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Actualizado às 12:39 AM, Dec 17, 2017

«Princess» - Um “ovni” do cinema israelita

Destaque «Princess» - Um “ovni” do cinema israelita

Eis uma tradição perversa que, por esta altura, vai afectando o nosso consumo de filmes: dominado pelo poder promocional dos mais fortes (leia-se: os “blockbusters”), o Verão cinematográfico é também uma frágil montra dos produtos mais vulneráveis (entenda-se: alguns lançamentos dos pequenos distribuidores). Surge, agora, o exemplo de «Princess», da realizadora Tali Shalom-Ezer, vencedor do prémio de melhor filme israelita no Festival de Jerusalém de 2014, no ano seguinte apresentado nos EUA, na competição de Sundance.

Lançado entre nós como «O Lado Oculto de uma Família», este é um verdadeiro melodrama virado do avesso. Razão fundamental para isso: a crescente inquietação que nasce das componentes sexuais da relação de um homem adulto com uma menina de 12 anos, filha da sua companheira. Resistindo a encerrar-se numa qualquer “temática”, o filme é tanto mais perturbante quanto, para lá dessa relação, somos confrontados com a metódica decomposição do próprio espaço familiar, todo ele contaminado por uma sexualidade difusa e promíscua, por assim dizer, sem objecto.

O filme nem sempre sabe contornar uma certa redundância de exposição, como se resistisse a multiplicar os sinais do contexto social em que tudo ocorre; seja como for, a subtileza da composição de Shira Haas na figura da “princesa” é um trunfo importante. As singularidades dramáticas de «O Lado Oculto de uma Família» são suficientes para que o classifiquemos como um dos “ovnis” mais interessantes desta estação cinematográfica.

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