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Actualizado às 11:37 PM, Nov 4, 2019

Trumbo - trailer oficial

Nos anos 40, a carreira de sucesso do argumentista Dalton Trumbo (Bryan Cranston) chega a um fim quando ele e outras figuras de Hollywood entram na lista negra pelas suas convicções políticas. TRUMBO (realizado por Jay Roach) conta a história da sua luta contra o governo norte-americano e os patrões dos Estúdios, numa guerra pelas palavras e a liberdade, que envolveu todos em Hollywood, desde Hedda Hopper (Helen Mirren) e John Wayne, até Kirk Douglas e Otto Preminger.

Um filme com um elenco onde, para além de Bryan Cranston e Helen Mirren, encontramos Diane Lane e John Goodman.

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Quarto - Trailer oficial

“Quarto” é um filme com um enorme suspense e, simultaneamente, profundamente emocional, explorando de forma única e comovente o inquebrável amor entre uma mãe e o seu filho. Depois de Jack (Jacob Tremblay), de 5 anos, e a sua mãe (Brie Larson) terem escapado ao enclausuramento que Jack conheceu durante toda a sua vida, o rapaz faz uma descoberta fascinante: o mundo exterior. Enquanto experiencia toda a alegria, entusiasmo e medo que esta nova aventura traz, ele agarra-se ao que lhe é mais importante – a ligação especial com a sua amada e devota mãe.

Realizado por Lenny Abrahamson (“Frank”), o filme conta com Jacob Tremblay (“Os Smurfs 2”), Brie Larson (“Descarrilada”), Joan Allen (“O Legado de Bourne”), Sean Bridgers (“Lugares Escuros”) e William H. Macy (“Cake: Um Sopro de Vida”) nos principais papéis.

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Anomalisa

O amor é uma anomalia. De repente, do meio da multidão anónima, vulgar, surge um ser que se distingue de todos os outros. A sua singularidade faz colapsar o tempo e o espaço. Para aquele que ama, ele é o centro do universo. Todo o universo. Absoluto, misterioso, incomparável. A resposta para a existência. Depois chega a manhã.

Kaufman não é um cínico, mas ele conhece bem as suas personagens, e «Anomalisa» não é um filme sobre o amor, ou sobre Lisa (o sufixo no título). Este filme, como quase todos os que Kaufman já escreveu ou realizou, é sobre um homem virado para dentro.

O argumento nasceu de um texto escrito para ser lido em palco – uma espécie de peça de teatro falado – que Kaufman criou em 2005 sob o pseudónimo de Francis Fregoli. Passados 10 anos, e depois do fracasso de bilheteira de «Sinédoque, Nova Iorque» (2008), Kaufman escapou aos constrangimentos dos estúdios e conseguiu dar nova vida à sua história através de um processo de crowdfunding. A escolha do formato, a animação em stop-motion, é também por isso bastante curiosa. Numa produção tão pequena, em que não há espaço para derrapagens orçamentais e se avança à velocidade estonteante de 2 segundos por dia, cada plano é um plano. Fazer cinema assim aproxima-se de um acto de fé.

É comovente testemunhar em cada gesto, em cada cambiante de luz todo o empenho e persistência da extensa equipa de animadores, escultores, técnicos de luz e de som que fizeram de «Anomalisa», como já se disse, o filme mais humano que temos em sala. O que é que quer dizer “mais humano” ou, simplesmente, “humano”? Esta é a questão com que o protagonista do filme, Michael Stone (voz de David Thewlis), se debate.

Em Terra Estranha - DVD

A obra de estreia de Kim Farrant é um drama perturbador desenrolado na vastidão do deserto australiano onde a beleza e a crueldade do meio natural se confrontam com a fragilidade da natureza humana. Uma família em convulsão muda-se para uma cidade no meio do nada e os dois filhos desaparecem, literalmente, no meio da noite. Os pais iniciam uma busca e revelam-se as motivações que os levaram a este lugar. Nicole Kidman encabeça o elenco e tem uma interpretação de corpo inteiro como já não a víamos fazer há muito tempo. A actriz regressa à terra natal e sente-se que está a jogar em casa. Além do excelente papel que teve em mãos contracenou perfeitamente com Hugo Weaving, demonstrando uma empatia para além das palavras. O mesmo não se poderá dizer da relação em cena com Joseph Fiennes, no papel do marido. Um sólido trabalho de estreia de Kim Farrant que ambicionou mais a exploração da humanidade dos seus personagens do que propriamente o thriller na descoberta de alguém desaparecido. Relevo para o belíssimo trabalho de fotografia de P.J. Dillon na forma como transforma a paisagem num elemento belo e inquietante.

Dheepan

Depois de «Um Profeta» (2009) e «Ferrugem e Osso» (2012), Jacques Audiard volta a pegar num assunto difícil. «Dheepan» (galardoado com a Palma de Ouro) conta-nos a história de um homem que foge à guerra civil no Sri Lanka, um guerreiro dos “Tigres do Tâmil” que agora procura asilo político em França. Porém, para o conseguir ele tem de ter uma família, para isso inventa uma. Dheepan (Jesuthasan Antonythasan), Yalini (Kalieaswari Srinivasan) e Illayaal (Claudine Vinasithamby) são totalmente desconhecidos, procuraram-se no meio de um campo de refugiados para garantirem um passaporte para uma nova vida. Todos eles são de alguma forma órfãos, todos perderam alguém e conviveram demasiado perto com a morte, também por esta razão se agarram tanto à mentira de serem uma família. Todas estas cenas no início do filme são breves, mas marcantes, dando-nos um relance das origens das personagens.
Grande parte da película passa-se, portanto, em França, primeiro nas ruas de Paris, depois num bairro periférico, no qual a família ‘faz de conta’ é recolocada. No entanto, também neste bairro Dheepan vai enfrentar várias dificuldades, como a pobreza, a exclusão social, o tráfico de droga e a violência, algo que despertará, não só nele, como também emYalini e Illayaal, ecos da guerra, fazendo emergir velhos medos e impulsos violentos. Isto porque, numa outra escala, o bairro social é também um campo de batalha, onde os seus habitantes tentam a cada dia sobreviver.

Ao longo de «Dheepan» vamos testemunhando a convivência entre três estranhos que tentam integrar-se na vida social do bairro francês ao mesmo tempo que se vão conhecendo e estabelecendo laços. Todo este processo é difícil, a estranheza está entranhada, há feridas abertas. As interpretações dos protagonistas são individualmente tocantes e fortes, sentimos a solidão e a dor de Dheepan, a rebeldia de Yalini; mas são pouco convincentes quando interagem. Sente-se uma artificialidade nesta aproximação entre as personagens. Para além disso, as elipses na narrativa, que tão bem funcionaram em «Ferrugem e Osso», nesta película criam uma barreira invisível entre as personagens e entre o público e a história de sentimentos dos três. Mas estas questões são resolvidas num final demasiado condensado e repentino, deixando-nos com a sensação que uma parte da história foi cortada. Porém, há imagens que sobressaem, que nos conquistam pela sua simplicidade e força. Como, por exemplo, logo no início do filme vemos o jogo de luzes e sentidos que saem da noite escura, as emoções contidas de Dheepan que surgem em sonhos e em bebedeiras ou a sensualidade de Yalini enquanto entra na penumbra do quarto. São quadros que acrescentam uma outra dimensão a este testemunho.

O realizador cria, então, um filme com diferentes geografias e histórias. Não é apenas uma história de refugiados a quem se dá uma identidade, mas também é uma reflexão sobre os profundos problemas da sociedade francesa. Mais uma vez Jacques Audiard volta às histórias dos que vivem ou são postos à margem, tentando mostrar o seu lado da realidade, ainda que com cortes.

Estrelas: 4

Título Nacional
Dheepan
Título ORIGINAL
Dheepan
REALIZADOR
Jacques Audiard
ACTORES
Jesuthasan Antonythasan
Kalieaswari Srinivasan
Claudine Vinasithamby
ORIGEM
França
DURAÇÃO
109’
ANO
2015

10 Cloverfield Lane - 1# Trailer

DO PRODUTOR J.J. ABRAMS

10 CLOVERFIELD LANE

HISTÓRIA DE JOSH CAMPBELL & MATT STUECKEN

ARGUMENTO DE JOSH CAMPBELL & MATT STUECKEN
E DAMIEN CHAZELLE

REALIZADO POR DAN TRACHTENBERG

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Cinzento e Negro

Em «Cinzento e Negro», o novo filme de Luís Filipe Rocha, David (Miguel Borges) refugia-se numa casinha, pousada no topo de uma montanha, no Pico. Fazem-lhe companhia creio que quatro vacas, uma viola e um livro. É pelo menos este o inventário que ele faz à sua amante, Marina (Monica Calle), a sereia que na ilha vizinha acolhe o viajante sempre que ele dá à costa. Mas este é o primeiro de vários equívocos, o menos grave. Isto é, David não é um verdadeiro viajante, ele tem medo de andar de barco e nunca leu um livro. É por isso bastante irónico que tenha escolhido os Açores para se esconder e a Odisseia como primeira leitura. Teria feito melhor se tivesse optado pela Ilíada pois sobre ele não tardará a cair a cólera do implacável Aquiles, ferido no calcanhar e no coração, vestido [mais uma vez] de mulher.

O pathos literário combina muito bem com este filme, recheado de influências. Além de Homero encontramos Raul Brandão, referência clara desde logo no título, «Cinzento e Negro», mas também Cesare Pavese, Herman Melville, entre muitos outros. Os actores, em especial Joana Bárcia, que oferece uma interpretação magnífica de Maria (o tal Aquiles de saias), incorporam essa poesia como sua. Quando falam é como se fosse sempre a primeira vez. As paisagens, sejam elas o quarto descaracterizado de uma pensão barata ou os montes verdejantes do Pico, deixam-se contaminar pela breve história humana. É aliás notável como esses lugares, e até certos objectos, como o arpão, são muito mais do que testemunhas, são mediadores entre o passado e o futuro. Funcionam como uma espécie de constante que lembra e comenta a nossa ligação ao mundo.

Luís Filipe Rocha trabalha todos estes elementos como um verdadeiro alquimista. O resultado final é um filme fascinante e extremamente difícil de classificar. Formalmente, «Cinzento e Negro» aproxima-se de um thriller – temos um crime, um polícia torturado (Filipe Duarte) e alguém que procura vingar-se –, mas a ancoragem moral da história e o tipo de protagonistas que encontramos remete-nos necessariamente para o western, o género que, dizia J. L. Borges, tomou no séc. XX o lugar da epopeia. O casamento entre essa pretensão épica, que existe, e o retrato da situação insular das personagens dá-se numa mistura enigmática pontoada por momentos sublimes e outros de um humor muito terreno, muito peculiar.

«Cinzento e Negro» esteve em competição no Festival Caminhos do Cinema Português 2015 de onde, injustamente, saiu vencedor apenas em duas categorias: Melhor Actor, para Filipe Duarte, e Melhor Banda Sonora Original, Mário Laginha. Não estando em causa o talento da laureada, Beatriz Batarda («Yvone Kane», Melhor Longa-Metragem), desta vez o prémio de Melhor Actriz cabia indubitavelmente a Joana Bárcia. Depois de ver o filme vai-me dar razão.

quatro estrelas

Título Original Cinzento e Negro Realizador Luís Filipe Rocha Actores Joana Bárcia, Filipe Duarte, Miguel Borges Origem Portugal Duração 126’ Ano 2015

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