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Actualizado às 10:34 PM, Sep 15, 2019

O Óscar de Viola

Destaque Viola Davis em «Vedações» © MMXVI Paramount Pictures Corporation. All Rights Reserved Viola Davis em «Vedações»

Viola Davis deverá ser anunciada amanhã no Dolby Theatre, sem surpresas, a Melhor Atriz Secundária pela sua prestação em «Vedações» (2016).

Fazer história é com ela. Em 2015, depois de a sua Annalise Keating, de «Como Defender um Assassino», ser premiada com o Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática, Viola Davis tornou-se a primeira afro-americana a conquistar a estatueta nesta categoria, que existe desde 1953. Já em janeiro, quando foram anunciados os nomeados aos Óscares, tornou-se a primeira atriz afro-americana a atingir o patamar das três nomeações, na sequência da brilhante atuação em «Vedações» (2016).

Embora celebre este ano 21 anos de carreira, entre televisão e cinema, Viola Davis, de 51 anos, só se tornou um caso sério mais recentemente. Na nossa memória fílmica estará ainda aquela célebre cena de «Dúvida» (2008) onde, contracenando por breves instantes com Meryl Streep, conseguiu algo ao alcance de muito poucos: centrou as atenções em si. O feito garantiu-lhe uma nomeação aos Óscares do ano seguinte, onde a vencedora seria Penélope Cruz («Vicky Cristina Barcelona»). Voltaria ao Dolby Theatre três anos depois para competir na principal categoria de representação, depois de um desempenho excecional em «As Serviçais» (2011), mas aquela era a noite de Meryl Streep, que somaria o terceiro Óscar por «A Dama de Ferro» (2011).

Contudo, os argumentos com que Viola nos convencia pareciam, apesar de tudo, insuficientes. Foi surgindo, a espaços, no cinema, com maior ou menor protagonismo, mas atingiria a ribalta na televisão, onde não regressava desde uma breve participação «As Taras de Tara». Shonda Rhimes seria a grande responsável, tornando Viola – ainda que discutivelmente – a estrela maior de “ShondaLand”. Se há dois anos alguns ainda duvidavam, atualmente Viola Davis é uma clara favorita em todos os prémios em que participe. Annalise Keating, a implacável advogada de «Como Defender um Assassino», pode até ser uma das personagens mais imprevisíveis e calculistas hoje em televisão, mas a atriz que lhe dá vida tem pautado o ritmo desta série pela sua consistência. Da mesma forma, a capacidade de nos surpreender (e até chocar) parece não ter limites.

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“Deixem-me que vos diga algo: a única coisa que separa mulheres de cor de qualquer outra pessoa é oportunidade. Não podemos vencer um Emmy por papéis que, simplesmente, não existem”. As palavras de Viola, imediatamente após receber o Emmy, em setembro de 2015, ainda ressoam nos dias de hoje, balanceadas até pelos Óscares de 2016, que não tiveram qualquer ator negro nomeado nas quatro principais categorias. Por sua vez, em sentido contrário, a televisão tem visto brilhar atores como Anthony Anderson («Black-ish»), Kerry Washington («Scandal), Andre Braugher («Brooklyn Nine-Nine») ou Niecy Nash («Getting On»).

Não foi só Tatiana Maslany («Orphan Black») que teve de ultrapassar uma “maldição” – ganhou finalmente o Emmy em 2016. Viola Davis tinhas duas “maldições” a quebrar em 2017, os Globos de Ouro e os Óscares, mas já falhou a primeira. Nomeada duas vezes por «Como Defender um Assassino», a atriz nunca conseguiu vencer, sobretudo por uma questão de timing, uma vez que os prémios acontecem sempre a meio da temporada da sua série. Este ano, por incrível que pareça, nem figurou entre as nomeadas a Melhor Atriz em Série Dramática, onde Claire Foy («The Crown») foi a grande vencedora. Mas nos Óscares a conversa é outra. Desde o início que Viola foi vista como uma potencial candidata (e premiada) aos Óscares de 2017 por «Vedações» (2016). Das salas de teatro para as de cinema, «Vedações» (2016), realizado e coprotagonizado por Denzen Washington, prometia uma Viola ao seu melhor nível, e cumpriu. Até porque a dupla de atores conseguiu, em 2010, o Tony pela interpretação da peça, que teve a sua estreia na Broadway em 1985. Amanhã, deverá valer a Viola o primeiro Óscar da carreira: estava-lhe destinado, mas demorou a chegar.

Texto adaptado do artigo “Tatiana vs. Viola: um duelo sobre-humano”, publicado na Revista Metropolis número 41 (agosto de 2016).

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