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Actualizado às 10:58 PM, May 15, 2019

Hellboy - O Demónio Arauto do Armagedão

Mestre do traço chiaroscuro, Mike Mignola é um desenhador norte-americano que se tem destacado dos seus pares não só pelo domínio perfeito do desenho a preto e branco de alto contraste, como também, pela criação em 1993, de Hellboy, aquele que viria a ser o grande sucesso da sua carreira e a pedra basilar de todo um universo narrativo onde ecoam surpreendentes variantes do mais gótico horror.

Mas antes disso Mignola desenhou para as duas maiores companhias do universo dos comic-books – a Marvel e a DC. Para a primeira colaborou em títulos como Daredevil e Power Man and Iron Fist e ainda The Incredible Hulk, Alpha Flight, e na mini-série de Rocket Raccoon. Além de imensas ilustrações para capas, o desenhador destacou-se na DC Comics pelas suas ilustrações para "Cosmic Odissey", de Jim Starlin e mais tarde para "Gotham by Gaslight", uma história de Batman que iniciaria um ciclo de narrativas alternativas protagonizadas pelo cruzado da noite. Nos inícios dos anos 90, Mignola colaboraria com Howard Chaykin na adaptação das aventuras de Fafhard and the Gray Mouser, dois aventureiros num universo de heroic-fantasy, criados por Fritz Leiber.

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Em 1994, Mike Mignola cria Hellboy, para a Dark Horse Comics, porém desta feita ele é dono absoluto da sua criação, ao contrário do que sucede com todos os argumentistas e desenhadores que trabalham para a Marvel ou a DC.

A génese de Hellboy nasceu do desejo do seu autor de criar algo de diferente no mundo dos comics, então como hoje saturados pelos super-heróis. Fã incondicional de toda a literatura de horror e especialmente os mundos de Lovecraft, Hellboy surgiu como algo de inovador e inesperado. O seu rápido sucesso surpreendeu toda a gente, a começar pelo seu criador.

Hellboy nasceu na noite de 23 de Dezembro de 1944, quando o místico Grigori Rasputin, trabalhando em conjunto com um grupo de nazis, que procuravam virar o curso da guerra, tentou invocar para o reino terrestre algo que ajudasse a causa do 3º Reich. A cerimónia mística não correu exactamente como esperado e em vez disso saiu dos infernos um pequeno demónio vermelho, com um desproporcionado braço direito. Os responsáveis pela perturbação no ritual de Rasputin foram um grupo de comandos americanos acompanhados por vários especialistas do oculto que procuravam travar os esforços nazis. Entre eles encontrava-se o professor Trevor Bruttenholm, líder do B.P.R.D. (Bureau for Paranormal Research and Defense), que adoptou o demónio-bebé, chamando-o de Hellboy.

Hellboy The Storm 1

Nos anos seguintes Hellboy foi crescendo em tamanho mas não em maturidade, sendo treinado para lidar com todos os tipos de eventos e criaturas do foro sobre-natural. Em meados dos anos 50, quando tinha cerca de 8 anos, Hellboy torna-se um membro de pleno direito do B.P.R.D. No curso da sua carreira de guerreiro infernal Hellboy defronta sábios loucos, vampiros, lobisomens, bruxas, demónios de todas as formas e feitios. Ao longo dos anos Big Red, como lhe chamam os colegas do B.P.R.D., descobre algo sobre a sua origem – ele é na verdade um Cambion, um ser híbrido filho do demónio Azzael e da feiticeira humana Sarah Hughes. Além disso ele é herdeiro da linhagem de Arthur Pendragon – o lendário Rei Artur de Camelot e da távola redonda. Porém a mais perturbadora das revelações sobre Hellboy é o facto dele ser Anung Un Rama, o arauto do fim dos tempos, o demónio que provocará a destruição da humanidade. Mas o afecto com que Hellboy foi criado pelo Professor Bruttenholm é um factor decisivo na escolhas que o demónio vermelho irá ter de fazer, sendo capaz dos maiores sacrifícios pelos seus amigos humanos. Além do Professor Bruttenholm, Hellboy conta com vários amigos e aliados no BPRD, entre eles Abe Sapiens, um ser aquático provido de grande inteligência, saber e um fino sentido de humor, e ainda Liz Sherman, uma jovem com capacidades piro-técnicas verdadeiramente assustadoras, por quem Hellboy nutre grande afecto.

A saga de Hellboy dura décadas, desde o seu nascimento em 1944 até à sua morte em 2011. Mas como Hellboy é um ser híbrido a sua morte no nosso mundo não impede que ele e o seu poderoso braço direito desapareçam de todo. Na verdade após a sua morte física, Hellboy viveu uma longa saga pelo infernos – "Hellboy in Hell", onde conheceu o mais surprendente elenco de seres diabólicos entre cenários tão bizarros quanto mirabolantes.

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Hollywood não conseguiu resistir ao charme do demónio vermelho e já adaptou por 3 vezes o universo de Mike Mignola ao grande écran. O primeiro filme de 2004 chegou-nos pela mão do visionário Guillermo Del Toro que soube ilustrar na tela o dinamismo barroco das personagens imaginadas por Mignola. «Hellboy – o filme», segue na sua essência a génese da personagem e a sua atribulada vida como agente do BPRD. Del Toro foi muito bem sucedido não só na caracterização das personagens principais, especialmente Ron Pearlman, como Big Red, mas também no cuidado dado ao lado visual do filme que reproduz de forma muito satisfatória a paleta cromática de Mignola. Como o primeiro filme foi um bom sucesso de bilheteira, Del Toro voltou à carga em 2008, com «Hellboy: The Golden Army», uma narrativa original escrita e dirigida por Del Toro que trouxe ao universo de Hellboy alguns dos seus temas preferidos, neste caso a guerra entre os humanos e os elfos. Visual e criativamente muito bem sucedido, o filme triunfou nas bilheteiras, no entanto alguma da dinâmica e complexidade das personagens da série foram algo secundarizadas ao mundo dos elfos. E em 2019 dá-se o reboot cinematográfico de Hellboy, desta feita dirigido por Neil Marshall («The Descent», «Doomsday, Century»), que quis trazer à série toda a combinação de acção, aventura, mistério e horror gótico que a tornou uma favorita entre os fãs do género. Marshall faz o seu melhor na criação de cenas de grande espectacularidade, porém o filme resulta algo desiquilibrado graças a um argumento episódico que escolhe alguns dos momentos mais famosos dos comics misturando-os numa saga apocalíptica que nunca chega a convencer. David Harbour dá-nos um Hellboy convincente e temos muitas sequências sanguinolentas que ecoam alguns dos melhores momentos dos comics. Porém as partes somadas nunca formam uma narrativa sólida e convincente, resultando apenas em mais um entretenimento de série B digital.

Em 2006 e 2007 Hellboy protagonizou duas aventuras animadas "Swords of Storms" e "Blood and Iron", para o Cartoon Network, que além de se aproximarem narrativa e visualmente da paleta dos comics, contavam ainda com as vozes dos protagonistas dos filmes de Del Toro.

Entretanto no mundo dos comics, Hellboy morreu e foi para os Infernos, mas no mundo a 4 cores nada é para sempre e para marcar o seu 25º aniversário, Mignola e a sua equipa vão-nos trazer mais umas façanhas do demónio vermelho.

* artigo originalmente publicado na revista Metropolis nº68

  • Publicado em Feature

Hellboy

Hellboy está de volta e está em brasa. Saída das páginas da obra seminal de Mike Mignola, esta história repleta de ação mostra-nos o lendário super-herói e semi-demónio (David Harbour, de “Stranger Things) a ser chamado a uma zona rural inglesa para combater um trio de gigantes enfurecidos. Aí, ele descobre a Rainha de Sangue, Nimue (Milla Jovovich, da saga “Resident Evil”), uma antiga feiticeira ressuscitada, sedenta de vingar uma traição do passado. Subitamente preso num confronto entre o sobrenatural e o humano, Hellboy está agora apostado em deter Nimue sem desencadear o fim do mundo.

Hellboy conta também com as interpretações de Ian McShane (“John Wick”), Daniel Dae Kim (“Hawai Força Especial” e “Perdidos”) e Sasha Lane (American Honey).

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