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Actualizado às 10:16 PM, Dec 11, 2019

Django Libertado - ciclo Tarantino

Com um orçamento estimado em US$ 100 milhões, «Django Libertado» é um fruto de enorme prestígio popular de um tempo no qual o western viveu um tempo de bonança em circuito com o blockbuster «Indomável» (2010), dos irmãos Coen; com o empenho de Sam Sherpard (1943-2017) em reviver o mito de Butch Cassidy em «Blackthorn» (2011); e com o cult «Bone Tomahawk» (2015), que revelou o promissor S. Craig Zahler, na direção. Com ecos do clássico spaghetti de Sergio Corbucci, com Franco Nero (e participação especialíssima deste), a saga de vingança de um ex-escravo, em sua busca da sua mulher mantida na senzala, descarrilhou as certezas em torno do Oscar de 2013. Tarantino saiu da festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood com os Oscars de melhor roteiro original e de melhor ator coadjuvante, dado a mais um genial desempenho de Christoph Waltz.

Com uma bilheteria estimada em US$ 425 milhões, este fenómeno popular põe o austríaco na pele do dentista (na prática, caçador de recompensas) alemão King Schultz. Waltz é empregado por Tarantino como os spaghetti usaram Gian Maria Volonté (ícone da Itália nos anos 1960 e 70): como representação do processo civilizatório versus a barbárie do Oeste. Europeu letrado, ele traz a lógica dos mercenários e soldados da fortuna aos EUA e, com ela, oferta ao Django de Jamie Foxx (em sublime atuação) a revanche que este anseia para reaver o seu brio espatifado sob o chicote de seu senhor. Schultz olha perplexo o horror de uma sociedade sem lei, capaz de entregar negros a cães famintos. Ele é o "Anjo da História", referência ao quadro de Paul Klee sobre o horror de um ser "iluminado" diante do passado destroçado que serve de estrada ao futuro. Um futuro igualmente intolerante.

Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Walton Goggins
2012 | 165 min

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Modificado emdomingo, 22 setembro 2019 21:31

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