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Actualizado às 11:37 PM, Mar 18, 2019

Darren Aronofsky - Realizador Obsessivo

Destaque Darren Aronofsky - Realizador Obsessivo

«mãe!» é a sétima longa-metragem de um realizador que nunca abdicou da sua visão artística. Influenciado por Spielberg e Lucas, mas também por Spike Lee ou Jim Jarmusch, Darren Aronofsky continua a ser uma das vozes mais originais da actual produção americana.

No verão de 2002, quando Darren Aronofsky se preparou para o filme mais ambicioso de sua carreira, ele recebeu um telefonema assustador.

Faltavam dois meses para iniciar as rodagens de «O Último Capítulo», ele tinha uma equipa de 500 técnicos a sua espera junto a uma pirâmide maia em tamanho real construída na Austrália, quando foi informado de que a sua estrela, Brad Pitt, deixava o projeto. O realizador desapareceu, o estúdio cancelou a rodagem, mas o filme seria relançado dois anos depois com um orçamento muito mais económico e Hugh Jackman no papel principal.

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«O Último Capítulo» (2006) foi um fracasso comercial e crítico. Poderia ser um titulo premonitório para a carreira de Aronofsky, mas ele teve tenacidade suficiente para concluir o filme.

Tenacidade e obsessão definem bem a forma de estar de Aronofsky. De certo modo ele pode rever-se na personagem de «Cisne Negro» (2010), o thriller onde Natalie Portman é levada à loucura e sujeita a uma violência psicológica quando procura a perfeição como dançarina.

Darren nasceu em 1969 em Nova Iorque, onde ainda vive, no bairro de Brooklin, próximo dos pais. Descreve-se como pertencendo a uma família judia mas prefere ser mais reconhecido pelas suas raízes urbanas do que pela confissão religiosa. Esta declaração sua sobre as origens define-o: "Não havia realmente uma diferença entre os homens judeus, os negros, os gregos. Todos nós ouvíamos a mesma música, dançávamos os mesmos passos, consumíamos as mesmas drogas. Eu diria que 50% dos meus amigos se tornaram milionários em Wall Street e a outra metade provavelmente são traficantes de drogas".

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Em criança , Aronofsky ficou impressionado com os primeiros filmes de Steven Spielberg e George Lucas. No entanto, ele também admite a influência de cineastas alternativos, como Spike Lee e Jim Jarmusch.

O seu amor pelo cinema foi consolidado quando estudou em Harvard ao lado de alguns colaboradores futuros. Por exemplo, o seu colega de quarto, Dan Schrecker, tornou-se mais tarde no seu supervisor de efeitos especiais.

Depois de se formar, em 1991, Aronofsky passou um ano no Conservatório do American Film Institute, onde dirigiu quatro curtas-metragens. Desde que começou a filmar precisou de 7 anos para realizar a primeira longa-metragem, «Pi», que foi financiada através de doações de familiares e amigos.

Foi uma estreia distinta, em preto e branco, para contar a história de um matemático obcecado com um número que permite descobrir os padrões do mundo natural. O filme orçado em $60,000 dólares rendeu $ 3 milhões de dólares e valeu o prémio de melhor realizador para Darren Aronofsky no Festival de Sundance em 1998 – nessa altura o festival ainda era considerado como um espaço para descobrir talentos genuínos em vez de um mercado alternativo às ordens dos grandes estúdios...

O seu filme seguinte foi desenvolvido no Sundance Lab. «A Vida Não é um Sonho» (2000) é baseado numa novela de Hubert Selby Jnr, e narra de forma radical uma história moderna, vivida por quatro pessoas do bairro de Brooklyn que procuram uma vida melhor.

O filme tornou-se num objeto de culto mas teve pouco sucesso. Apesar disso Aronofsky foi desafiado a desenvolver o relançamento de uma das séries mais rentáveis de Hollywood, devolvendo o Cavaleiro das Trevas às suas origens sombrias. Aronofsky escreveu um argumento baseado na novela gráfica de Frank Miller, «Batman: Year One», mas a sua proposta foi considerada demasiado violenta, Aronofsky não abdicou das ideias que tinha e foi afastado do projeto que seria liderado por Christopher Nolan a partir de 2005.

Foi por essa altura que Aronofsky prosseguiu o seu percurso autoral filmando «O Último Capítulo», um filme histórico e futurista, onde um explorador espanhol e um astronauta do século XVI procuram a chave da vida eterna.

«Odarren wrestler Último Capítulo» foi mais um fracasso mas não desviou o realizador do seu caminho. Ele regressou com «O Wrestler» (2008), um filme que cresceu devido ao paralelismo das vivências dramáticas do seu ator principal, Mickey Rourke, e do lutador de meia idade Randy Robinson, ‘The Ram’, estrela de combates de wrestling, caída em desgraça e que contava apenas com a amizade de uma stripper.

É um filme fixado no corpo e na fragilidade. A personagem interpretada por Rourke é incapaz de parar de combater apesar da degradação que os combates provocam no seu corpo envelhecido e desgastado. O filme refletiu também o percurso acidentado de Rourke, entre a fama e a decadência, e foi reconhecido com duas nomeações para os Óscares, nas categorias de melhor ator e atriz secundaria (Marisa Tomei). A consagração de Aronofsky sucedeu em Veneza onde ganhou o Leão de Ouro.

O filme seguinte, «Cisne Negro», tal como «O Wrestler», também é um filme sobre a violência a que o corpo é sujeito devido a uma prática desportiva ou artística. No caso é Natalie Portman que interpreta uma bailarina da companhia de Ballet de Nova Iorque que revela o seu lado mais sombrio quando enfrenta a concorrência de uma colega mais nova. O filme valeira o Óscar de melhor atriz a Natalie Portman e foi nomeado nas categorias de montagem, fotografia e realização.

Aronofsky foi sendo associado a outros projetos comerciais dos estúdios, como «Homem de Aço», que acabou por ser realizado por Zack Snyder, ou filmes da ampla série «X-Men», mas nunca mereceu a confiança que lhe permitiu dar esse salto.

No entanto prosseguiu com a sua visão peculiar abordando de forma diferente a temática do Apocalipse. Primeiro em «Noé» (2014), filme bíblico e religioso protagonizado por Russel Crowe. Mais recentemente através do género do terror em «mãe!», dirigindo Jennifer Lawrence e Javier Bardem numa história com dimensões bíblicas e contemporâneas, onde a ideia de paraíso é violentada pelos piores receios.

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