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Actualizado às 10:16 PM, Dec 11, 2019

Legado Bourne

Entre os 27 romances produzidos pelo nova-iorquino Robert Ludlum (1927-2001) com foco em teorias da conspiração, um livro de 1980, The Bourne Identity, serviria como semente para fazer germinar uma das mais férteis sagas da espionagem na cultura pop, contaminando cinema e literatura com a amnésia de um virtuoso nas artes de matar em busca de entender quem é. Esse sujeito se chama Jason Bourne, militar que passou por um programa de concepção de super-soldados a partir da prática de apagar subjetividades e substituí-las por um instinto assassino e uma disposição para lutar e disparar para além dos padrões humanos do verbo. Mas algo sai errado nesse projeto de manufactura de super-agentes e alguém tenta descartar Bourne. É quando ele resolve dar o troco. E sua jornada vingadora dura 12 livros, dos quais os três primeiros foram redigidos por Ludlum e, os demais, por Eric Van Lustbader.

Em 1988, no auge do prestígio popular de Richard Chamberlain por conta de projetos televisivos como «Shogun» (1980) e «Pássaros Feridos» (1983), o ator foi chamado para viver Bourne numa minissérie da ABC, produzida pelos estúdios Warner, com Roger Young como diretor. A boa repercussão de produtos ligados a temas de espionagem em plena Guerra Fria garantiu ao produto uma audiência satisfatória, mas aquém do que Chamberlain alcançara antes.

Foi no início dos anos 2000, quando Hollywood buscava veículos para explorar o talento e o carisma de Matt Damon, que Bourne surgiu como uma aposta. A nova versão de «Identidade Desconhecida», com o eterno Génio Indomável no papel central, e direção de Doug Liman, repaginou a cartilha da ação a partir de bases narrativas mais adequadas às novíssimas gerações. Mas foi com a chegada de Paul Greengrass, em «A Supremacia», de 2004, que o herói e o próprio conceito de ação como género ganharam mais e melhores contornos. Laureado no Festival de Berlim com o Urso de Ouro por «Domingo Sangrento» (2002), Greengrass resolveu aplicar em um thriller os conceitos experimentais narrativos que alcançou no drama épico ao misturar recursos de filmagem típicos do cinema documental à ficção. O resultado foi uma espécie de “reality show versão 007”, no qual o hiper realismo inerente ao documentário rendia cenas de violência mais vividas e velozes. Nasceu um culto, alimentado por uma faturação astronómica. Juntos, os três Bourne com Damon renderam 944 milhões.

Em 2012, Hollywood arriscou retomar a série com «O Legado de Bourne», explorando as habilidades dramáticas de Jeremy Renner. Mas a empatia deste com as plateias não é a mesma de Damon e a direção de Tony Gilroy desapontou. Resultado: um fiasco público e crítico. A sequela: deste fracasso veio a necessidade de buscar Damon de volta. Dedos cruzados para «Jason Bourne», o novo filme da saga.

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