logo

Entrar
Actualizado às 10:16 PM, Dec 11, 2019

Chama-me Pelo Teu Nome - antevisão

Depois da sua estreia no Festival de Cinema de Sundance, «Call Me By Your Name» tornou-se num dos filmes mais badalados dos últimos tempos entre a crítica, surpreendendo por cada festival que passa. Baseado no romance homónimo escrito por Andre Aciman em 2007, a obra coming-of-age aborda uma história de amor universal na década de 1980, com performances interpretativas que têm sido muito elogiadas.

A dupla de atores de que se fala é composta por Armie Hammer e Timothee Chalamet. Enquanto o primeiro tem já uma carreira com alguns personagens relevantes, como «A Rede Social» (2010), «O Mascarilha» (2013) e «O Agente da U.N.C.L.E.» (2015), Chalamet ainda está a dar os primeiros passos, conseguindo papéis de mais destaque em «Interstellar» (2014) e «Os Coopers São o Máximo» (2015).

A obra é realizada por Luca Guadagnino, que mostra o seu potencial após filmes como «Eu Sou o Amor», que foi nomeado para o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira. O cineasta contribuiu para que os dois protagonistas criassem uma maior ligação durante o período de produção em Crema (Itália), pelo que, para ambos, “havia um interesse mútuo em estarem juntos. A sua química surgiu de forma bastante natural e imediata”, explica Guadagnino. “Não consigo pensar noutro filme onde dois homens sejam tão abertos e honestos um com o outro. Fizemos um filme que é tão carinhoso e aprazível que pode colmatar lacunas”, assinala Armie Hammer.

HISTÓRIA
Em 1983, o filho de um professor americano tem um relacionamento com um estudante que chega para viver e estudar com a sua família numa casa do norte de Itália. Um romance de verão que os mudará para sempre.

Realizador:
Luca Guadagnino

Elenco:
Armie Hammer, Timothée Chalamet, Michael Stuhlbarg

Data de estreia prevista:
4 de janeiro de 2018

  • Publicado em Feature

Mergulho Profundo

«É bem verdade que, ao longo das últimas décadas, nos habituámos a desconfiar da própria noção de “remake”: os efeitos de repetição sobrepuseram-se muitas vezes a qualquer conceito de reinvenção, no limite desvalorizando a própria memória cinematográfica e cinéfila. Daí a deliciosa revelação que é «Mergulho Profundo», filme do italiano Luca Guadagnino que, em pleno século XXI, aposta em refazer «A Piscina» (1969), de Jacques Deray, um fenómeno de culto protagonizado por Romy Schneider e Alain Delon.

Poderá, talvez, perguntar-se: porquê refazer um clássico? Mas a pergunta é, em si mesma, equívoca. De facto, «A Piscina» está longe de merecer tal classificação, o que não impede que possua um especial valor histórico e simbólico. Através das cores quentes e da luz sensual da Côte d’Azur francesa, o filme de Deray — para mais centrado num par famosíssimo na época — possui algo de premonitório na definição de determinados padrões do erotismo cinematográfico, directa ou indirectamente decorrentes das ilusões libertárias da década de 60.
Agora, Guadagnino refaz o quarteto central de «A Piscina», deslocando-o para uma pequena ilha no estreito da Sicília, desenvolvendo uma teia em que a entrega amorosa se enreda com a possibilidade de traição e, por fim, a presença do mal conduz a uma coexistência perversa entre desejo e remorso, sexo e morte.

É um filme que, por assim dizer, nasce de um realismo à flor da pele para desembocar numa exuberância formal em que as matérias musicais desempenham um papel fundamental (a “recriação” da canção Emotional Rescue, dos Rolling Stones, por Ralph Fiennes, constitui um dos momentos mais insólitos e fascinantes). O seu visual não é estranho à sedução da pintura, a ponto de o título original, «A Bigger Splash», evocar um célebre quadro de David Hockney datado de 1967.

Semelhante dialéctica coloca Guadagnino (autor do excelente «Eu Sou o Amor», lançado em 2009) numa árvore genealógica a que, obviamente, pertence Luchino Visconti, mas onde podemos também reconhecer o gosto por uma certa sensibilidade “kitsch” inerente à produção de série B. As notícias mais recentes são, aliás, reveladoras: para 2017, Guadagnino prepara um “remake” de «Suspiria» (1977), de Dario Argento — Tilda Swinton e Dakota Johnson, presentes em «Mergulho Profundo», integrarão o respectivo elenco. 

quatro estrelas

Título Nacional Mergulho Profundo Título Original A Bigger Splash Realizador Luca Guadagnino Actores Tilda Swinton, Ralph Fiennes, Dakota Johnson Origem Itália/França Duração 124’ Ano 2015

(Publicado originalmente na Metropolis nº37)

Assinar este feed RSS