logo

Entrar
Actualizado às 11:37 PM, Mar 18, 2019

Death Wish - Antevisão

Destaque Death Wish - Antevisão

Temos um novo Death Wish a caminho, agora com Bruce Willis como protagonista, e com Eli Roth (o Urso Judeu de «Sacanas sem Lei») como realizador. A data de estreia está agendada para 22 de novembro.

O trailer já está no ar e espirra sangue, o que nos leva a uma genealogia de seu herói, o arquiteto transformado em vigilante Paul Kersey. Por conta da sua tonalidade fascista, na defesa de que “um bandido bom é um bandido morto”, o original, «Death Wish», de 1974, nunca é enquadrado entre os grandes exercícios de representação das transformações sociais feitas pelo cinema americano dos anos 1970 – época na qual esta produção de US$ 3 milhões rendeu US$ 22 milhões na venda de ingressos. Embora haja um hype vintage em torno de seu astro, Charles Bronson (1921-2003), nunca alcançou o mesmo prestígio de que outros tough guys da época, como Clint Eastwood, por exemplo. E o diretor desta pérola realista sobre punições, o inglês Michael Winner (1935-2013), tão pouco é lembrado como deveria, visto o quão virtuoso era na elaboração de planos. Naquele momento do que se chamava Geração Easy Rider (referência à leva de jovens responsáveis por uma renovação de linguagem e de narrativa das telas dos EUA a partir do encaixe político e o desafio aos tabus morais), com Coppola, Scorsese, De Palma e mais uma leva de transgressores apostando à esquerda dos signos de americanidade, Winner era uma espécie de signo de contrarreforma, de aposta no conservadorismo. Esse debate sobre a reação conservadora de Hollywood retorna agora, nestes tempos de culto a heroínas, na caça às bruxas do machismo nas tramas sobre homens, e na fratura dos símbolos clássicos do masculino. Não por acaso foi escolhido Willis, ator que ofereceu US$ 1 milhão como recompensa a quem lhe trouxesse a cabeça de Osama Bin Laden nos tempos do 11 de Setembro.

Embora tenha perdido a chance de reinventar a sua carreira cinematográfica ao ficar de fora de «Café Society», de Woody Allen, do qual desistiu por questões de agenda, Willis voltou a ser o centro das atenções da indústria cultural dos EUA só que em outro terreno: o teatro. Desde 2015, ele mobiliza o palco do Broadhurst Theatre, na Broadway, ao lado de Laurie Meatcalf, numa encenação de Misery, versão teatral do romance de Stephen King já filmado nos anos 1990 e exibido em nossas telas com o título «Misery - O Capítulo Final». Foi o filme pelo qual Kathy Bates ganhou seu merecido Oscar de melhor atriz. É a história da fã obcecada, Annie Wilkes, que detém um escritor trancado em sua casa a fim de obrigá-lo a escrever mais um tomo da saga de sua personagem favorita, Misery Chastain, sem a qual ela não pode viver. Em horas de agonia, com a perna quebrada, o autor Paul Sheldon não vê outra alternativa se não embarcar na manipulação da sua torturadora e preencher todos as lacunas afetivas que ela impõe. Willis já fizera teatro no passado, tendo chamado a atenção dos olheiros por seu desempenho em Loucos de Amor, de Sam Shepard, e pelo seu trabalho como gaitista em shows de blues. Mas agora é uma imersão profissional na Meca das artes cénicas, para provar que ainda pode tirar a ferrugem de seu ferramental dramático. No cinema, ele não acerta faz tempo. Anda associado ao filme chinês de guerra «The Bombing», de Feng Xiao, e ao thriller de ação «Marauders», ao lado de Christopher Meloni. Resta a ele ainda algum grau de envolvimento em «Die Hard: Year One», sobre a juventude de John McClane, o seu herói na saga Die Hard.

Como a sua carreira anda em baixa há anos, é difícil saber se o regresso de Kersey terá o mesmo impacto que o personagem teve nos anos 1970 e 80. Mas que as primeiras imagens divulgadas por Roth são provocativas, não há como negar. O vigilantismo de Kersey - um anti-herói criado na literatura por Brian Garfield, em 1972 - enquadra-se bem na filosofia da Era Trump. Na trama do filme de Winner, a família de Kersey é atacada por agressores e ele não é capaz de defender sua mulher e filha. A Justiça faz vista grossa para seu pleito pela Lei. Sem paz no coração, ele compra uma arma e sai pelas ruas, em busca dos homens que macularam o seu quotidiano de perdas e danos. No caminho, mata o ladrão que aparece. O mesmo enredo se dá agora, na versão mais pop de Roth, um diretor e ator apadrinhado por Tarantino. Mas será que essa necessidade de reação pode transcender os ditames da direita radical?

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.