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Actualizado às 9:45 PM, Sep 22, 2019

Jackie Brown - ciclo Tarantino

Por mais filmes que faça, por mais brilhantes que sejam esses mesmos filmes, por mais que as opiniões se dividam sobre qual é o melhor ou o preferido, é importante ganhar consciência que sem «Jackie Brown», Quentin Tarantino seria hoje um QT diferente daquele que conhecemos. «Cães Danados» é o cartão de visita de um novo tipo de realizador independente e é o prenúncio da obra-prima que viria, essa sim, a virar do avesso a opinião generalizada sobre o cinema independente americano e a injectar-lhe uma nova vida. Mas «Pulp Fiction», bem lá do alto da sua genialidade, poderia facilmente ter-se revelado uma nova versão do mito de Ícaro e Quentin Tarantino veria as suas asas arderem se não conseguisse provar que tinha mais para dar do que os conceitos já explorados tanto em «Cães Danados» como em «Pulp Fiction» (que convenhamos, são filmes primos). A título de comparação, veja-se o caso de M. Night Shyamalan: um auspicioso início de carreira com «O Sexto Sentido» ao qual se seguiu, com um considerável salto qualitativo, «O Protegido», o seu melhor filme e o ponto mais alto de uma carreira que depois se transformou numa avalanche de maus filmes.

Tarantino precisava então de provar, com o seu 3º filme, que era mais — muito mais — do que um realizador com uma única receita e alguns ingredientes de qualidade roubados do videoclube onde passara a juventude. E numa jogada digna de mestre, Tarantino abdica — pela primeira e única vez até hoje — de um argumento original de sua autoria e adapta ao grande ecrã um romance de Elmore Leonard intitulado «Rum Punch», o qual seria re-batizado para o cinema como «Jackie Brown». Abdica do malabarismo narrativo, adoptando uma abordagem mais clássica e adequada ao género noir — mas sem nunca deixar de revelar a sua presença e sem nunca anular a do autor. Abdica também da violência explícita em detrimento de uma atmosfera mais hipnótica e de uma intrincada trama onde vivem algumas das mais fascinantes personagens de toda a filmografia do realizador de «Era Uma Vez Em... Hollywood».

Pam Grier, Samuel L. Jackson, Robert Forster, Michael Keaton, Robert De Niro
1997 | 154 min

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Mãos de Pedra

Embora tenha sido levado a Cannes, de última hora, como tributo ao genial ator que Robert De Niro um dia, lá atrás nos anos 1970 e 80, foi, este aspirante a Rocky Balboa não consegue disfarçar sua enguiçada constru- ção narrativa decalcada de toda a tradição dos dramas esportivos sem inovar uma vírgula que seja no filão. De Niro aparece ainda mais envelhecido, com cabelos 100% brancos, graças a um trabalho de maquiagem. Com direção do venezuelano Jonathan Jakubowicz, a produ- ção, a ser exibida na Croisette no dia 16, narra a relação entre o pugilista panamenho Roberto Duran (Edgar Ramirez) e seu treinador, a lenda do boxe Ray Arcel (De Niro) entre as décadas de 1970 e 80, ao longo de lutas históricas. O filme estreia nos EUA dia 26 de agosto, de olho em indicações ao Oscar para De Niro, neste momento em que ele se prepara para uma experiência na TV, no telefilme da HBO «The Wizard of Lies».

«Taxi Driver» - NOVA IORQUE, 1976

A história de «Taxi Driver» envolve já várias gerações de espectadores, desde os que o descobriram, siderados, no seu lançamento, até os que o foram conhecendo através do DVD e formatos alternativos. É uma história que se condensa num hiato de 35 anos, entre a estreia, a 8 de Fevereiro de 1976, e o dia 17 de Fevereiro de 2011, quando a sua esplendorosa cópia restaurada foi estreada no Festival de Berlim.A sessão da Berlinale, realizada no imponente Friedrichstadt-Palast (com os seus quase dois mil lugares esgotados) deixou a certeza de que se tornou possível recuperar os grandes clássicos rodados em película de 35 mm para cópias digitais (com 4K de definição), preservando toda a riqueza das suas texturas cromáticas. O restauro, coordenado por Martin Scorsese e pelo director de fotografia, Michael Chapman, devolve-nos a densidade visual e dramática de um filme cujo apelo lendário o tempo consolidou – é essa cópia que agora, justamente, poderá ser vista pelos espectadores portugueses.

«Taxi Driver» emergiu, afinal, como símbolo de um cinema que não abdicava de olhar, de forma crítica e apaixonada, para uma América que já não se podia reconhecer nas suas mitologias clássicas (que pertencem também ao seu cinema clássico). No olhar perturbado e perturbante de Travis Bickle (Robert De Niro), Scorsese fazia ecoar a angústia de um tempo em que até mesmo a identidade da grande metrópole novaiorquina estava posta em causa. Vale a pena recordar que 1976 foi também o ano em que o cinema americano ajustou contas com os fantasmas do caso Watergate (Os Homens do Presidente, Alan J. Pakula) e fez o premonitório inventário da degradação populista de algumas formas de televisão (Network, Sidney Lumet). Por tudo isso, rever «Taxi Driver» será também reencontrar a energia de um cinema de invulgar ousadia temática e artística.

(Texto publicado na Metropolis nº7 e no programa de «Taxi Driver» integrado nas Sessões Clássicas Metropolis)

A MEDEIA FILMES associa-se às celebrações do 40º aniversário de TAXI DRIVER e exibe, em exclusivo no ESPAÇO NIMAS, o filme mítico de MARTIN SCORSESE, numa versão digital restaurada e remasterizada. TAXI DRIVER poderá ser visto a partir de 22 DE SETEMBRO.

 

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O Estagiário

«O Estagiário» foi uma surpresa nas bilheteiras em Portugal em 2015, um sucesso inesperado que tem uma explicação lógica: uma maravilhosa realizadora encena dois actores de diferentes gerações com uma linguagem apelativa com ressonância para públicos distintos e tudo regado com uma valente história de amizade e relações humanas. «O Estagiário» é um daqueles filmes que voa baixinho e só percebemos o seu charme encantador ao descobrir a química e o encanto de cenários, personagens de carne e osso e a classe de Anne Hathaway e Robert De Niro, iguais a si mesmos. A história cruza sabedoria e a juventude em diferentes perspetivas, um viúvo de 70 anos, que ainda tem vida dentro de si, trabalha como estagiário numa “start up” de moda de vendas online. Num ambiente tecnológico o cidadão analógico (Robert De Niro) vai encantar e levantar o espírito à sua volta enquanto aprende os tiques do novo milénio, ensina o cavalheirismo e os truques da velha guarda aos colegas e empresta o ombro e sapiência à sua chefe (Anne Hathaway). Um filme de Nancy Meyers («Alguém Tem que Ceder», «O Que as Mulheres Querem») no seu melhor.

A edição Blu-ray tem três simpáticas featurette´s sobre a história, a relação com De Niro e o dedo de Nancy Meyers no design do filme.

tres estrelas

Título Nacional O Estagiário Título Original The Intern Realizador Nancy Meyers Actores Robert De Niro, Anne Hathaway, Rene Russo Origem Estados Unidos Duração 121’ Ano 2015

 

«Joy» em DVD

Desde o regresso à realização com «The Fighter – Último Round» (2010), David O. Russell é um realizador renascido e com um toque de Midas. Os seus filmes passaram a focar pessoas normais com histórias extraordinárias que têm deliciado as audiências e lhe valeram um punhado de prémios. «Joy» não é uma excepção nesta linhagem. Com um elenco de perder de vista, liderado pela talentosa Jennifer Lawrence, o filme relata uma história da infância à idade adulta de uma protagonista que nasce com sonhos, adormece e acorda para a vida 17 anos depois para alcançar a todo custo os seus objectivos. Não é apenas uma história do sonho americano, é um daqueles relatos inspiradores para todos os empreendedores, onde se observa não só as virtudes mas sobretudo as dificuldades que definem a personalidade do génio no interior de cada pessoa. A personagem de Joy Mangano (Jennifer Lawrence) é inspirada numa figura verídica, uma mulher de sucesso que nasce num lar disfuncional, tem um casamento fracassado e vive refugiada do mundo até que dá um murro na mesa e decide aventurar-se com os seus inventos criando um império perante a rivalidade da irmã e o cepticismo da família. É uma obra ainda subvalorizada, a sua composição é caótica e aparentemente crua mas no interior encontramos mais um triunfo no génio de David O. Russell.

A edição da PRIS Audiovisuais DVD inclui um belo making-of.

quatro estrelas

Título Nacional Joy Título Original Joy Realizador David O. Russell Actores Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Bradley Cooper Origem Estados Unidos Duração 124’ Ano 2016

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº40)

Robert De Niro em «Hands of Stone» - trailer

Em «Hands of Stone» Robert De Niro interpreta o treinador do pugilista panamiano Roberto Durán (Edgar Ramirez), que se estreou quando tinha 16 anos e retirou-se do ringue aos cinquenta anos. O filme foca os dois combates de Durán com Sugar Ray Leonard (Usher Raymond IV) nos anos 1980.

«Hands of Stone» estreia nos Estados Unidos a 26 de Agosto e conta no elenco com Ana de Armas («Anjos e Sombras»), Ellen Barkin («Perigosa Sedução») e John Turturro («Irmão, Onde Estás?»).

Título Original Hands of Stone Realizador Jonathan Jakubowicz Actores Ana de Armas, Robert De Niro, Edgar Ramírez Origem Estados Unidos/Panamá Duração n.d. Ano 2016

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