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Actualizado às 12:37 PM, Feb 14, 2020

J'accuse - O Oficial e o Espião

Em Setembro de 2019 o Festival de Veneza concedeu o Grande Prémio do Júri ao tão esperado filme de Roman Polanski, «J’accuse», que foi aplaudido com fervor ao fim de sua projeção e garantiu a seu elenco e a seus produtores uma ovação quando estes entraram na sala de conferências de imprensa. Aos 86 anos, o realizador franco-polaco não compareceu à sessão. Impedido de sair da França, onde vive, por um processo judicial derivado de uma acusação de abuso sexual de uma menor, Polanski teve o seu nome apedrejado, no início do festival, por grupos feministas que condenaram a inclusão do filme em concurso. A própria presidente do júri de 2019, a cineasta argentina Lucrecia Martel, revelou o seu desconforto, recusando-se a ver a longa na sessão de gala, para não ter que aplaudir, ainda que simbolicamente, o realizador. Apesar disso, «J’Accuse» inflamou e encantou a plateia pelo seu requinte visual (em especial nos rigorosos enquadramentos da fotografia de Pawel Edelman) e pelo contundente debate que abre sobre deveres, direitos e intolerâncias na Lei. Escrito por Robert Harris a partir do romance (da sua própria autoria) “An officer and a spy”, a longa revive o Caso Dreyfus: um escândalo que assolou França no fim do século XIX. Em 1894, o oficial Alfred Dreyfus (papel do galã Louis Garrel) foi preso, sob uma falsa acusação de traição, alimentada por uma histeria antisemita no exército francês. Um ex-professor do oficial, o coronel Georges Picquart (vivido pelo vencedor do Oscar Jean Dujardin, de «O Artista»), fará de tudo para provar que sua prisão é injusta. Os seus esforços vão mobilizar o notório escritor Émile Zola (1840-1902), que escreve uma carta pública contra a postura intolerante da Justiça. “Dreyfus viveu um inferno durante dez anos de uma prisão injusta. Mas eu, sendo francês, só vim a descobrir essa história, em todos esses detalhes, fazendo esse filme”, disse Garrel, que esbanjou o seu italiano na conversa com os jornalistas internacionais, para ser gentil com o seu anfitrião, o povo de Veneza, sendo aplaudido pelo gesto. “Vocês deveriam aplaudir o meu professor de italiano”.

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