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Actualizado às 10:58 PM, May 15, 2019

«Capitão Marvel» - crítica

Uma vez ou outra, a Marvel volta-se para o espaço para se oxigenar e fugir das convenções e das lutas entre superpoderosos. Mesmo prejudicado com um nó de argumento no primeiro terço, quando a fotografia de Ben Davis procura encontrar a luz precisa, «Capitão Marvel» impõe-se como uma vigorosa jornada de formação para a mais poderosa super-heroína da Disney e como um estandarte político para a batalha em prol do empoderamento feminino. Vencedora do Oscar por «Quarto», em 2016, Brianne Sidonie Desaulniers, ou apenas Brie Larson, usa todo o arsenal gestual que tem para injetar humor, luta e poesia a uma mulher cuja memória foi triturada por via de uma abdução pela raça alienígena Kree. Com uma figura tridimensional nas suas mãos, a cineasta Anna Boden (de «É Uma Espécie de... Comédia») e seu codiretor Ryan Kenneth Fleck (do filmaço «Half Nelson: Encurralados») investem num formato de aventura estelar semelhante à estética pop usada nos quadrinhos marvetes dos anos 1970. A direção segue os moldes de que o genial Roy Thomas, o pai da protagonista, idealizou, por exemplo, em “Warlock” e outras bandas-desenhadas de batalhas de super-heróis com ETs, nos confins da galáxia. É um momento fundamental da edificação da cultura pop, em que a indústria de comics criou a centelha narrativa lisérgica do que viria a ser “Star Wars” e outras franquias. Mas há um tempero mediático a mais na direção: como a trama se ambienta na década de 1990, e tem elementos de espionagem, com a participação fundamental da agência de inteligência Shield, Anna e Fleck travaram um diálogo com toda a linhagem de filmes teen de espiões daqueles anos. E houve muita trama nesse modo de 1992 a 1996 - tipo «Hackers», de Ian Softley, e «Heróis Por Acaso», de Phil Alden Robinson – que servem de referência à luta da Capitão Carol Denvers (Brie) para entender por que motivos foi parar entre as estrelas, para ser treinada pelo Kree Yon-Rogg (Jude Law, impecável na criação de um guerreiro dúbio) a fim de combater a raça de transmorfos chamada Skurlls. Quem lê a Marvel desde criança, odeia os Skrull sobre todas as coisas. Mas algo de novo acontece com esse povo neste filme, assente no carisma de Samuel L. Jackson (em estado de graça na pele do jovem Nick Fury, futuro líder da Shield) e da revelação Lashana Lynch, que vive a aviadora Maria Rambeau, amiga da Capitão. A atuação de Lashana por vezes ofusca Brie.

tres estrelas

crítica publicada na Revista Metropolis nº 67

Capitão Marvel - antevisão

O Universo Cinematográfico Marvel tem já 20 filmes mas, pela primeira vez, terá uma protagonista feminina a liderar uma história. E não poderia ser com maior estrondo. A obra apresenta Capitão Marvel, uma nova heroína que é também uma das maiores poderosas da banda-desenhada e, potencialmente, também um dos trunfos para derrotar finalmente Thanos em «Avengers: Endgame». «Capitão Marvel» é, de resto, a última paragem antes do combate final dos Vingadores e são muitas as expectativas.

Uma grande personagem exige uma grande atriz e a escolhida para interpretar Carol Danvers foi Brie Larson, vencedora do Óscar de Melhor Atriz por «Quarto» (2015) e uma assumida feminista. Embora confesse que tenha demorado algum tempo até aceitar o desafio, a atriz considera que “o facto de a personagem ser ela própria e não poder ser contida é fantástico. Significa que ela é selvagem e isso é algo que adoro”. A heroína esbanja bravura e força, com poderes sobre-humanos e capacidade de voar, sendo mesmo considerada a mais poderosa personagem da Marvel.

captain marvel 3

Contudo, não estará sozinha. Estão também de regresso os rejuvenescidos digitalmente Nick Fury (Samuel L. Jackson) e Agente Coulson (Clark Gregg), mas também os vilões de «Guardiões da Galáxia» (2014), Ronan (Lee Pace) e Korath (Djimon Hounsou). Do elenco de luxo faz ainda parte Jude Law, que se estreia neste Universo Cinematográfico e arrisca num filme de super-heróis com um personagem de contornos misteriosos. Além da protagonista, também a equipa por detrás do filme tem assinatura feminina, começando logo na realização, com Anna Boden a dividir a tarefa com Ryan Fleck. Boden é, inclusive, a primeira realizadora a assinar um filme Marvel. Algo é certo: definitivamente, a Marvel assumiu por completo o Girl Power.

HISTÓRIA
A narrativa passa-se em 1995, acompanhando Carol Danvers (Brie Larson), uma piloto da Força Aérea dos EUA que ganha poderes extraordinários após um acidente. Sem memórias do seu passado, Carol regressa à Terra para travar uma invasão alienígena, ao mesmo tempo que se torna numa das heroínas mais poderosas do Universo, ganhando o nome de Capitão Marvel.

Realizadores: Anna Boden e Ryan Fleck
(«Sugar», 2008; «A Febre do Mississípi», 2015)
Elenco: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Jude Law, Clark Gregg, Lee Pace
Data de estreia: 7 de março

  • Publicado em Feature

"Captain Marvel (Capitão Marvel)" - Novo Trailer

Passado nos anos 90, CAPTAIN MARVEL (CAPITÃO MARVEL), da Marvel Studios é uma nova aventura de um período nunca visto na história do Universo Cinematográfico Marvel, que segue a jornada de Carol Danvers, enquanto se torna num das heroínas mais poderosas do universo. Quando uma guerra galáctica entre duas raças alienígenas atinge a Terra, Danvers dá por si juntamente com um pequeno grupo de aliados, no centro do acontecimento.

O filme é protagonizado por Brie Larson, Samuel L. Jackson, Ben Mendelsohn, Djimon Hounsou, Lee Pace, Lashana Lynch, Gemma Chan, Rune Temte, Algenis Pérez Soto, Mckenna Grace, com Annette Bening, Clark Gregg e Jude Law.

CAPTAIN MARVEL (CAPITÃO MARVEL), da Marvel Studios, é produzido por Kevin Feige e realizado por Anna Boden e Ryan Fleck. Louis D'Esposito, Victoria Alonso, Jonathan Schwartz, Patricia Whitcher e Stan Lee são os produtores executivos.

  • Publicado em Videos

The Young Pope

Conhecida pelo seu arrojo e irreverência, a HBO apresenta a minissérie «The Young Pope». Escrita e realizada por Paolo Sorretino e protagonizada por Jude Law, a produção provoca e instiga, numa trama envolta em segredos e surpresas. A estreia da minissérie, que já tem assegurada a segunda temporada, tem estreia marcada em Portugal para 6 de novembro, no canal TVSéries.

Os primeiros dois episódios de «The Young Pope» tiveram estreia no Festival de Cinema de Veneza e deixaram os críticos maravilhados e com vontade de ver mais. A primeira série televisiva assinada pelo conceituado cineasta italiano Paolo Sorrentino apresenta a história ficcional de Lenny Belardo (Jude Law), o primeiro Papa norte-americano e, de resto, o mais jovem de sempre, que ganha o cognome de Pio XIII. Jovem e audacioso, Belardo em nada se assemelha aos seus antecessores – nem na aparência ou postura –, sabendo muito bem o que quer e como fazer para consegui-lo.

Com uma ambiência frívola e crua, o início da série leva o espectador a espreitar os meandros do Vaticano, através de uma realização inspiradora e irrepreensível de Sorrentino, uma produção cénica primorosa e uma fotografia audaz. Nada é deixado ao acaso em «The Young Pope», sobretudo a história arguta e os diálogos acutilantes.

Jude Law está magnânimo e brilha em toda a linha, compondo um personagem complexo, intrigante e misterioso, que o ator britânico deixa transparecer em cada olhar, em cada sorriso irónico. Há muito que Law já não tinha um papel que lhe permitia explorar tanto a sua dimensão dramática e o ator aproveita, garantindo uma das melhores interpretações da sua carreira recente. O elenco secundário também não é de ignorar, com a cativante adição de Diane Keaton a interpretar a Irmã Mary, que irá ajudar Belardo a segurar as rédeas do seu pontificado, e ainda Silvio Orlando, que dá vida ao Cardeal Voiello, que orquestrou a eleição de Belardo com a ilusão de que seria mais fácil manipulá-lo. Logo ao primeiro encontro percebe que não podia estar mais enganado e a luta velada entre ambos será uma das linhas orientadoras da série.

«The Young Pope» impressiona pela sua premissa, a ideia de um jovem Papa que se descreve a si próprio como intransigente, irritável e vingativo, não revelando muitos escrúpulos, apesar de manter alguma dose de conservadorismo. Com uma abordagem ácida e provocadora e misturando alguma sátira com bastidores que mais parecem derivar de um qualquer thriller político, «The Young Pope» é uma das séries a não perder nesta temporada.

  • Publicado em TV
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