logo

Entrar
Actualizado às 11:54 AM, Oct 8, 2019

«Uma História de Amor e Trevas» - Natalie Portman Actriz/Realizadora

A INSPIRAÇÃO DO FILME

A atriz Natalie Portman aventura-se na realização, remetendo às suas raízes para a criação de uma obra pensada ao pormenor: «Uma História de Amor e Trevas». O filme, baseado no livro biográfico de Amos Oz, teve estreia no último Festival de Cannes e chega agora às salas portuguesas. Natalie Herslag, que adotou o nome artístico de Natalie Portman, nasceu em Israel mas cedo emigrou para os EUA com a família, quando tinha apenas 3 anos de idade. Mas a atriz nunca esqueceu as suas raízes e o seu primeiro filme enquanto realizadora é uma espécie de carta de amor ao seu país natal. E é assim que surge «Uma História de Amor e Trevas», um filme de época passado em Jerusálem, na década de 1940, narrando os acontecimentos exatamente antes e depois da fundação de Israel. Todavia, o foco é na infância do jovem Amos (Amir Tessler) e a influência que a sua mãe, Fania (Portman), teve na sua vida.

O filme baseia-se no livro biográfico “Uma História de Amor e Trevas”, lançado em 2002 e que rapidamente conquistou a crítica. O autor é Amos Oz, um dos principais nomes da literatura israelita. Desde 1967, tem vindo a ganhar posição enquanto ativista, defendendo uma solução de dois estados no conflito israelo-palestiniano. Uma figura que inspirou Portman a seguir em frente com o projeto: “Ele é o líder do movimento de paz em Israel, a pessoa mais promotora da paz e com um diálogo inspirador, o maior apoiante de uma solução de dois estados e, desde o início, o mais forte crítico da ocupação da Cisjordânia”. Os vários mitos e realidades sobre o doloroso nascimento de Israel são a base do livro e, portanto, Oz seria a pessoa ideal para retratar o nascimento do seu país natal, mas Portman assinala que a obra foca-se na jornada singular de uma família, “uma história particular sobre uma família num momento particular da história, tendo em conta o seu ponto de vista particular”. A cineasta refere que o escritor não esteve presente na estreia do filme no Festival de Cannes porque “disse que seria demasiado emocional e desconfortável para ele”. Não obstante, Oz demonstrou o seu apoio público ao trabalho de Portman, sendo “muito generoso e caloroso”.

Uma das preocupações centrais da agora cineasta era “investigar a mitologia” subjacente à criação de Israel, bem como a forma como Oz usa a mitologia na sua obra: “Era absolutamente o tema essencial, a ideia da mitologia através de histórias, que são a nossa forma de construir a nossa identidade enquanto seres humanos. Que memórias escolhemos contar quando contamos a nossa história de vida? Que coisas consideramos importantes e como as ligamos para criar uma história com significado? (...) Quais são os momentos formativos com significado na tua história? Isso acontece com as pessoas e com as nações”. “As histórias tornam-se mitológicas porque são moldadas por quem está a contá-las. Por isso, enquanto são absolutamente cruciais a dar identidade, também temos de ser cautelosos quanto às histórias que escolhemos contar porque depois elas vão moldar os nossos sonhos, as nossas expectativas e a forma como vemos o mundo”, acrescentou.

  • Publicado em Feature
Assinar este feed RSS