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Actualizado às 11:49 PM, Nov 20, 2019

«Uma História Americana» - Ewan McGregor adapta Philip Roth

Um belo acontecimento de cinema: o romance Pastoral Americana, de Philip Roth, revisto e reinventado por Ewan McGregor — este texto foi publicado no Diário de Notícias (17 Novembro), com o título 'Filmando a herança do Sonho Americano'.

De que falamos quando falamos de classicismo? Simplifiquemos, isto é, não esqueçamos o essencial. Falamos de um cinema que não se ilude com as suas próprias proezas técnicas e que, obviamente não as renegando, se mantém atento à fascinante pluralidade do factor humano. Falamos de filmes que sabem respeitar a complexidade de cada personagem sem ocultar o movimento histórico, social e simbólico a que a sua história pertence. Falamos, por exemplo, de Uma História Americana.

É pena que o título português não se limite a traduzir o original, chamando-lhe Pastoral Americana, afinal o título do romance de Philip Roth em que se baseia (editado em Portugal pela Dom Quixote). Dir-se-á que é um pormenor... Em qualquer caso, está longe de ser secundário. É através dele que se sugere a dimensão quase religiosa da saga da família Levov, na América de finais da década de 1960. O pai, conhecido na sua comunidade como “Swede” (“Sueco”, por causa do seu cabelo invulgarmente louro) dirige uma próspera fábrica de luvas; a mãe, Dawn, foi consagrada na juventude como “miss” de um concurso de beleza; enfim, Merry, a filha, é a herdeira do ideal de felicidade que, socialmente, os pais representam. Em resumo, os Levov parecem destinados a existir como uma encarnação perfeita do “Sonho Americano”.

Há, no entanto, um primeiro desvio a tão cândida utopia: Merry gagueja de forma compulsiva, a ponto de as suas dificuldades de articulação serem vistas (e até diagnosticadas) como sinal de uma desordem subconsciente que funciona no sentido de contrariar o peso excessivo da “pureza” que o casal Levov está, por assim dizer, condenado a viver. As coisas tornam-se inevitavelmente menos transparentes e mais perturbantes quando Merry, já adolescente, envolvida em muitos protestos de cariz político (em particular contra as políticas de Lyndon Johnson no Vietname), surge como suspeita de um atentado à bomba...

Uma História Americana pertence a um modelo nobre de Hollywood, com raízes nas obras de grandes autores dramáticos e melodramáticos como Elia Kazan ou Otto Preminger, infelizmente pouco praticado na actual produção — Clint Eastwood é, claramente, uma das excepções. A sua matéria nuclear será a amarga distância que as personagens descobrem (e nós com elas) entre um certo imaginário familiar, poético e redentor, e as convulsões muito concretas de um quotidiano em que todos os valores tradicionais estão a ser postos à prova.

Deparamos, assim, com a presença transversal de temas emblemáticos dos anos 60, desde os protestos contra a guerra do Vietname até às dramáticas derivas de uma intensa contra-cultura, para utilizarmos o termo consagrado por Theodore Roszak (no seu livro The Making of a Counter Culture, editado em 1969). Merry é a ambígua ilustração de tal dinâmica, com tanto de heroína como de vítima, arrastando os pais para terrenos de intimidade e introspecção que, em boa verdade, desmentem o seu próprio projecto de vida.
Para explicar as peculiares emoções de Uma História Americana, talvez seja fundamental lembrar que se trata de um filme dirigido por um actor. É mesmo uma estreia: Ewan McGregor assina, aqui, a sua primeira realização, ancorando o seu trabalho na rigorosa gestão de um elenco dominado por ele próprio, no papel do pai, e Jennifer Connelly, compondo a figura da mãe como um fantasma das tradicionais matriarcas do cinema clássico americano (John Ford é o contraponto que vem à memória), vivendo a tragédia da filha como uma viagem entre a lucidez e a loucura. Isto sem esquecer, precisamente, a singular personagem da filha, interpretada por Dakota Fanning (e, nas cenas da infância e da adolescência, por Ocean James e Hannah Nordberg, respectivamente).

Será preciso acrescentar que este é também um filme de inusitada actualidade política? Não “pró” ou anti” Trump — evitemos os simplismos da moda. Nele deparamos com uma América de identidade dolorosamente esfrangalhada, com as suas gerações separadas de modo radical. São temas e sinais com 50 anos, mas interiores ao nosso presente.

  • Publicado em Feature

Uma História Americana

Congruente e capcioso, «Uma História Americana» desfaz em pó o American Dream. Baseado no romance do autor Philip Roth, vencedor de um Prémio Pulitzer, o filme vai acompanhando uma família norte-americana a partir de meados do século XX, uma família aparentemente perfeita que é profundamente abalada pelas contingências de uma época cada vez mais ativa e agitada. Seymour Levov (Ewan McGregor) foi uma antiga lenda do desporto na escola secundária e torna-se num empresário bem-sucedido, sendo casado com Dawn (Jennifer Connelly), antiga Miss Nova Jérsia. Tudo é virado do avesso quando Merry (Dakota Fanning), a filha de ambos, desaparece após ser acusada de cometer um acto violento. Swede passa a ter uma única preocupação: voltar a reunir a família e retomar a paz de outrora.

Ewan McGregor faz uma estreia segura na realização, apesar de não ousar muito e apostar em algumas opções porventura desnecessárias – a utilização do narrador poderá funcionar no livro mas no filme perde alguma da pertinência. Porém, o argumento acaba por falhar em apenas focar-se na história daquela família em particular, escusando-se a uma análise mais abrangente de uma década tão distinta e efervescente como a de 1960.

McGregor tem bons momentos enquanto protagonista, numa descida ao inferno de um personagem que tenta, a tudo custo, salvar o irreparável. Jennifer Connelly é também convincente na sua interpretação, enquanto Dakota Fanning é magnetizante e consegue as melhores cenas do filme.

Com uma fotografia pouco assinalável e uma caraterização por vezes questionável, «Uma História Americana» tropeça nos pormenores, apesar de mostrar uma história muito forte e um amor de um pai absolutamente inabalável por uma filha, numa ligação intrínseca que emociona, tornando este um drama inquietante.

tres estrelas

Título Nacional Uma História Americana Título Original American Pastoral Realizador Ewan McGregor Actores Ewan McGregor, Jennifer Connelly, Dakota Fanning Origem Estados Unidos Duração 108’ Ano 2016

TIFF Toronto International Film Festival - Uma História Americana

Um dos títulos mais esperados do festival. McGregor é um bom chefe de família americano que depois da Segunda Grande Guerra vive de forma idílica o sonho americano. A sua vida leva um grande rombo quando as opções políticas da sua filha ameaçam a estabilidade familiar. Adaptação do romance homónimo de Philip Roth, promete ser um dos casos do festival. A ver vamos se o estreante McGregor tem unhas de realizador para uma empreitada destas.

Rui Pedro Tendinha em Toronto

  • Publicado em Feature

Uma História Americana com Ewan McGregor

Baseado no romance do aclamado autor Philip Roth, vencedor do Prémio Pulitzer, acompanha uma família Americana durante várias décadas, quando a sua existência idílica é estilhaçada pela turbulência social e política que irá mudar para sempre a estrutura da cultura Americana. Ewan McGregor (A Pesca do Salmão no Iémen; Assim é o Amor) faz a sua estreia na realização, interpretando Seymour “Swede” Levov, uma antiga lenda do desporto na escola secundária, agora um empresário bem-sucedido, casado com Dawn, uma antiga rainha de concursos de beleza. Mas a agitação cresce por trás da polida fachada da vida de Swede. Quando Merry, a sua adorada filha adolescente, desaparece após ser acusada de cometer um ato violento, Swede dedica-se a procurá-la e reunir novamente a família. O que descobre deixa-o profundamente abalado, forçando-o a ver para além das aparências e a confrontar o caos que modela o mundo moderno à sua volta: nenhuma família Americana voltará a ser a mesma.

UMA HISTÓRIA AMERICANA conta ainda com a atriz vencedora de um Óscar®, Jennifer Connelly (Uma Mente Brilhante) como Dawn, Dakota Fanning (As Runaways, Saga Twilight) como Merry, com a vencedora de um Emmy® Uzo Aduba (Orange is the New Black) e com o ator nomeado para um Óscar® David Strathairn (Lincoln; Boa Noite, e Boa Sorte).

Fonte: Cinemundo

American Pastoral - novas imagens

O filme que marca a estreia na realização de Ewan McGregor chega às salas de cinema nacionais em janeiro de 2017, e será apresentado ainda este ano em alguns conceituados festivais de cinema, nomeadamente o Toronto International Film Festival, Filmfest Hamburg e San Sebastian Film Festival.

Baseado no romance do aclamado autor Philip Roth, vencedor do Prémio Pulitzer, AMERICAN PASTORAL acompanha uma família cuja existência aparentemente idílica é estilhaçada pela turbulência social e política da década de 60. Ewan McGregor (A Pesca do Salmão no Iémen; Assim é o Amor) faz a sua estreia na realização, interpretando também Seymour “Swede” Levov, uma antiga lenda do desporto na escola secundária, agora um empresário bem-sucedido, casado com Dawn, uma antiga rainha de concursos de beleza. Mas a agitação cresce por trás da polida fachada da vida de Sweener. Quando Merry, a sua adorada filha adolescente, desaparece após ser acusada por cometer um ato violento, Swede dedica-se a procurá-la e reunir novamente a família. O que descobre deixa-o profundamente abalado, forçando-o a ver para além das aparências e a confrontar o caos que se forma à sua volta.

AMERICAN PASTORAL conta ainda com a atriz vencedora de um Óscar®, Jennifer Connelly (Uma Mente Brilhante) como Dawn, Dakota Fanning (As Runaways, Saga Twilight) como Merry, com a vencedora de um Emmy® Uzo Aduba (Orange is the New Black) e com o ator nomeado para um Óscar® David Strathairn (Lincoln; Boa Noite, e Boa Sorte).

American Pastoral 1

American Pastoral 3

American Pastoral 4

Fonte: Big Picture Films 

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