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Actualizado às 10:13 PM, Aug 20, 2019

T2 Trainspotting

Na celebração do vigésimo aniversário de uma obra que deixa boas memórias, «T2 Trainspotting» é o regresso a uma época de renascimento da cultura britânica com a invasão da britpop através do romance escrito por Irvine Welsh e adaptado por um então jovem talentoso e promissor Danny Boyle rodeado por desconhecidos a dar os primeiros passos no grande ecrã em 1996. Passadas duas décadas os jovens transformaram-se em príncipes da indústria e estrelas globais, Boyle arrebata as audiências internacionais e conquistou os principais galardões de cinema. Neste regresso ao local do crime, à Escócia e aos subúrbios carenciados de Edimburgo, deparamo-nos com uma narrativa que não celebra a irreverência e as toxicodependências do passado mas, pelo contrário, atesta as duras marcas da passagem do tempo. Os nossos protagonistas vivem corroídos e perdidos na meia-idade, estando, como sempre estiveram, no limiar do nada. O filme é uma reflexão sobre o presente e o amanhã com personagens mais céticos mas determinados a mudar, a excepção continua a ser o desvairado Begbie (Robert Carlyle) que sai da prisão como um cão raivoso focado em devorar tudo à sua volta especialmente quem o atraiçoou. O filme tem breves momentos de humor mas é essencialmente cinzento e melancólico com interpretações com uma enorme desenvoltura dramática que espelha a angústia e a frustração na mente e no rosto de heróis de outrora.

T2 Trainspotting - O Obi-Wan Kenobi, o Rumplestiltskin e o Sherlock entram num bar…

«Não estás a ficar mais novo, Mark. O mundo está a mudar. A música está a mudar. Até as drogas estão a mudar. Não podes ficar aqui o dia todo a sonhar com heroína e Ziggy Pop», dizia Diane (Kelly Macdonald). E tinha razão. Muita coisa mudou nos 20 anos que separam «Trainspotting» (1996) da sua sequela, «T2 Trainspotting» (2017), que chega dia 23, quinta-feira, aos cinemas portugueses.

Entre as mudanças, há uma demasiado evidente. Aquele que era um elenco de promessas britânicas virou uma montra de estrelas do cinema e da televisão, ainda que os nomes sejam os mesmos. Veja-se o caso de Ewan McGregor, então na casa dos 20 anos e a participar no seu quarto filme, longe dos sucessos de «Moulin Rouge!» (2001) ou da trilogia «Star Wars», onde foi um jovem Obi-Wan Kenobi. Ou o ator Robert Carlyle, o arrogante Begbie, dez anos mais velho, mas bem longe do mediatismo conseguido com o “seu” Rumplestiltskin de «Era Uma Vez»; a confirmação depois do percurso bem-sucedido em «SGU Stargate Universe». Já Jonny Lee Miller passou de “Rapaz Doente” [Sick Boy], no seu segundo filme, a detetive de luxo na série norte-americana «Elementar», em que dá vida a um moderno Sherlock Holmes.
Mas, há 20 anos, ninguém imaginaria o talento, ou o alcance deste, do trio britânico.

À exceção de Danny Boyle. Naquela que era a sua segunda longa-metragem para cinema, o realizador inglês teve o dom de escolher um leque de ‘putos’ excecionais. O estrondo fez-se ouvir em Hollywood e, poucos meses após a estreia, o argumentista John Hodge figurava entre os nomeados aos Óscares de Melhor Argumento Adaptado, lançado pela vitória nos prémios BAFTA. Curiosamente, o vencedor dessa categoria seria Billy Bob Thorton que, sendo um ator brilhante, tem uma única estatueta... pela sua adaptação de «O Arremesso» (1996).

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Costuma dizer-se, tanto no cinema na vida, que a lei mais determinante é o tempo. E assim foi também neste caso. De produção humilde a filme de culto foi um passo e, atualmente, «Trainspotting» (1996) é um marco para muitos “cinéfilos”. No entanto, a continuação da história de Renton (McGregor) e companhia adivinhava-se um sonho quase impossível. Desde logo porque, ironia das ironias, Danny Boyle e Ewan McGregor zangaram-se poucos anos depois e estiveram muito tempo de costas voltadas. O “culpado”, como confessaram recentemente, terá sido Leonardo DiCaprio, que protagonizou «A Praia» (2001), retirando a McGregor o protagonismo a que estava habituado no cinema de Boyle.

Outro dos regressos mais desejados é o das belas paisagens da Escócia. Ser palco de filmes de fantasia é-lhe “inato”, mas o país, e particularmente Edimburgo, tem no seu ventre uma realidade bem mais crua, transposta de forma sublime para o universo de Renton, Begbie, Sick Boy e Spud (Ewen Bremner). As suas paredes respiram memórias de uma história fascinante, mas também escondem o lado mais sujo da sociedade. Os vícios, como as drogas, contrastam com as paisagens imensas de cortar a respiração, revelando o lado menos bonito das suas ruas, de bares duvidosos a casas de banho (como esquecer a 'cena' do primeiro filme!). A ação bebe, de igual forma, do feio e do belo, alimentando uma narrativa que tem tanto de contagiante como de “podre”. Nada está a salvo. A sociedade é redescoberta, criticada, os seus “esgotos” são remexidos e, nos diversos atalhos que encontramos pelo caminho, a lição ultrapassa a tela para nos lembrar, como há 20 anos, “choose life”. Mas, bem sabemos, nada é tão linear...

  • Publicado em Feature

Sequela de Trainspotting arranca em Maio

O escritor escocês Irvine Welsh tem a sua nova obra "The Blade Artist" nas prateleiras a partir de quinta-feira em Inglaterra. Irvine Welsh confirmou que a rodagem de "Trainspotting 2" arranca a 16 de Maio, neste momento estão em processo de finalização da pré-produção e casting final. 

O filme de culto de Danny Boyle tinha como protagonistas Ewan McGregor, Jonny Lee Miller e Kelly Macdonald, o argumento pertenceu a John Hodge a partir do livro de Irvine Welsh de 1993. A sequela irá revistar os personagens da primeira obra com o pano da pornografia e temas que envolvem o envelhecimento e a maturidade. «Trainspotting» celebra 20 anos do seu lançamento em 2016.

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O filme ainda não tem título definitivo, a sequela literária de Trainspotting intitulada "Porno" foi lançada em 2002, segundo o escritor será complicado o filme ter esse título nas salas de cinema. A distribuição global do filme ficará a cargo da Sony Pictures, não se espera que "Trainspotting 2" esteja nas salas antes de Janeiro de 2017.

Irvine Welsh também tem publicado uma prequela de «Trainspotting» com o título "Skagboys" desenrolada no anos 80. O seu livro "A Decent Ride and Filth" também foi adaptado ao cinema, «Lixo» (2013) foi realizado por Jon S. Baird e protagonizado por James McAvoy, Jamie Bell e Eddie Marsan.

O livro "The Blade Artist" é um thriller existencial que tem como protagonista o personagem de culto de «Transpotting», o louco Francis Begbie (interpretado por Robert Carlyle no filme de Danny Boyle) que adopta o nome de Jim Francis e encontra a vida perfeita na Califórnia, torna-se um escultor e pintor de sucesso é casado e tem duas filhas.

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