivo, Charlie Brown e a sua “troupe” surgiram em mais de quatro dezenas de especiais.

Seja como for, a raridade cinematográfica dos Peanuts é muito significativa. De quê? Da dificuldade de transpor para as imagens animadas um universo que, além de possuir uma genuína dimensão filosófica, apela a um desenho sóbrio e contemplativo, mais do que à acumulação de cenas de “acção” mais ou menos trepidante.

Dir-se-ia, de facto, que não é possível libertar os Peanuts (sob pena de os descaracterizar) desse misto de serenidade e inquietação, crueza e simbolismo, que fazia (e faz) o fascínio das tirinhas desenhadas por Schultz. Mais do que isso: a controlada brevidade dessa tirinhas faz com que os Peanuts sejam menos um universo de histórias com princípio, meio & fim, e mais uma colecção de vinhetas em que, desde o sentido da vida até aos impulsos festivos de Snoopy, tudo pode ser condensado em três ou quatro desenhos austeros.


Daí, uma vez mais, a sensação de celebração, mas também de frustração, com que este “movie” nos envolve. Porventura avisados dos impasses encontrados em experiências anteriores, os criadores tentam dinamizar os acontecimentos através de cenas mais ou menos delirantes, desencadeadas pela imaginação de Snoopy... O certo é que, apesar de tudo, são os momentos de contemplação e recolhimento que mais nos mobilizam.

Estrelas: 2


Título ORIGInal
The Peanuts Movie
REALIZADOR
Jacques Audiard
VOZES
Noah Schnapp
Bill Melendez
ORIGEM
Estados Unidos
DURAÇÃO
88’
ANO
2015

Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº 34

Big Hero 6 - Os Novos Heróis

Pouco original e criativo, «Big Hero 6 – Os Novos Heróis» não tem muitos super-poderes... O filme de animação da Disney baseia-se numa série de banda-desenhada da Marvel, que tem Hiro Hamada como protagonista. Trata-se de um jovem de 14 anos que é um verdadeiro génio da robótica, mas algo perdido e imaturo. Contudo, pode contar com a ajuda do seu irmão, Tadashi, que lhe mostra que pode usar os seus conhecimentos da robótica de outra forma, que não apenas em lutas de robôs. Um dia, tudo muda na vida de Hiro quando acontecem estranhos eventos na cidade de San Fransokyo. A partir daí, ele forma uma equipa de inesperados super-heróis: o robô Baymax, a amante de velocidade Go Go Tomago, o zen Wasabi, a doce Honey Lemon e o descontraído Fred. Juntos, irão tentar resolver o mistério que assola a cidade.
O grande trunfo da obra é a sua globalidade visual. A cidade em que se passa o filme mistura reminiscências das arquitecturas japonesa e norte-americana, resultando numa amálgama curiosa e magnificente. A obra é muito detalhista, mas não podemos dizer que ganhe com o 3D, tornando-se um mero acessório, que em pouco contribui para o engrandecimento do filme.
A maior falha reside mesmo no argumento, que é limitado, pouco chamativo e previsível – mesmo quando o público-alvo são as crianças. Aliás, o filme está decididamente dedicado aos mais novos, sendo que talvez seja difícil que os adultos achem muita piada a este grupo de heróis que demora a conquistar carisma. Todavia, uma das personagens já prendeu a atenção: Baymax, um robô simpático e amável, que rende as melhores cenas. É ele que torna este filme em algo encantador, contribuindo para aliviar o clima dramático que vai pontuando em alguns momentos. Assim, a relação entre Hiro e Baymax é o que suporta a obra e o que acaba por salvá-la do marasmo total, numa parceria carismática e sensível.
«Big Hero 6 – Os Novos Heróis» é da Disney, mas tal não é muito visível, com a obra a fugir a alguns dos estereótipos recorrentes do estúdio, sem escapar, porém, aos clichés habituais dos filmes de animação. De realçar, contudo, um aspecto: é incentivado o estudo, o desenvolvimento das capacidades intelectuais, o que é sempre uma boa mensagem quando se trata deste tipo de filmes. A obra não é uma tentativa perdida, tendo momentos divertidos, sequências de acção aprimoradas e uma narrativa fluida, contando com personagens com potencial, embora pouco aproveitado. Ficamos à espera das próximas aventuras, que decerto se seguirão.

Big Hero 6 (2014)
Realização: Don Hall, Chris Williams
Vozes: Ryan Potter, Scott Adsit, Jamie Chung
Estrelas:3

Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº 25

Os Pinguins de Madagáscar

Spin-off: termo ultra-apetecível para estúdios com franchises de sucesso que traz consigo o mesmo risco de sempre: será que personagens secundárias, ainda que muito populares no filme-mãe, têm força suficiente para se aguentarem sozinhas numa longa-metragem? A grande maioria dos spin-offs em sagas cinematográficas diz-nos que não e «Os Pinguins de Madagáscar», apesar de arrancarem com força, confirmam-nos até ao final que fazem parte da maioria.
O filme arranca muito bem, em estilo quase documental, com a história de origem dos quatro pinguins a ser contada com coração e doses de humor bem medidas. A voz de um narrador (na versão original de Werner Herzog que, na única versão estreada em Portugal, dobrada, é dada a Anselmo Ralph) leva-nos pela Antártida para nos explicar como os quatro heróis do filme saíram dali e foram parar ao outro lado do mundo.

Somos depois transportados para a idade adulta dos pinguins onde os quatro se vão aliar a uma organização ultra-secreta de defesa dos animais para combater o vilão, Dr. Octavius. E é a partir daqui que o filme passa para o modo “humor acima da história”. Não é que as cenas não sejam divertidas ou que o humor até não resulte mas o filme perde o seu fio condutor inicial – dar corpo àquelas quatro personagens e aprofundar o que sabemos sobre elas – e passa apenas a ser uma soma de cenas de ação com humor desbragado.


Talvez não houvesse muito mais para contar sobre estas personagens secundárias e, como em tantos outros spin-offs, talvez seja por isso que o humor é o único recurso para justificar a duração de uma longa-metragem.
Lamenta-se a decisão de apenas se levar a versão dobrada para os nossos cinemas, mas a verdade é que cada vez menos pessoas vão às salas ver filmes de animação em versão original. Ficamos, ainda assim, desiludidos por não poder ouvir as vozes de Werner Herzog na abertura do filme, de John Malkovich como um polvo maquiavélico ou de Benedict Cumberbatch como um agente secreto durão.

Penguins of Madagascar (2014)
Realização: Eric Darnell, Simon J. Smith
Vozes: Michael Fassbender, Domhnall Gleeson, Maggie Gyllenhaal
Estrelas:4

Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº 25

Divertida-Mente

«Divertida-Mente» entretém e ensina, emociona e cativa. O novo filme de animação produzido pela Pixar é uma obra inteligente, que irá, decerto, chamar a atenção de miúdos e graúdos.

Riley é uma menina feliz que vive no Minnesota, mas que tem a vida alterada por completo quando o pai muda de emprego, obrigando a que a família se mude para São Francisco. E como será encarada por Riley esta mudança? Ora, para começar, conheçamos as cinco emoções que habitam no quartel-general do cérebro da menina: Alegria, Medo, Raiva, Repulsa e Tristeza. Juntas, estas emoções têm acompanhado Riley desde o seu nascimento e terão uma importância fulcral no desenvolvimento desta história.

Pete Docter já nos provou ser capaz de criar histórias diferentes e criativas, como «Monstros E Companhia» (2001) e «Up – Altamente» (2009). Mas, nesta nova obra, é notório que se supera, criando um filme sensível mas também muito divertido, contendo os vários elementos necessários para uma boa comédia de animação. A qualidade das figuras retratadas é, claro, uma das imagens de marca da Pixar, que encanta com os cenários imaginativos e muito coloridos, bem como os pormenores minuciosos das cinco emoções, que são feitas de energia, facto que é retrato de forma exímia na obra.


Profundamente original e cativante, «Divertida-Mente» une a diversão com uma narrativa bem fluida e personagens muito carismáticas. O público – mais novo e não só – irá, certamente, rever-se em alguns momentos e surpreender-se em muitos outros. Profícuo em inovação, detalhes aprimorados e uma sensibilidade tangente, este é, sem dúvida, um dos filmes do ano.

cinco estrelas

Inside Out

Realização: Pete Docter, Ronnie Del Carmen

Vozes: Amy Poehler, Bill Hader, Lewis Black 

 

O Principezinho - Antevisão

Lugar ao Sonho

Na imaginação duma criança, há espaço para tudo, em especial para o sonho!

«O Principezinho» (2015), longa-metragem de animação estreada na última edição do Festival de Cannes, com um elenco de luxo, torna real o sonho de Saint Exupéry, que dá vida ao pequeno rapaz, vestido de verde e amarelo. Um pequeno viajante que anda de planeta em planeta em busca da amizade, do amor e da felicidade. Da rosa vaidosa ao poderoso Rei, até aterrar no planeta Terra, um deserto onde descobre a amizade com uma raposa, ousa chegar perto duma serpente e encontra um aviador aventureiro, onde contempla o céu iluminado pelas estrelas e aprende quase tudo sobre a vida no mundo dos homens.
O filme é assinado por Matt Osborne, o realizador de «Panda do Kung Fu» (2010), e as vozes de Riley Osborne, Jeff Bridges ou Rick Gervais, Marion Cotillard ou Rachel McAdams, entre outros, dão colorido a esta belíssima história escrita para crianças e adultos, contada de geração em geração, nas escolas e casas de todo o mundo. Um conto que ensina a crescer e a descobrir tudo aquilo que é invisível aos nossos olhos: as emoções. Escrita em 1943, em plena II Guerra Mundial, a odisseia deste miúdo loiro chega agora às salas nacionais com várias sessões de antestreia nas escolas portuguesas, permitindo a milhares de crianças e jovens ficarem a conhecer esta história maravilhosa. No fim, fica uma lição para todos: no meio da diversidade, o que nos une é a humanidade!

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