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Actualizado às 11:21 PM, Dec 4, 2019

Minha Mãe

Em tempos de vergonhosa exploração da privacidade humana, televisivamente promovida como um circo obsceno (observe-se o horror do Big Brother), não é simples afirmar um diferença radical, irrecusável. Nanni Moretti é um cineasta dessa diferença. Que é como quem diz: alguém que arrisca filmar as zonas mais íntimas do comportamento humano, não para qualquer instrumentalização mercantil, antes para celebrar a infinita complexidade das relações entre os humanos.

Estreado no Festival de Cannes de 2015, «Minha Mãe» é um sublime exemplo da depuração a que chegou a sua arte. Não é um filme auto-biográfico, em sentido estrito, mesmo se é verdade que ele próprio esclareceu publicamente que o impulso para o realizar foi o recente falecimento da sua mãe. Mas é um filme em que Moretti volta a desdobrar-se nas funções de argumentista, realizador e actor principal, ao lado da sempre magnífica Margherita Buy.

Moretti e Buy interpretam dois irmãos que sabem que não restará muito tempo de vida à sua mãe, interpretada pela luminosa Giulia Lazzarini. A espera da morte torna-se, assim, o motor da própria história, num mundo em que tudo parece prosseguir num misto de indiferença e crueldade, incluindo o filme que a personagem de Buy está a realizar, ironicamente marcado por uma “mensagem” eminentemente política.

Depois de «O Caimão» (2006), sobre os bastidores de uma pequena produtora de cinema, e «Temos Papa» (2011), subtil incursão pelos corredores do Vaticano, «Minha Mãe» revaloriza as matrizes clássicas do drama e do melodrama naquilo que nelas é, de uma só vez, mais radical e mais universal: o desejo de conhecer os seres humanos para além das barreiras geradas pelas convenções sociais, incluindo as que decorrem das formas dominantes de ficção. Na sua tocante transparência, este é um filme impregnado de todos os mistérios do comportamento humano.

Realização: Nanni Moretti
Actores: Nanni Moretti, Margherita Buy, John Turturro, Giulia Lazzarini, Beatrice Mancini

5 Estrelas

X-MEN: APOCALIPSE - 1º trailer

Depois do sucesso mundial aclamado pela crítica X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, o realizador Bryan Singer retorna com X-MEN: APOCALIPSE. Desde o início da civilização, ele era adorado como um deus. Apocalipse, o primeiro e mais poderoso mutante do universo X-Men da Marvel, acumulou os poderes de muitos outros mutantes, tornando-se imortal e invencível. Ao acordar depois de milhares de anos, fica desiludido com o mundo em que se encontra e recruta um grupo de mutantes poderosos, incluindo um Magneto desanimado (Michael Fassbender), para purificar a humanidade e criar uma nova ordem mundial, sobre a qual ele reinará. Com o destino da Terra em causa, Raven (Jennifer Lawrence) com a ajuda do Professor X (James McAvoy) irá liderar uma equipa de jovens X-Men para combater o seu maior inimigo e salvar a humanidade da destruição total.

(Fonte:20th Century Fox Portugal)

X-Men: Apocalypse

Realizador: Bryan Singer

Int.:: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Oscar Isaac, Nicholas Hoult, Rose Byrne, Olivia Munn, Evan Peters, Kodi Smit-McPhee, Sophie Turner, Tye Sheridan, Alexandra Shipp, Lucas Till, Josh Helman, Lana Condor, Ben Hardy

Estreia: Maio de 2016

 

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Brooklyn

«Brooklyn» é uma história de imigração passada nos anos 50. Uma jovem deixa a irmã e a mãe numa pequena cidade costeira irlandesa e vai para os EUA, Nova Iorque. Sozinha, numa cidade que lhe é estranha, começa a ganhar uma nova identidade. Passa de menina a mulher. E é essa passagem que Saiorse Ronan consegue de forma sumptuosa. Parece quase um truque de magia. Uma interpretação de um refinamento inacreditável numa obra que consagra Crowley (em «A Rapaz» [2007]e «Circuito Fechado», [2013] prometia algo, mas nada disto), como um dos cineastas a ter em conta. Com processos simples e uma construção dramática que ronda a perfeição, o filme tem tudo para ser um novo clássico. Mais um argumento de ouro do romancista Nick Hornby, desta vez a criar um conto sobre vidas adiadas e a independência feminina. Da Irlanda chegou então um dos filmes que já tinha ganho todo o hype em Park City, no Festival Sundance.

Rui Pedro Tendinha em Toronto 2015

Título Nacional Brooklyn Título Original Brooklyn Realizador John Crowley Actores Saoirse Ronan, Emory Cohen, Domhnall Gleeson Origem Reino Unido/Canadá/Irlanda Duração 111’ Ano 2015

Ela é Mesmo... o Máximo

O motivo da “prostituta com coração de ouro” é um clássico, e os clássicos são, por princípio, intemporais. Mas a verdade é que tudo em «Ela É Mesmo... o Máximo!» parece ultrapassado – a começar, justamente, pelo retrato que o filme oferece das mulheres. O argumento original, escrito nos anos 90 do século passado por Bogdanovich e Louise Stratten, segue a fórmula habitual da screwball comedy, tantas vezes tentada pelo realizador ao longo da sua carreira, com diferentes graus de sucesso [«Que se Passa Doutor?» (1972), «Romance em Nova Iorque» (1981), «Ilegalmente Tua» (1988), «O Miar do Gato» (2003)].

Assente em coincidências bizarras e situações inusitadas, onde se cruzam maridos infiéis, detectives privados, prostitutas ingénuas e uma psicóloga muito neurótica (que graças à interpretação de Jennifer Aniston resulta, possivelmente, na única personagem com graça), «Ela É Mesmo... o Máximo!» passa-se nos bastidores de uma atribulada produção teatral da Broadway. Arnold (Owen Wilson) é o afamado encenador que dirige a acção. Ou será que não dirige?
Incapaz de resistir aos encantos do sexo oposto, Arnold vai acabar embrulhado num perigoso jogo de enganos e perseguições que terminam quase sempre, de forma redundante, com mulheres aos gritos encurraladas em vestiários minúsculos, casas de banho apertadas ou restaurantes apinhados...

É suposto acharmos graça a isto porque Owen Wilson empresta à personagem de um crápula o seu melhor ar de “cachorrinho abandonado” e Imogen Poots, que interpreta uma prostituta de nome “Izzy”, carrega bué no pretenso sotaque de Brooklyn. Bogdanovich cola tudo com uns cameos de gente famosa (Tarantino, entre eles) e uma citação-homenagem sobre esquilos roubada a um velho filme de Lubitsch («O Pecado de Cluny Brown») e espera que a coisa não desmorone. É claro que desmorona!


Se o caro leitor começa agora a estranhar o tom talvez excessivamente acintoso em relação a este pequeno filme é preciso esclarecer que se espera há décadas que Bogdanovich volte a realizar um filme digno de se colocar ao lado de «A Última Sessão» (1971). É evidente que esta expectativa (sempre gorada) não é muito justa. Não é nada justa. Um crítico inteligente e um cinéfilo sensível não fazem necessariamente um bom realizador. É pena. Talvez seja altura de nos conformarmos com isso.

duas estrelas

Realização: Peter Bogdanovich
Actores: Imogen Poots, Owen Wilson, Jennifer Aniston

 

 

A Rapariga Dinamarquesa

The Danish Girl

Realização: Tom Hooper

Int.: Eddie Redmayne, Alicia Vikander, Amber Heard

2015

Estreia a 31 de Dezembro de 2015

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